sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Olimpíada vira vitrine para indústria de defesa nacional

A Olimpíada do Rio de Janeiro deu um novo fôlego à indústria de defesa nacional. Muito além do batalhão previsto de 85.000 homens, entre soldados e policiais, a aposta para o esquema de segurança dos jogos está na tecnologia: de bloqueadores de drones a sistemas de gestão e de tráfego aéreo. Em meio à crise fiscal do governo, que levou a sucessivos cortes de investimentos em defesa, o evento se transforma numa vitrine para as empresas brasileiras do ramo, que veem uma oportunidade de ampliar os mercados de exportação dessas tecnologias.
Para a Associação Brasileira das Indústrias de Defesa e Segurança, o Brasil ainda tem um amplo potencial na área de segurança, tanto para atender às necessidades do mercado interno como para exportar essas tecnologias.
“O mercado de segurança e defesa no mundo é de 1,5 trilhão de dólares, e o Brasil responde por apenas 2%. Há muito para crescer”, diz Frederico Aguiar, presidente da instituição. Ele, no entanto, se mostra otimista com a visibilidade da Olimpíada. “Todo evento desse porte traz não só o efeito direto da aquisição de equipamentos, mas é também uma vitrine, pois vai mostrar para o mundo que o Brasil não só está preparado com treinamento, mas com equipamento e serviços adequados.”
O monitoramento começa pelos céus. Um aparelho adquirido pelo Exército Brasileiro irá bloquear drones não-autorizados próximos às instalações dos jogos. O sistema, chamado de Jammer, pode bloquear o sinal dos vants (veículos aéreos não-tripulados) para além de um quilômetro de onde for instalado. O objetivo é desativar aparelhos suspeitos, uma vez que a utilização de drones com pequenos explosivos foi um dos métodos sugeridos pelo Estado Islâmico para a realização de ataques terroristas durante os jogos.
“É uma tecnologia inédita em eventos desse porte e 100% nacional”, afirma Luiz Teixeira, presidente da Iacit, empresa localizada no interior de São Paulo que desenvolveu o equipamento. “O operador, quando detecta ameaça em algum drone, aciona o sistema de forma a bloquear a comunicação entre o controlador e o veículo. Ele toma o controle do vant, que pode pousar ou retornar ao local de origem”, explica.
O investimento foi de 1,5 milhão de reais e envolveu dez engenheiros. “A Olimpíada ampliou a capacidade de projeção da empresa, que já está há 30 anos no mercado”, diz Teixeira. A ideia é expandir o uso do aparelho para outras áreas, como em presídios, onde há entregas ilegais via drones, bem como exportá-la para o mercado externo. “Já fizemos demonstrações em vários países, como Espanha e Chile”, afirma.
Equipamento
Além de bloquear drones não autorizados, as Forças Armadas terão seus próprios vants para reforçar o sistema de segurança da Olimpíada. Criado pela FT Sistemas, o vant FT100 será utilizado em missões de vigilância, monitoramento, detecção de alvos e levantamento de informações.
“Ele é um sistema militar, com uma tecnologia de ponta específica para uso de segurança e defesa em ambientes hostis”, afirma Nei Brasil, diretor-presidente da FT Sistemas. “A parceria com as Forças Armadas demonstra que o investimento em inovação é uma alternativa viável para o Brasil.” Ele afirma que os drones já são exportados para países africanos desde o ano passado, e a Olimpíada pode ajudar a abocanhar novos mercados.
O monitoramento dos céus abrange também os aviões. Serão utilizados nos aeroportos dois sistemas desenvolvidos pela Atech, empresa do Grupo Embraer, a fim de não só garantir a segurança, mas melhorar o fluxo para evitar atrasos. As tecnologias Sagitário e Sigma já eram utilizadas, mas foram adaptadas e atualizadas para os jogos.
“O foco do Sagitário é a segurança operacional, pois monitora os voos em tempo real”, explica Edson Mallaco, presidente da Atech. “Já o Sigma faz uma otimização do fluxo de aeronaves. O sistema recebe todos os planos de voo, os analisa e otimiza para evitar engarrafamentos no aeroporto em determinado momento. Pode antever o tráfego aéreo com até uma semana de antecedência”, explica.
Ele afirma que a parceria com a Força Aérea permitiu que a empresa pudesse desenvolver não só com foco em defesa, mas também para o mercado corporativo. “Isso nos permite a comercialização desse sistema para outros mercados. Ele já está sendo implementado na Índia, por exemplo, e deve entrar em operação até o final deste ano.”
Dados
Além da gestão de veículos aéreos, a preparação para os jogos demanda um amplo monitoramento de dados. Essa gestão foi feita pela Fundação Ezute, empresa de direito privado sem fins lucrativos, que vem atuando em parceria com o Ministério do Esporte desde 2012.
A fundação, que esteve à frente de projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia e o Bilhete Único, desenvolveu um sistema que monitora processos em 35 instalações e faz a gestão de orçamentos, prazos, requisitos olímpicos e parâmetros legais. “A plataforma tem como foco cada instalação olímpica e todo o seu ciclo de desenvolvimento”, afirma Flavio Firmino, diretor de projetos especiais da Fundação Ezute. “Ela possui mecanismos para gestão de pontos críticos, cronogramas requisitos e também painéis estratégicos.”
Ele explica que o projeto nasceu mediante o diagnóstico de que o governo federal havia enfrentado dificuldades para gerir os recursos da Copa do Mundo. “Constava que o monitoramento da transferência de recursos para a Olimpíada seria conduzido pelo Ministério do Esporte, num modelo apoiado na contratação de consultorias. Apresentamos nossa experiência na área de gestão de projetos complexos e fomos contratados no final de 2012.”
A parceria com o Ministério do Esporte se encerra em abril do ano que vem.

Marinha conta com ajuda de navio especializado afretado a Petrobras nas buscas ao Skyhawk e seu piloto

Continuam as buscas pelo aviador naval e a aeronave AF-1B (A-4KU) Skyhawk que que estão desaparecidos desde o dia 26 de julho, quando o caça após colidir contra outra aeronave em um treinamento de rotina caiu no mar. As busca seguem sem interrupções, com a área de abrangência se concentrando entre a região da Praia de Geribá em Búzios e Maricá.
As equipes tanto no mar quanto na orla, buscam vestígios da aeronave e do aviador que continuam desaparecidos. Recentemente a Marinha anunciou ter encontrado dois pneus que fazem parte do trem de pouso principal, tendo estes sido localizados na praia de Monte Alto, Arraial do Cabo e outro na praia do Peró em Cabo Frio.
Na última quarta-feira (10) iniciou-se uma nova etapa das buscas, em parceria com a Petrobras, com a utilização do navio “Fugro Aquarius” que possui a capacidade de realizar dragagem e escavação em águas profundas. A embarcação possui, ainda veículos submarinos operado remotamente (ROVs), que estão equipados com câmeras de vídeo e sensores. Os ROVs são operados por controle remoto e podem vasculhar espaços com condições de visibilidade restrita.
O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, visitou a BAeNSPA nesta quinta-feira (11) afim de acompanhar o andamento das investigações e operações de buscas. O comandante também visitou os familiares do piloto desaparecido.
A Marinha Mantém um efetivo expressivo nas buscas, que conta o navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry” e o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico H-39 “Vital de Oliveira”, principais meios da corporação empregados nas buscas, que retornaram a zona de buscas nesta quarta (10) para uma nova faina, após partirem na última segunda (8) afim de realizar reabastecimento em sua base no Rio de Janeiro, ambos possuem equipamentos modernos que auxiliam de maneira imprescindível nas operações. A Marinha ainda conta com diversos helicópteros que seguem seus voos em busca de destroços ou sinal do aviador desaparecido, além dos meios empregados pelo Corpo de Bombeiros Militares, que empregam um helicóptero, lanchas e viaturas em terra nas buscas.
As duas aeronaves envolvidas no acidente, são as únicas até então que concluíram os processos de modernização que foram realizados pela Embraer, garantindo uma extensão em sua vida operacional, tendo em vista as poucas horas voadas pelas células adquiridas pela Marinha do Brasil há quase duas décadas, sendo este o primeiro acidente grave registrado na operação das mesmas.A Petrobrás firmou uma parceria com a Marinha do Brasil afim de auxiliar nas buscas ao caça AF-1B (A-4KU) Skyhawk e seu piloto, desaparecidos desde o acidente em 26 de julho. O GBN resolveu apresentar um pouco sobre essa nova e importante ferramenta empregada nos esforços para localização dos destroços da aeronave e seu piloto.
A embarcação ROVSV “Fugro Aquarius”, pertence à empresa Fugro, que está afretado a Petrobrás, foi construída pelo Estaleiro Wilson Sons, no Guarujá, São Paulo.
A embarcação tem 83 m de comprimento e é capaz de operar em águas de até 3 mil metros de profundidade. O “Fugro Aquarius” é a embarcação de apoio ROV mais avançada construída no país. A embarcação foi construída especialmente para o mercado brasileiro e é ideal para inspeção submarina, reparação e manutenção. O “Fugro Aquarius” tem 60% de equipamento e tecnologia nacional, além de ter utilizado mão de obra brasileira de mais de 250 pessoas.
A embarcação é responsável pelos serviços de posicionamento de alta-precisão da Fugro.
O navio  que realiza apoio ás buscas ao AF-1B, deverá realizar amanhã escala em Arraial do Cabo, afim de realizar troca de tripulação e reabastecimento. Normalmente, tais operações são realizadas no porto de Açu ou de Niterói.
Características:
  • Nome: “Fugro Aquarius”
  • Bandeira: Brasil
  • Construtor: Wilson Sons, Guarujá/SP
  • Notação de Classe: 100 A1, “Offshore Support Ship”, *IWS, EP “Helicopter Landing Area”, LMC, UMS, DP(AA), CAC3
  • Local e Ano De Fabricação: Guarujá, São Paulo / 2015
  • Material do casco: Aço
  • Comprimento: 82,6 metros (84,7 m incluindo Helideck)
  • Boca Moldada: 18 metros
  • Calado de projeto: 5,5 metros
  • Tonelagem bruta: 4.144 t
  • Velocidade máxima: 13 nós
  • Velocidade de cruzeiro: 11 nós
  • Autonomia: 60 dias
  • Capacidade de carga: Combustível e água potável
  • Propulsão: 2 x 1500 kW Thruster Azimuthal (elétrico)
  • Geradores: Diesel, 5 x 1350 kVA
  • POB: 50 tripulantes

COM INVESTIMENTOS DE R$ 1,7 BILHÃO, SGDC PASSA POR TESTES FINAIS

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) entrou em sua fase final de testes pré-lançamento. O equipamento vai levar internet banda larga para todo o país e garantir comunicação segura ao governo brasileiro. Com investimentos de R$ 1,7 bilhão, o projeto é uma parceria dos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Defesa. A previsão é que entre em operação em 2017 e tenha vida útil de 15 anos.
De acordo com o diretor de Banda Larga da Secretaria de Telecomunicações do MCTIC, Artur Coimbra de Oliveira, os testes do SGDC servem para acompanhar se os requisitos de desempenho do sistema estão sendo cumpridos. Após o término da construção do satélite, foram realizadas as primeiras verificações, conhecidas como Teste de Referência Inicial.
“Esses testes servem para a aquisição de um banco de dados de referência sobre funcionalidade e desempenho de todo o satélite em relação a equipamentos, subsistemas e sistema”, explicou, acrescentando que também foram realizados testes ambientais de termovácuo e mecânicos (vibração e acústico). “Essa bateria de verificações tem o objetivo de demonstrar a capacidade de o satélite resistir a condições ambientais impostas durante o lançamento e em órbita, mantendo o desempenho das especificações.”
Encerrados os testes ambientais, realiza-se novamente o mesmo conjunto de medições. A comparação entre os resultados vai demostrar se o satélite é capaz de cumprir seus requisitos de desempenho quando estiver em órbita.
“Já foram concluídos os testes de termovácuo e mecânicos, os painéis solares já foram acoplados, e pequenas correções no sistema estão sendo feitas. Em seguida, o sistema estará pronto para a realização dos testes finais e de alcance das antenas. Após a conclusão, o satélite passará por uma revisão final antes do envio para a base de lançamento em Kourou, na Guiana Francesa”, disse Artur Coimbra de Oliveira.
Segundo ele, a tecnologia de satélites é a mais adequada para prover acesso à internet em áreas isoladas ou de difícil acesso. Para o diretor do MCTIC, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas vai contribuir com os principais objetivos do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), pois aumentará a cobertura e a velocidade da rede em áreas remotas, além de reduzir os preços.
“O SGDC faz parte de uma nova geração de satélites, utilizando a banda Ka, que vem sendo usada em complemento a programas de banda larga em diversos países. A tecnologia em banda Ka, permite velocidades comparáveis com as obtidas por uma rede terrestre e conta ainda com antenas de menor dimensão, mais baratas e facilmente instaláveis”, informou.
Além disso, o satélite é necessário para garantir a soberania das comunicações estratégicas civis e militares do país. “Atualmente, os satélites que prestam serviço para a Defesa são controlados por estações que estão fora do país ou possuem o controle nas mãos de empresas com capital estrangeiro. Em qualquer dos casos, existe o risco de interrupções nos serviços em uma situação de conflito internacional ou decorrente de outros interesses políticos ou econômicos”, alertou.
Participam do desenvolvimento do SGDC técnicos da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que são vinculados ao MCTIC. O projeto recebeu R$ 400 milhões de recursos descontigenciados do ministério em junho deste ano. “Está em andamento um programa de absorção de transferência de tecnologia, com o objetivo de capacitar empresas e técnicos brasileiros a produzir partes e peças do satélite, bem como de integrar o próprio equipamento”, concluiu Artur Coimbra.
O SGDC será colocado na posição orbital de 75 graus de longitude oeste e será controlado por estações terrenas localizadas em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ).
Fonte: MCTIC

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