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Resultados da pesquisa

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Nasa lançará satélite para explorar regiões desconhecidas do Sol

A Nasa (agência espacial americana) revelou nesta terça-feira em Washington que no próximo dia 26 de junho lançará um novo satélite com destino ao Sol, para explorar uma das regiões mais desconhecidas desta estrela, o chamado limbo solar, onde é gerada a maior parte das emissões ultravioleta.
O limbo solar ou região interface está localizado entre a superfície visível do Sol e sua atmosfera superior e a Nasa estima que nele se encontram "estruturas" de entre 160 e 240 quilômetros de largura e até 160 mil de comprimento.
"Imaginem jatos gigantes do tamanho da cidade de Los Angeles que são suficientemente longos e rápido para dar a volta na Terra em 20 segundos. Esta missão nos fornecerá as primeiras imagens em alta resolução destas estruturas, assim como informação sobre sua velocidade, temperatura e densidade", afirmou o pesquisador da Nasa Alan Title.
A missão que será lançada no final do mês foi batizada como Iris (acrônimo para Espectógrafo de Imagens da Interface Solar) e está equipada com um telescópio ultravioleta criado para fazer imagens em curtos intervalos de segundos.
O satélite Iris foi projetado e construído no centro tecnológico Lockheed Martin de Palo Alto (Califórnia) e será enviado ao espaço a bordo de um foguete Pegasus XL.
FOLHA ..SNB

Falta incentivo a ideias originais na ciência no país", diz neurocientista brasileira

FERNANDO TADEU MORAES
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, 40, dedicou-se nos últimos anos a entender como o cérebro humano se tornou o que é. Seu trabalho a levou a ser a primeira brasileira convidada a falar no TED Global, famoso evento anual de conferências de curta duração que reúne convidados de várias áreas do conhecimento.
Herculano apresentará em sua fala de 15 minutos, nesta quarta, os resultados de suas pesquisas sobre como o cérebro humano chegou ao número incrivelmente alto de 86 bilhões de neurônios: o consumo de alimentos cozidos. "Entre os primatas, temos o maior cérebro sem sermos os maiores. Grandes primatas, com a sua dieta de comida crua, não possuem energia suficiente para sustentar um corpo enorme e um cérebro grande."
Na entrevista, concedida por telefone, a professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) dispara críticas à cultura brasileira de pesquisa científica, "que não incentiva a originalidade e a diversidade de pensamento", à pós graduação nacional, "muito fraca", e ao programa de bolsas Ciência Sem Fronteiras, "do jeito que está, parece demagogia" e defende a profissionalização da carreira de cientista.Folha - Sobre o que a sra. vai falar na palestra no TED?
Suzana Herculano-Houzel - Vou apresentar o resultado do trabalho realizado no nosso laboratório, que mostra que o ser humano não é especial, nosso desenvolvimento cerebral não foge às regras que se aplicam aos outros primatas. Temos o maior cérebro primata sem sermos os maiores primatas. Como o tamanho do cérebro acompanha o tamanho do corpo, em geral, primatas maiores do que nós, como gorilas e orangotangos, deveriam ter um cérebro maior que o nosso e, no entanto, o gorila é duas a três vezes maior do que nós e nós temos um cérebro três vezes maior que o dos gorilas. Descobrimos que há uma explicação de origem metabólica para isso: quando calculamos a quantidade de energia que um primata obtém com a sua dieta de comida crua e quanto custa manter o corpo e o cérebro funcionando, descobrimos que os primatas não têm energia suficiente para sustentar um corpo enorme e um cérebro grande, com muitos neurônios. Também deveríamos obedecer à mesma regra, então nossos ancestrais conseguiram burlar essa limitação energética. Esse jeito, muito provavelmente, foi a invenção da cozinha, que transformou a maneira como aproveitamos as calorias, tornando os alimentos mais fáceis de serem mastigados e digeridos e, portanto, permitindo obter mais calorias em menos tempo.
Com a invenção da cozinha, ter um cérebro grande deixa de ser um risco e passa a ser uma vantagem, ao mesmo tempo que nos libera para fazer coisas mais interessantes com o nosso cérebro. Poderíamos pensar que isso nos faz especiais, mas se você olhar a evolução do cérebro dos primatas, é possível perceber que há muito tempo existe uma tendência de aumento do tamanho do cérebro, mas nos nossos ancestrais e nos grandes primatas isso tinha encontrado essa barreira metabólica.
Minha mensagem na palestra é que o que nos torna notáveis é o número alto de neurônios no córtex cerebral e conseguimos chegar a isso fazendo algo que nenhum outro animal faz que é cozinhar os alimentos.
Recentemente dois grandes projetos ligados à compreensão do cérebro foram anunciados. Na Europa, um investimento de 1 bilhão de euros será destinado a uma simulação em computador do cérebro funcionando e, nos EUA, um consórcio de cientistas vai mapear o cérebro. Como essas iniciativas se inserem no atual quadro de pesquisa da neurociência?
São desdobramentos do que já vinha sendo feito. Se você olhar para a história da pesquisa em neurociência, começamos tentando entender o que cada parte do cérebro faz, para que serve cada estrutura, e isso teve uma explosão extraordinária entre os anos 1990 e 2000 com as técnicas de ressonância magnética e tomografia computadorizada, que nos permitiram construir um mapa do que faz cada pedaço do cérebro. Nos últimos cinco anos, começou uma busca pela compreensão de como partes diferentes do cérebro interagem, colaboram e trocam informações. Nesse processo emerge a consciência, o autoconhecimento. Essa é a fronteira final nesse momento.
A sua pesquisa se relaciona de alguma forma com esses projetos?
De certa forma sim. Uma das coisas que estamos estudando e que faz parte de um artigo que acabamos de terminar é entender como os neurônios se distribuem ao longo do córtex humano [camada mais externa e sofisticada do cérebro], entre as diferentes áreas. Começamos uma pesquisa para saber qual é a relação entre a distribuição do número de neurônios e do número de sinapses, tentando entender as regras de construção do cérebro e como se dá a relação entre a distribuição de neurônios e as funções de cada área.
As iniciativas americana e europeia de compreender o cérebro e os experimentos de interface cérebro-máquina, como do brasileiro Miguel Nicolelis, receberam bastante atenção da mídia. A senhora acha que o não cumprimento dos objetivos pode gerar alguma frustração na sociedade e até descrédito para a neurociência?
Tudo depende de como as coisas são apresentadas. A maneira como eu entendo essa iniciativa do consórcio americano é compreender como o cérebro funciona como um todo. Mas, para vender isso para mídia, eles têm que colocar o propósito da cura do alzheimer, porque é um nome que as pessoas reconhecem e pensam "ah, isso é importante". Mas é importante que a mídia dê valor a esses assuntos, para que as pessoas passem a dar mais valor à pesquisa pelo conhecimento que geramos, e não só porque vamos curar doenças. Até porque se o público aprender a reconhecer o valor da ciência pela ciência, não tem por que ter frustração. Toda pesquisa bem feita traz, no mínimo, novas perguntas. Se a pesquisa é bem feita, não existe fracasso.
A senhora se divide entre a pesquisa e a divulgação de ciência, algo raro na nossa academia. Você acha que há uma falha de comunicação entre os cientistas e a sociedade?
Infelizmente a divulgação científica não é muito valorizada nem bem vista pelos cientistas. O CNPq [órgão federal de fomento à pesquisa], por exemplo, não considera a divulgação científica na conta da produtividade do cientista. Mas isso é compreensível. Dada a sobrecarga de ensino e pesquisa dos nossos cientistas, é difícil que eles ainda queiram fazer divulgação sem que isso lhes dê algum tipo de reconhecimento pelos seus esforços. Não sei se estaria fazendo divulgação se eu não tivesse voltado para o Brasil para fazer justamente isso. Depois é que eu voltei a fazer pesquisa.
Quais são os principais problemas na maneira como se faz pesquisa científica no Brasil?
Originalidade zero. Não existe incentivo à originalidade e à diversidade de pensamento. Quando eu cheguei nos EUA [para fazer o mestrado, em 1992], fiquei chocada ao descobrir que as pessoas não param cinco anos no mesmo lugar. Eles têm essa cultura de se mudar constantemente, o que favorece a diversidade de ideias. Aqui, a tradição é entrar na iniciação científica em um laboratório e continuar nele durante o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado. E a tendência é a pessoa se aprofundar cada vez mais em um único assunto. Com isso, formamos jovens cientistas bitolados, tudo o que eles sabem é pensar em detalhes daquele único assunto que vêm desenvolvendo desde a iniciação científica. Além disso, a política de contratação nas universidades privilegia os ex-alunos. Criam-se colônias sem diversidade. Colônias em que você tem o fundador original, o chefe do laboratório, e as crias todas vão se espalhando ao seu redor, estudando a mesma coisa.
Como a senhora vê o atual estado da pós-graduação no Brasil?
O nível de exigência aqui é baixíssimo. Nos EUA e na Europa, após um ou dois anos no doutorado, você tem que apresentar o seu projeto de pesquisa original e, antes disso, precisa apresentar outro projeto de pesquisa sobre um tema que não seja da sua área só para provar a capacidade de raciocínio autônomo e original, de reconhecer um problema da ciência e propor um tratamento científico a ele. Aqui, temos um exame de conhecimentos, em que você precisa provar que domina um determinado assunto, mas com isso incentiva-se a repetir e não a gerar algo novo. No fundo, o aluno de doutorado aqui é uma pessoa que trabalha nas linhas de pesquisa de um determinando laboratório sem nenhuma exigência de que tenha contribuído de forma original para a ciência.
A formação dada pela nossa pós-graduação é ruim, então?
É fraca, muito fraca. Não porque faltem bons pesquisadores ou professores, mas porque não há cobrança, não se oferecem cursos com o professor ensinando na lousa, apenas seminários, como que dizendo: "O aluno que busque o conhecimento sozinho".
Como a senhora vê o investimento do governo no programa de bolsas Ciência sem Fronteiras?
Francamente, eu não entendo esse programa. Do jeito que está parece demagogia. Quando se começou a falar em Ciência sem Fronteiras, parecia um negócio extraordinário. Eu havia entendido que abriríamos as fronteiras nos dois sentidos, iríamos mandar jovens cientistas para fora e abrir as nossas fronteiras para os estrangeiros que quisessem vir trabalhar aqui. Poderíamos, quem sabe, acabar com o complexo de vira-lata da gente, de que só os outros que prestam, ao atrair pesquisadores de outros países. Não vemos isso acontecendo. O que se vê é uma porcentagem baixíssima de aprovação de projetos para trazer gente de fora. Pouquíssimas bolsas para enviar jovens para fazerem doutorado e pós-doutorado fora e uma massa enorme de dinheiro usada para mandar alunos de graduação para o estrangeiro, o que me choca pois, na minha avaliação, a graduação no Brasil é muito boa. Fiz graduação aqui na UFRJ e, quando cheguei aos EUA para fazer o mestrado, os professores achavam que eu era uma aluna extraordinária, pois já sabia coisas que eram dadas na pós-graduação de lá. Onde ficamos muito para trás é na pós-graduação.
Apesar de diversos estudos mostrando o malefício das drogas ao cérebro, a senhora tem se posicionado a favor da legalização. Por quê?
O problema maior das drogas é para aqueles que não têm nada a ver com a história e ficam presos no tiroteio, literalmente, que é a violência financiada pelo tráfico. No mundo ideal, gostaria que ninguém pudesse comprar drogas porque elas fazem mal e ponto. Mas também entendo que, por um lado, as pessoas deveriam ter liberdade para fritar o próprio cérebro em paz sem colocar as outras em risco. Vamos tornar as drogas acessíveis em farmácias, controladas pelo governo, para acabar com o tráfico. Mas sou contra a descriminalização, que só tranquiliza o usuário, que pode comprar a droga tranquilo, sem medo de ser preso. Sou a favor da legalização.
Há uma discussão hoje em torno da diminuição da maioridade penal. Do ponto de vista da neurociência, é possível dizer que alguns desses jovens que recentemente cometeram crimes bárbaros não sabiam o que estavam fazendo?
A adolescência é um processo que leva em torno de dez anos, as vezes até mais, e é um processo de transformação do cérebro, em que várias habilidades mudam, melhoram e a última delas é a de se colocar no lugar do outro e de ter um raciocínio consequente, entender os desdobramentos dos seus atos. Em torno de 17, 18 anos, em geral, essas habilidades de raciocínio consequente já existem e funcionam bem o suficiente para você caracterizar a pessoa como um adulto, mas é um processo. Qualquer idade que seja estabelecida vai ser arbitrária. A questão é se a idade que você escolhe como idade arbitrária é bastante segura ou não para você considerar em princípio que todos os jovens que já têm essa idade devem ter a capacidade de avaliar as consequências dos seus atos.
Dezoito anos, então, é uma idade razoável para ser usada como marco?
Acho perfeitamente razoável, talvez pudesse ser 19, ou 17 e meio, mas é importante reconhecer que essa idade é arbitrária. Além do mais, esses crimes hediondos cometidos por jovens não são cometidos porque a pessoa tinha 17 anos e cinco meses e, portanto, não tinha a capacidade de entender que quando ela estava jogando gasolina na dentista ela ia morrer se o fósforo fosse aceso. Uma criança tem essa capacidade. Nesse caso estamos falando de uma coisa diferente. Boa parte desses jovens que cometem crimes bárbaros, hediondos, é sociopata. Há a ideia de que a pobreza é culpa da classe média, de que o bandido é culpa da sociedade que não deu oportunidade. E é nesse tipo de sociedade que o sociopata floresce, uma pessoa perfeitamente sã, racional e capaz, por isso, de manipular os outros. Sociopata é um predador, causando problemas para todo mundo ao redor. Ele faz isso tanto melhor quanto mais as pessoas pensarem "pobrezinho, não é culpa dele, ele não fez nada de errado, ele não tem de ser punido". As pessoas nascem sociopatas e a sociedade tem de se saber como lidar com isso.
Como identificar esse jovem?
Psiquiatras bem treinados sabem fazer essa avaliação. Há sociopatas que jamais vão chegar a matar uma pessoa, mas ainda assim ele pode criar um monte de problemas para as pessoas ao redor dele. Mas considerando apenas os sociopatas que cometem crimes hediondos, eles devem ser reconhecidos e tratados como de fato de são, como uma pessoa cuja taxa de recuperação e de reinserção na sociedade é praticamente zero. E cuja taxa de reincidência é altíssima, não importa a idade. É isso que tem de ser levado em conta. No fundo, não importa a idade da maioridade penal.
A sra. vem defendendo a profissionalização do cientista. O que é isso?
Minha proposta é que o jovem que faz ciência tenha esse trabalho reconhecido, que seja considerado um cientista de fato. Um dos problemas do jovem que trabalha com ciência é que a própria família acha que eles estão de vagabundagem. O trabalho de pesquisa que um jovem faz sob a alcunha de estudante de pós-graduação é de verdade. Terminado o período da pós-graduação, esse jovem continua não tendo a possibilidade de ser contratado como cientista. São raros os institutos de pesquisa que contratam pesquisadores de fato no Brasil. Na grande maioria dos lugares, esse jovem vai ser contratado como professor. O primeiro problema é reconhecer que a pessoa que faz ciência tem um trabalho: ela se chama cientista. Hoje, eu não posso preencher uma ficha de dados e declarar como minha profissão cientista. Essa profissão não existe. E isso contribui para desvirtuar a pós-graduação, pois como o jovem que se forma não pode ser contratado como um pesquisador, a única maneira de ele continuar fazendo pesquisa é ele entrar para a pós-graduação. E ela então vira uma tábua de salvação, como a única maneira de continuar trabalhando no laboratório. E eles são a verdadeira mão de obra da pesquisa no Brasil. O número de publicação de artigos no país vem crescendo de mãos dados com o aumento no número de alunos de doutorado. Quem faz a pesquisa no Brasil são esses "alunos" da pós-graduação que, para mim, são cientistas, são trabalhadores, que deveriam ser reconhecidos como tais, com os direitos e deveres que todo trabalhador tem.
E o que a sra. propõe para melhorar esse quadro?
Proponho que se crie a profissão de cientista e que, para o jovem exercer a função de pesquisador, ele tenha de ser contratado. Se ele vai ou não fazer a pós-graduação também, isso passa a ser uma coisa à parte. A pós poderia passar a ser reservada, como deveria ser, àqueles alunos que demonstrem capacidade de raciocínio original, de propor novas ideias. A profissionalização do cientista não só resolveria o problema de o jovem recém-formado não ter o status de trabalhador com férias, décimo terceiro e tudo o mais, mas também ajudaria a resolver o problema da pós-graduação ser hoje uma tábua de salvação para os nosso jovens e não ser valorizada como ela deveria ser.
Como tem sido a repercussão dessas ideias dentro da universidade?
Críticas só de longe, por e-mail, sem mostrar a cara. Recebo muito apoio de alunos, que querem ter o seu trabalho reconhecido. Eu não entendo muito bem porque a ideia de profissionalizar a ciência incomoda tanto algumas pessoas. Mas as pessoas que se incomodam são as que estão lá no alto, são os diretores de institutos etc. Fica a impressão ruim de que eles não querem perder a mão de obra quase de graça. É muito comum ouvir: "Você está ganhando dinheiro para estudar". Esse é o tipo de mentalidade que mata a ciência. Isso é uma herança do século 18, pois os primeiros cientistas eram diletantes de famílias ricas, que não precisavam de dinheiro para fazer pesquisa. Hoje a realidade é outra, mas faltou mudar essa parte da pesquisa ser reconhecida como trabalho que é.
Quais são os próximos passos da sua pesquisa?
Estamos trabalhando com animais de cérebro enorme. Será o teste da nossa hipótese de que é o número de neurônios que importa e não simplesmente o tamanho do cérebro ou a relação com o tamanho do corpo. Estamos terminando agora de estudar um cérebro de elefante, depois baleias e estamos começando a trabalhar com pássaros para entender a diversidade de maneiras com o cérebro é construído e a relação que isso tem com as capacidades cognitivas e comportamentais dos diferentes animais. Mais adiante, vamos estudar a relação entre a construção do cérebro, o metabolismo e o sono. Por que animais de grupos diferentes têm necessidades diferentes de sono? E como isso está relacionado com o metabolismo do cérebro e o número de neurônios.
FOLHA ..SNB

EUA coletam mais dados sobre comunicação do que Rússia, diz ex-técnico da CIA

Considerado o responsável por vazar o monitoramento de dados de telefone e internet feitos ilegalmente pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, Edward Snowden foi entrevistado em Hong Kong por Glenn Greenwald e Ewen MacAskill, do "Guardian" --o ex-técnico da CIA assumiu a culpa pelo vazamento de informações em entrevista publicada pelo jornal britânico. Ele está há dez dias em Hong Kong, onde diz que pretende buscar asilo em um outro país.
Leia, abaixo, os principais trechos.
*
"The Guardian" - Por que você decidiu se tornar um delator?
Edward Snowden - A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês) construiu uma infraestrutura que permite interceptar quase tudo. Com esta capacidade, a grande maioria da comunicação humana é automaticamente ingerida sem uma mira. Mas, se eu quiser ver os seus e-mails ou o celular da sua mulher, tudo o que preciso fazer é usar interceptores. Posso obter os seus e-mails, senhas, registros telefônicos e cartões de crédito. Eu não quero viver em uma sociedade que faz este tipo de coisas... Eu não quero viver em um mundo onde tudo o que eu faça e fale seja registrado. Isto não é uma coisa que estou disposto a apoiar ou viver sob.
Mas não há a necessidade desta vigilância para tentar reduzir as chances de ataques terroristas como os de Boston, por exemplo?
Nós temos que decidir o porquê de o terrorismo ser uma nova ameaça. O que aconteceu em Boston foi um ato criminoso. Não foi uma questão de vigilância, mas a polícia à moda antiga funcionou. A polícia é muito boa no que faz.
Você se vê como um outro Bradley Manning?
Manning foi um delator clássico. Ele foi inspirado no bem púiblico
Você acha que o que fez seja um crime?
Nós vimos criminalidade o bastante por parte do governo. É hipócrita fazer esta alegação contra mim. Eles têm limitado a esfera pública de influência.
O que você acha que vai acontecer com você?
Nada de bom.
Por que Hong Kong?
Acho que é realmente trágico que um americano precise ir para um lugar que tenha uma reputação de menos liberdade. Ainda assim, Hong Kong tem uma reputação de liberdade, apesar da China. Hong Kong tem uma forte tradição de liberdade de expressão.
O que os documentos vazados revelam?
Que rotineiramente a NSA mente em respostas a parlamentares sobre questões a respeito da vigilância americana. Acredito que quando [o senador Ron] Wyden e [o senador Mark] Udall perguntaram sobre o assunto, eles [a NSA] disseram que não tinham as ferramentas necessárias para fornecer uma resposta. Nós temos as ferramentas e eu tenho mapas que mostram onde as pessoas têm sido mais escrutinadas. Nós coletamos mais comunicações digitais dos americanos do que dos russos.
O que você pensa dos protestos do governo Obama sobre a ciberespionagem chinesa?
Nós hackeamos todo mundo em qualquer lugar. Gostamos de fazer distinção entre nós e os outros. Mas nós estamos em quase todos os países do mundo. E não estamos em guerra com eles.
É possível colocar segurança no lugar de proteção contra a vigilância estatal?
Vocês sequer estão cientes do que é possível. A extensão da capacidade da NSA é horripilante. Nós podemos plantar erros nas máquinas. Uma vez que você está na rede, posso identificar sua máquina. Você nunca estará seguro, mesmo que coloque qualquer proteção.
Sua família sabe o que você está planejando?
Não. Minha família não sabe o que está acontecendo... Meu principal medo é deles [das autoridades] irem atrás da minha família, dos meus amigos, da minha parceira. Qualquer pessoa com quem eu tenha um relacionamento. Vou precisar viver com isso para o resto da minha vida. Não vou ser capaz de me comunicar com eles. Eles vão agir agressivamente contra qualquer pessoa que me conheça. Essa preocupação me mantém acordado à noite.
Quando você decidiu vazar os documentos?
Você vê coisas que podem ser perturbadoras. Mas quando você vê tudo, percebe que algumas dessas coisas são abusivas. Então, a consciência de injustiça se acumula. Não teve uma manhã em que eu acordei [e decidi fazer isso]. Foi um processo natural. Em 2008, muita gente votou no Obama. Eu não votei nele, votei em um terceiro. Mesmo assim, acreditava nas promessas do Obama. Eu estava indo revelar as informações [mas esperei por causa de sua eleição]. Mas ele continuou com as políticas de seu antecessor.
Qual foi sua reação quando Obama denunciou o vazamento, ao mesmo tempo em que ele se dizia disponível para um debate equilibrado entre segurança e abertura?
Minha reação imediata foi pensar que ele estava tendo dificuldade em se defender. Ele estava tentando defender o injustificável e sabia disso.
Você tem algum plano?
A única coisa que posso fazer é sentar aqui e esperar que o governo de Hong Kong não me deporte... Minha inclinação natural é procurar asilo em um país com valores compartilhados. A nação que mais abrange isso é a Islândia. Eles brigaram para que as pessoas tivessem mais liberdade na internet. Não tenho ideia de como será o meu futuro. Eles poderiam colocar uma nota na Interpol. Mas eu não acredito que cometi um crime fora dos domínios dos Estados Unidos. Acho que vai ser claramente demonstrado que foi algo de natureza política.
Você acha que provavelmente vai acabar na prisão?
Eu não poderia fazer isso sem aceitar o risco da prisão. Você não pode ir contra a agência de inteligência mais poderosa do mundo e não aceitar o risco. Se eles querem te pegar, em algum momento eles vão.
Como você se sente agora, quase uma semana depois do primeiro vazamento?
Acho que o sentimento de indignação manifestado foi justificado. Ele me deu a esperança de que não importa o que aconteça comigo, o resultado será positivo para a América. Não espero ver minha casa novamente, embora isso seja a minha vontade.
FOLHA ..SNB

Soyuz leva Satélite militar russo para orbitar

RIA Novosti) - Um foguete portador Soyuz-2.1B orbitou o satélite militar na sexta-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa no comando das Forças de Defesa Aeroespacial da Rússia disse.
O foguete decolou do local de lançamento de Plesetsk, no norte da Rússia, às 22:37, horário de Moscou na sexta-feira.
"A sonda separada do terceiro estágio do foguete como previsto", disse o coronel Dmitry Zenin.
De acordo com relatórios anteriores, o satélite é o segundo na nova série Persona de satélites de reconhecimento eletro-ópticos baseados na Resurs DK sensoriamento remoto por satélite.
O primeiro satélite de Persona (Kosmos 2441) foi lançado em uma órbita síncrona sol em julho de 2008, mas supostamente com defeito em fevereiro de 2009 devido a uma falha em componentes eletrônicos.
Rússia opera uma rede de cerca de 60-70 satélites de reconhecimento militar, com tecnologia de imagem atualizada e uma vida útil prolongada de até sete anos, de acordo com fontes abertas.
SNB

Rússia pronta para lançar quatro satélites GLONASS este ano

RIA Novosti) - Russia plans to launch for more satellites for the GLONASS navigation system by the end of this year, the Aerospace Defense Forces head said on Saturday.
“Three GLONASS satellites are scheduled to be launched on board of a Proton carrier rocket in July from the Baikonur space center and another one is planned to be launched in December from the Plesetsk space center,” Maj. Gen. Alexander Golovko said.
The most recent launch of the GLONASS satellite took place on April 26, when a Soyuz 2-1b rocket blasted off from the Plesetsk space center to orbit a GLONASS-M satellite.


 





The Global Navigation Satellite System (Glonass), which was officially launched in 1993, is Russia’s answer to the US Global Positioning System (GPS). It provides data for real-time positioning and speed of surface, sea and air objects to within an accuracy of one meter.
The Glonass program was initiated in the 1970s but underwent a radical revamp in 2001. The 24 satellites comprising the system had been put into orbit by 2010, though only after several costly malfunctions and launch failures by carrier rockets. The program has cost 140 billion rubles ($4.4 billion) to implement to date, and its budget for 2012-2020 stands at a further 326 billion rubles ($10 billion).
SNB

SES-6, Oi e o mercado de comunicações por satélite

No segmento de comunicações comerciais por satélite, a principal notícia na semana passada foi o lançamento do satélite SES-6, da operadora SES, com sede em Luxemburgo, no dia 2, missão com significado especial para o mercado brasileiro: o SES-6, construído pela europeia Astrium e baseado na tradicional e confiável plataforma Eurostar E3000, teve toda a sua capacidade em banda Ku (28 transpônderes operacionais) contratada pela empresa de comunicações Oi, tornando-se a principal cliente do satélite.

O contrato é considerado relevante, uma vez que aquisições de capacidade nesta extensão são incomuns. Indicativo da relevância do contrato, que foi inclusive objeto de reportagem no boletim especializado Space News, foi a colocação do logotipo da Oi na coifa do lançador Proton (no canto superior, acima do logotipo da SES), algo raro (usualmente, são inseridos os logotipos dos operadores do satélite e do lançador, e não de clientes).

Mercado aquecido

O lançamento do SES-6 e o contrato com a Oi são os mais recentes elementos que demonstram o aquecimento do mercado de comunicações por satélite no continente latino-americano, embora não os únicos. Especificamente sobre o Brasil, em setembro de 2012 publicamos uma nota sobre o interesse da Telespazio Brasil em deter uma posição orbital brasileira e operar um satélite de comunicações até o início de 2016, possivelmente com um parceiro local.

A companhia europeia Astrium, do grupo EADS, também está em processo de constituição de uma empresa no Rio de Janeiro (RJ) para o fornecimento de serviços de telecomunicações via satélite para o mercado brasileiro.

No início do ano, foi colocado em órbita o Amazonas 3, primeiro satélite com capacidade em banda Ka para a América Latina, operado e comercializado pela Hispamar (joint-venture da Oi com a operadora espanhola Hispasat). O Brasil, aliás, hoje responde por metade do faturamento da Hispasat, sendo o seu maior mercado. A banda Ka é ideal para disponibilização de internet em banda larga.

Para os próximos meses, é aguardada a publicação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de editais sobre novas posições orbitais brasileiras para satélites geoestacionários operando em banda Ka, processo que deve gerar grande disputa entre operadores. Em agosto de 2011, a Anatel licitou quatro direitos, arrecadando mais de R$254 milhões
SNB

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