quinta-feira, 21 de março de 2013

Gerente do VLS-1 é entrevistado pelo Blog Brazilian Space


O Gerente do VLS-1, T Cel Eng Alberto Walter da Silva Melo Júnior foi entrevistado pelo Blog Brazilian Space. O blog (http://brazilianspace.blogspot.com.br/) foi criado pelo jornalista Duda Falcão para a divulgação do Programa Espacial Brasileiro, da Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia e Cosmologia Brasileira. Veja a entrevista.

BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto Mello, para aqueles que não o conhece nos fale um pouco sobre o senhor, onde nasceu, sua idade e qual sua formação?
TEN. CEL. ENG. ALBERTO MELLO: Meu nome é Alberto Walter da Silva Mello Junior, sou natural de Jacarezinho, PR, tenho 48 anos, sou formado em engenharia aeronáutica pelo ITA, Mestre em Ciência pelo ITA, MBA pela Universidade Federal Fluminense e Ph.D. pelo Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Texas em Austin. Sou o atual gerente do Projeto VLS-1 e Chefe da Coordenadoria de Projetos Espaciais do IAE.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto, é sabido que antes do lançamento do VLS-1 VSISNAV haverá uma operação intitulada “Operação Santa Bárbara”. O senhor poderia esclarecer para o nossos leitores quais são os reias objetivos do IAE com essa operação?
T. C. E. ALBERTO MELLO: Os objetivos principais da Operação Santa Barbara são: Integração do veículo completo na plataforma; testes funcionais das redes de telemetria, controle, serviço, terminação de voo e pirotécnica, visando qualificação para voo; testes de compatibilidade eletromagnética e interferência eletromagnética (EMI/EMC) dos sistemas do veículo; testes das interfaces com os meios de solo do sistema VLS, tais como aquisição de telemetria, banco de controle, terminação de voo, linha de fogo, Torre Móvel de Integração - TMI, mesa de lançamento, torre de umbilicais e comunicação.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto, já se tem uma data prevista para a realização da operação em questão?
T. C. E. ALBERTO MELLO: Esta Operação está prevista para ocorrer no segundo semestre de 2013.
BRAZILIAN SPACE: E quanto ao lançamento do VLS-1 VSISNAV T. C. E. Alberto, o mesmo ainda será realizado em 2013, e caso não, qual seria a data mais provável para o seu lançamento?
T. C. E. ALBERTO MELLO: O cronograma físico atual do VLS-1 prevê o lançamento do VSISNAV para o primeiro semestre de 2014.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto, com o vôo bem sucedido do VLS-1 VSISNAV o sistema de navegação (SISNAV) e a parte baixa do veículo (primeiro e segundo estágios) estarão definitivamente qualificados?
T. C. E. ALBERTO MELLO: Entre os objetivos do VSISNAV estão as qualificações do SISNAV em veículos lançadores, do sistema de separação entre primeiro e segundo estágios e da estabilidade da queima dos motores S-43 sob aceleração. Esta é uma importante etapa para a certificação de tipo do veículo completo.
BRAZILIAN SPACE: E no caso do voo do VLS-1 VSISNAV não ser bem sucedido T. C. E. Alberto, qual seria então o caminho a ser seguido pelo IAE?
T. C. E. ALBERTO MELLO: Estamos trabalhando e conduzindo o projeto de forma minuciosa, visando ao cumprimento completo dessa etapa. No entanto, sucesso ou insucesso de uma missão deve ser medido pela quantidade de objetivos efetivamente alcançados e o aprendizado associado ao projeto, que permitirá a continuidade do Programa Espacial Brasileiro, com o VLS-1 ou outro lançador.
Além dos testes descritos acima, a missão do VSISNAV objetiva qualificar em voo as novas redes elétricas em malha aberta; sistemas de amortecimentos das redes pirotécnicas; sistema de terminação de missão; aquisição de dados de telemetria, com a nova infraestrutura para operações de lançamento (TMI, Casamata, Banco de Controle, Prédios de Preparação), e teste real das Estações Operacionais do Centro de Lançamento de Alcântara - CLA, Centro de Lançamento da Barreira do Inferno - CLBI e Estação Móvel de Telemetria. Cada um desses resultados deverá ser analisado para decisão do próximo passo após o voo do VSISNAV.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto, com a qualificação do SISNAV o mesmo poderá ser utilizado por outros veículos lançadores de satélites brasileiros como os futuros VLM-1 e VLS-Alfa?
T. C. E. ALBERTO MELLO: a parte baixa do VLS-1 é a mesma concebida para o VLS-Alfa. Sua qualificação indica que ela estaria pronta para ser empregada em novas gerações de lançadores, dentro da conveniência de cada projeto. O primeiro estágio do VLM-1 possui motor único, o S50, ainda em fase de desenvolvimento. No entanto, o VLM-1 utiliza os mesmos meios desenvolvidos no Projeto VLS-1 e todo o cabedal deste e outros projetos espaciais do IAE. Muitas soluções desenvolvidas para o VLS-1, testadas e aprovadas, serão utilizadas no VLM-1; incluindo-se a TMI e os meios do CLA.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E. Alberto, é sabido que o próximo voo tecnológico previsto do VLS-1 é o XVT-02. O senhor poderia nos falar sobre os objetivos dessa missão.
T. C. E. ALBERTO MELLO: O objetivo principal do XVT-02 é executar um voo tecnológico do veículo completo, com todas suas funcionalidades e com todos os estágios ativos. Serão qualificados: a nova arquitetura da rede elétrica em malha fechada, com computador de bordo nacional; sistema de separação e queima dos motores do terceiro e quarto estágios; a atuação do sistema de rolamento e estabilização e inserção em órbita de uma carga tecnológica. O SISNAV, sistema inercial autônomo desenvolvido no IAE, será a plataforma de navegação do veículo.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E Alberto, não havendo o velho problema da falta de recursos financeiros adequados e de êxito no lançamento do VLS-1 VSISNAV, em quanto tempo após esse lançamento o IAE estaria pronto para o lançamento do VLS-1 XVT-02?
T. C. E. ALBERTO MELLO: Primeiramente, cabe ressaltar que os recursos solicitados para a conclusão do Projeto VLS-1 estão em conformidade com os valores descritos na Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia e no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). No entanto, por restrições orçamentárias, os valores que efetivamente chegam ao projeto acabam sendo bem menores do que os divulgados nesses documentos. Cortes no orçamento do projeto geram atrasos e perdas irreversíveis. Alongamento dos prazos causa desmobilização, obsolescência de sistemas, perda de oportunidade e aumento de custos. Estamos atravessando um ponto de inflexão no projeto, cuja consequência, caso não haja complementação imediata de recursos, será a necessidade de realinhamento do Programa Espacial Brasileiro. As autoridades de nossa cadeia de comando estão sensíveis a essa situação. O DCTA e AEB têm se esforçado na busca de meios para a complementação de recursos necessários à conclusão desta fase de consolidação da conquista do espaço.
Voltando à pergunta, os recursos atualmente previstos para o Projeto são suficientes para a conclusão do MIR e VSISNAV. No momento, considerando-se o Plano Plurianual - PPA, não há previsão orçamentária para o desenvolvimento do XVT-02 e V04. Se os recursos financeiros fossem complementados ainda no primeiro semestre de 2013, conforme dotação prevista no PNAE, e o cronograma de desembolso fosse cumprido de forma oportuna, o XVT-02 seria lançado até o final de 2015.
BRAZILIAN SPACE: T. C. E Alberto, é sabido que após o lançamento do XVT-02 o próximo passo será o quarto voo de qualificação do VLS-1, ou seja, a missão do VLS-1 V04. O senhor poderia nos falar sobre os objetivos dessa missão.
T. C. E. ALBERTO MELLO: O V04 será o protótipo do VLS-1 com finalidade de satelitização. Todos os sistemas serão baseados na configuração final derivada do XVT-02. O objetivo macro do V04 é o de cumprir voo completo, sendo capaz de entregar, a partir de Alcântara, em órbita circular equatorial com baixa excentricidade, um satélite de 200 kg a 750 km, ou uma variação dessa especificação. É importante ressaltar que outros projetos estão sujeitos às mesmas restrições orçamentárias impostas ao VLS-1. Portanto, o voo do V04 é o mais próximo que estamos de um ciclo completo relativo ao desenvolvimento de veículos lançadores nacionais. As etapas estão bem definidas. Ainda que muito já tenha sido realizado e da consolidação de uma importante etapa que virá com o voo do VSISNAV, somente com a conclusão do Projeto VLS-1, culminando com o lançamento do V04, é que teremos cumprido integralmente os objetivos do PNAE e das Estratégias Nacionais de Defesa e CT&I.
BRAZILIAN SPACE: Existe a intenção de se lançar um satélite nessa missão do VLS-1 V04 T. C. E. Alberto?
T. C. E. ALBERTO MELLO: A carga útil dependerá da disponibilidade e oportunidade na época do lançamento. Uma das opções poderá ser o Itasat-1, atualmente sendo desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ITA. Isso dependerá do estágio de desenvolvimento deste satélite e do VLM-1.
BRAZILIAN SPACE: Para finalizar T. C. E. Alberto, com a realização bem sucedida das três próximas missões do VLS-1 entende-se que o veículo estará finalmente qualificado. Assim sendo, lhe pergunto: Com a qualificação desse veículo o mesmo seguirá sendo produzido ou o projeto será abandonado?
T. C. E. ALBERTO MELLO: A continuidade do VLS-1, com a fabricação em série, dependerá da conveniência e necessidade do nosso Programa Espacial. No entanto, acreditamos que o resultado mais importante com o sucesso do V04 será a capacidade adquirida pelo Brasil, com autonomia e desenvolvimento próprio, de projetar, fabricar, lançar, controlar, estabilizar e entregar uma carga útil em órbita terrestre. Este feito mudará o status do país perante a comunidade internacional. Isso abrirá novas portas e deixará claro do que somos capazes. Somente o desenvolvimento de lançadores nacionais elevará o Brasil no ranking de maturidade tecnológica na área espacial. Todas as fases por que passamos no Projeto VLS-1 são necessárias para o desenvolvimento do V04 e de outros lançadores. Precisamos conhecer todas as variáveis e desenvolver soluções próprias, se quisermos ter autonomia em veículos espaciais. As etapas não podem ser puladas. Problemas devem ser identificados, estudados e solucionados. É o Projeto VLS-1 que nos habilita hoje a planejar VLS-Alfa, VLM-1 e outros futuros lançadores.
Outro aspecto do Projeto VLS-1, que é um braço importante do nosso programa espacial, está relacionado com as conquistas tecnológicas já consolidadas para o Brasil, seja como aplicação direta ou spin off. Graças ao Projeto VLS-1, hoje, nós somos capazes de produzir envelopes motores e outros itens em aço de alta resistência (exportamos componentes); fabricar e processar combustíveis sólidos; projetar e desenvolver computadores de bordo e redes de comando e controle para veículos espaciais; desenvolver materiais compostos e tecnologia de bobinagem de fios e fitas sintéticas; e produzir estruturas de materiais compósitos resistentes a altas temperaturas. Além disso, desenvolvemos um sistema inercial autônomo para voos orbitais; possuímos um Centro de Lançamento invejável por sua localização e funcionalidade; temos o domínio da tecnologia e exportamos foguetes de sondagem; desenvolvemos a capacidade de realizar operações espaciais complexas. Tudo isso, fomentando a indústria nacional, desenvolvendo o BRASIL.
BRAZILIAN SPACE IAB
SNB

FAB TV - FAB em Ação - Instituto de Medicina Aeroespacial (Mar.2013)

SNB

Ciberataque a Seul aumenta tensão com Pyongyang


SEUL - O Estado de S.Paulo
A Coreia do Sul investiga a possibilidade de que a Coreia do Norte tenha sido responsável pelo ataque cibernético que derrubou ontem os servidores de três emissoras de TV e três bancos locais. A tensão entre os dois países intensificou-se com as crescentes ameaças do jovem líder norte-coreano Kim Jong-un contra o vizinho do sul e os EUA.
A ação simultânea ocorreu cinco dias após Pyongyang acusar ambos os países por um ataque cibernético que tirou do ar temporariamente websites norte-coreanos na semana passada.
As duas principais redes de TV da Coreia do Sul, KBS e MBC, mantiveram a transmissão, mas informaram que seus computadores estavam "congelados". O canal de TV à cabo YTN teve o mesmo problema. O site da KBS ficou fora do ar.
As transações via internet do Banco Shinhan, o quarto maior credor do país, foram bloqueadas. Outros dois bancos, NongHyup e Jeju, tiveram seus computadores infectados por vírus e arquivos apagados, o que levou à paralisação das operações em algumas agências.
Em nota, a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul informou que as operações foram restabelecidas após duas horas. Outro banco, Woori, informou ter sofrido um ataque de hackers, mas sem danos para suas operações.
Os militares sul-coreanos e a Comissão de Comunicações colocaram o alerta para ataques cibernéticos em um nível mais alto. Agências do governo e empresas foram aconselhadas a aumentar o monitoramento de seus sistemas contra possíveis novos ataques de hackers.
O governo sul-coreano foi cauteloso em apontar culpados e disse que ainda era cedo para responsabilizar a Coreia do Norte pelos ataques simultâneos.
Após uma investigação inicial, especialistas em Seul descobriram que um vírus havia invadido as redes das empresas, segundo Lee Seong-won, da Comissão de Comunicações. Uma vez ativado, o código malicioso (Malware, termo genérico usado para designar programas desenvolvidos para causar danos em outras máquinas) interrompeu a inicialização de computadores.
"Vai levar algum tempo para descobrirmos a identidade e a motivação dos que estavam por trás do ataque", disse Lee. As autoridades também investigam se a imagem de caveiras que apareceram em algumas telas de computador têm ligação com o ataque de vírus.
Ameaças. No dia 8, a Coreia do Norte declarou nulo o armistício que colocou fim à Guerra da Coreia, em 1953, em resposta à continuidade dos exercício militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul. No dia anterior, horas antes de o Conselho de Segurança da ONU aprovar novas sanções econômicas contra o país, o governo de Pyongyang ameaçou lançar um "ataque nuclear preventivo" contra os EUA. "Não podemos descartar a possibilidade de envolvimento da Coreia do Norte, mas não queremos tirar conclusões precipitadas", disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Kim Min-seok. / AP e REUTERS
SNB

Sonda Voyager 1 se aproxima do limite do Sistema Solar


Reuters
A sonda Voyager 1, lançada em 1977 para explorar os planetas mais distantes, entrou em uma nova região no seu caminho para fora do Sistema Solar, disseram cientistas nesta quarta-feira.
A sonda, que está agora a mais de 18 bilhões de quilômetros, detectou duas mudanças claras e relacionadas no seu ambiente em 25 de agosto de 2012, escreveram os cientistas em um trabalho a ser publicado na revista Geophysical Research Letters e que a Reuters recebeu por e-mail nesta quarta-feira.
As mudanças dizem respeito aos níveis de dois tipos de radiação: uma que permanece dentro do Sistema Solar e outra que vem do espaço interestelar.
O número de partículas dentro da bolha do Sistema Solar no espaço, uma região chamada de heliosfera, diminuiu a menos de 1 por cento dos níveis anteriormente detectados, ao passo que a radiação de fontes interestelares mais do que dobrou, segundo o astrônomo Bill Webber, professor emérito da Universidade Estadual do Novo México, em Las Cruces, e principal autor do estudo.
No entanto, os cientistas ainda não arriscam dizer que a Voyager já esteja no espaço interestelar.
A sonda, lançada do Cabo Canaveral em 5 de setembro de 1977, pode estar agora em uma região limítrofe antes desconhecida, entre a heliosfera e o espaço interestelar. Webber se refere a essa área como "helioabismo".
"Está fora da heliosfera normal", disse ele em nota. "Tudo o que estamos mensurando é diferente e interessante."
Em dezembro, cientistas disseram que a Voyager havia chegado a uma "rodovia magnética" em que as linhas do campo magnético do Sol se ligam às linhas do campo magnético do espaço interestelar.
"Acreditamos que essa seja a última perna da nossa viagem até o espaço interestelar", disse na época o cientista Edward Stone, envolvido no projeto da Voyager. "Nossa aposta é de que faltam provavelmente entre alguns meses e um par de anos."
Em nota nesta quarta-feira, Stone disse que são necessários outros indícios de que a Voyager tenha saído do Sistema Solar, pois há um consenso de que isso ainda não aconteceu.
"Uma mudança na direção do campo magnético é o último indicador crítico de chegada ao espaço interestelar, e essa mudança de direção ainda não foi observada", disse ele.
A Voyager 1 e a sonda-irmã Voyager 2 foram lançadas com 16 dias de diferença, em 1977, para passarem ao largo de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
A Voyager 2 viaja em outro caminho, também rumo aos limites do Sistema Solar, e se acredita que ainda não tenha atingido a "rodovia magnética" que leva ao espaço interestelar.
(Reportagem de Irene Klotz) 
SNB

A ameaça do drone inteligente


BILL KELLER - THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo
Se vocês acham preocupante a utilização de drones armados, imaginem então se a decisão de matar um inimigo suspeito não for tomada por um operador em uma longínqua sala de controle, mas pela própria máquina. Imaginem um avião-robô que estuda a paisagem em terra, reconhece uma atividade hostil, calcula que existe um risco mínimo de danos, e, então, sem a participação de um ser humano, aciona o gatilho.
Bem-vindos à guerra do futuro. Enquanto os americanos debatem sobre o poder do presidente de ordenar o assassinato por drones, uma poderosa dinâmica - científica, militar e comercial - nos impele para o dia em que cederemos essa mesma autoridade destrutiva ao software.
No próximo mês, várias organizações de defesa dos direitos humanos e para o controle de armamentos se reunirão em Londres para lançar uma campanha de proibição dos robôs assassinos antes que eles saiam das pranchetas dos engenheiros. Entre os que propõem a proibição estão os que conseguiram conquistar um amplo consenso no mundo civilizado contra o uso indiscriminado das minas terrestres que aleijam as pessoas. Desta vez, eles abordarão um problema mais ardiloso, o do controle de armamentos.
Os argumentos contrários ao aperfeiçoamento de armas totalmente autônomas, como elas são chamadas, são tanto morais ("elas são nefastas")e técnicos ("jamais serão tão inteligentes") quanto viscerais ("assustadoras").
"É uma coisa que as pessoas consideram instintivamente errada", afirma Stephen Goose, diretor da divisão de armas da organização Human Rights Watch, que assumiu a liderança do desafio à desumanização da guerra. "O repúdio é realmente violento."
Alguns especialistas em robótica duvidam que, algum dia, um computador consiga distinguir, sem possibilidade de erro, um inimigo de uma pessoa inocente, e muito menos se uma carga de explosivos será a resposta acertada ou proporcional. E se o alvo potencial já estiver ferido, ou tentando se render? Além disso, mesmo que a inteligência artificial atinja ou ultrapasse um grau de competência humana, ressaltam os críticos, jamais será capaz de provocar simpatia.
Noel Sharkey, um cientista da computação da Universidade Sheffield e presidente do Comitê Internacional para o Controle de Armas Robóticas, conta que uma patrulha americana no Iraque se aproximou de um grupo de rebeldes; ao apontarem seus fuzis, os soldados se deram conta de que se tratava de um funeral e os homens carregavam um caixão.
Matar pessoas que acabavam de ser atingidas pela tragédia provocaria o ódio dos locais contra os Estados Unidos, e os soldados baixaram suas armas. Será que um robô seria capaz de fazer esse tipo de julgamento? E há a questão da responsabilidade. Se um robô bombardeia uma escola, quem é o culpado: o soldado que mandou a máquina para o campo? Seu comandante? O fabricante? O inventor? Nas instâncias superiores das forças armadas existem dúvidas quanto ao uso de armas dotadas de autonomia. Em novembro do ano passado, o Departamento da Defesa emitiu uma espécie de moratória de dez anos referente ao desenvolvimento desse tipo de armamento enquanto discute as implicações éticas e as possíveis salvaguardas. Trata-se de uma orientação informal, que provavelmente seria posta de lado em um minuto se soubéssemos que a China vendeu armas autônomas ao Irã, mas de certo modo é bastante tranquilizador que os militares não estejam optando por esse recurso sem antes refletir profundamente sobre a questão.
Comparada às heroicas iniciativas para banir as minas terrestres e conter a proliferação nuclear, a campanha contra os robôs armados munidos de licença para matar enfrentam obstáculos totalmente novos.
Por exemplo, não está absolutamente claro onde se deverá traçar uma linha divisória. Embora o cenário de soldados do tipo ciborgue do Exterminador do Futuro esteja ainda a décadas de distância, se é que tudo isso não passa de uma fantasia, os exércitos do mundo inteiro já estão prevendo a adoção de máquinas com uma capacidade de destruição cujo poderio em combate vem gradativamente aumentando.
As forças armadas já deixam que as máquinas tomem decisões cruciais quando a situação evolui rápido demais para debater a intervenção humana. Os EUA dispõem há muito tempo de navios de guerra da classe Aegis que utilizam defesas antimísseis automatizadas capazes de identificar, perseguir e derrubar em segundos ameaças próximas. E o papel dos robôs está se expandindo até o ponto em que a decisão humana final de matar será em grande parte predeterminada pela inteligência produzida pela máquina.
"O problema, por acaso, é o dedo que aperta o gatilho?", pergunta Peter W. Singer, especialista em guerra do futuro da Brookings Institution. "Ou será aquela parte que me diz que 'esse cara é mau'?" Israel é o primeiro país a construir e a utilizar (e vender, para China, Índia, Coreia do Sul e outros) uma arma que pode realizar um ataque preventivo sem depender de um ser humano. O drone que paira no ar chamado Harpia é programado para reconhecer e lançar uma bomba contra qualquer sinal de radar que não conste em seu banco de dados como "amigo".
Até o momento, não foram relatados erros, mas suponhamos que um adversário instale seu radar antiaéreo no teto de um hospital? Sharkey destaca que a Harpia é uma arma que já cruzou um limiar preocupante e não é possível fazê-la recuar. Há outros sistemas semelhantes, como o X-478 da Marinha dos EUA, um avião de combate não tripulado, semi-independente, que se encontra em fase de teste. Por enquanto, não está armado, mas foi construído com dois compartimentos para bombas. Nós já estamos no futuro.
Para os comandantes militares, o apelo das armas autônomas é quase irresistível, e não se parece com nenhum outro avanço tecnológico anterior. Os robôs são mais baratos que os sistemas pilotados, ou mesmo que os drones - que exigem dezenas de técnicos fornecendo apoio ao piloto remoto. Esses sistemas não colocam em risco a vida das tropas nem as expõem a ferimentos ou a traumas mentais. Os soldados não ficam cansados nem apavorados. Uma arma que não depende de comandos de uma base pode continuar combatendo depois que o inimigo provoca interferência nas comunicações, o que é cada vez mais provável na era dos pulsos eletromagnéticos e dos ataques cibernéticos.
E nenhum estrategista militar quer ceder uma vantagem a um adversário em potencial. Atualmente, mais de 70 países dispõem de drones, e alguns trabalham intensamente nos aspectos tecnológicos para soltar esses aviões de suas amarras virtuais.
"Mesmo que haja uma proibição, como poderá ser posta em prática?", pergunta Ronald Arkin, cientista da computação e diretor do Laboratório de Robôs da Georgia Tech. "Isso não passa de software." Os exércitos - e os mercadores de guerra - não são os únicos que investem nessa tecnologia. A robótica é uma fronteira científica hiperativa que vai desde os laboratórios mais sofisticados de inteligência artificial até os programas de ciências no ensino médio.
No mundo todo, as competições organizadas de robótica atraem 250 mil jovens estudantes. (Minha filha de 10 anos é uma competidora.) E a ciência da construção de robôs matadores não está tão facilmente separada da ciência que produz carros que não precisam de motorista ou computadores que se distinguem no programa de TV de perguntas e respostas Jeopardy.
Arkin afirma que a automação também pode tornar a guerra mais humana. Os robôs talvez não sintam compaixão, mas também não têm as emoções que levam a erros terríveis, atrocidades e genocídios: desejo de vingança, pânico, animosidade tribal.
"Meus amigos que serviram no Vietnã disseram que, quando se encontravam em uma zona de fogo livre, atiravam em tudo o que se movia", ele afirmou. "Acho que podemos projetar sistemas autônomos, inteligentes, letais, capazes de fazer melhor do que isso." Arkin afirma que as armas autônomas precisam de limites, mas não mediante o corte abrupto da pesquisa. Ele defende uma moratória do uso desses recursos e uma discussão ampla sobre as maneiras de ter seres humanos como responsáveis.
Singer, da Brookings Institution, também se mostra cauteloso a respeito da proibição de armas: "Apoio a finalidade, chamar a atenção para o caminho perigoso que estamos percorrendo. Mas nós temos uma história que não me deixa absolutamente otimista".
Assim como Singer, não tenho grandes esperanças quanto à viabilidade da proibição de robôs que provocam a morte de pessoas, mas gostaria que me provassem que estou errado. Se a guerra é feita para parecer impessoal e segura, quase tão moralmente significativa quanto um videogame, temo que as armas autônomas acabem empobrecendo nossa humanidade. Tão perturbadora quanto a ideia de os robôs se tornarem mais parecidos com os seres humanos é a perspectiva de que, ao longo do processo, nos tornemos mais parecidos com os robôs. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
* É COLUNISTA
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Coreia do Norte está preparada para lançar mísseis contra bases dos EUA


A Coreia do Norte está preparada para lançar um ataque de mísseis contra bases militares norte-americanas em Guam e Okinawa, no caso de provocação, informa a Agência Central de Notícias da Coreia do Norte.

“Os EUA não devem esquecer que a sua base militar em Guam, da qual voam seus bombardeiros B-52, e o Japão, onde se baseiam seus submarinos e a base naval em Okinawa, estão localizados de alcance de nossos sistemas de armamentos de alta precisão”, disse o representante do comando da Coreia do Norte.
SNB

Decisão sobre satélite com argentinos sai até julho


O projeto Sabiá-Mar, um satélite de observação oceanográfica que representa a maior parceria entre Brasil e Argentina na área espacial, receberá um veredito nos próximos meses. Ele patina desde 2007 e precisa de uma definição até julho, segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho. Uma comissão bilateral mista prepara um relatório conclusivo sobre as soluções técnicas que poderão ser adotadas no projeto e suas necessidades orçamentárias. "Não vamos mais nos estender. Chegaremos a um ponto, ainda neste ano, em que ou o deslanchamos ou o paramos definitivamente", resumiu Coelho.
O Sabiá-Mar, com lançamento previsto para 2019 nos planos da AEB, ampliará a capacidade dos dois países de levantar informações sobre a região sul do Oceano Atlântico. Isso permitirá observar a cor das águas marinhas, monitorar a exploração petrolífera, gerenciar as zonas costeiras e contribuir com a atividade pesqueira, entre outras aplicações.
Algumas questões já estão, segundo Coelho, praticamente definidas: os recursos para tirar o projeto serão divididos igualmente entre os dois países e não haverá a necessidade de criar uma empresa nacional, como a que foi constituída por Brasil e Ucrânia, para lançar o foguete Cyclone-4. O governo brasileiro faz questão de usar no projeto a plataforma multimissão desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Coelho demonstra entusiasmo pelo satélite conjunto e diz que ele pode até atenuar disputas dentro do Mercosul. "A cooperação científica atua como facilitadora da aproximação entre os dois países. É muito mais fácil usar, como instrumento de aproximação, áreas em que não existe grande conflito de interesses."
Para ele, o projeto pode ajudar na integração das cadeias produtivas, com o fornecimento de materiais por indústrias brasileiras e argentinas. Coelho faz, no entanto, uma ressalva importante: "A gente não pode se dar ao luxo de ficar fazendo satélites sem conversar com os usuários, para ver qual é o interesse deles." Ou seja, antes de seguir adiante com o projeto, é preciso ter certeza de que haverá uso das informações produzidas. São potenciais usuários do Sabiá-Mar o próprio Inpe, agências de monitoramento ambiental e empresas privadas.
Outro projeto listado entre as prioridades do programa espacial é o satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas. Ele dará um sistema de comunicação mais seguro e independente ao governo, na área militar, e acesso das populações residentes em áreas remotas à internet de banda larga. O lançamento está previsto para 2014, mas se trata de "um desafio muito grande", diz Coelho.
As empresas interessadas em atuar como fornecedoras de equipamentos do satélite têm até meados de abril para entregar suas propostas à Visiona, uma joint venture entre a Embraer e a Telebras, que foi contratada pela AEB para fazer o gerenciamento dos futuros contratos.
O projeto já tem investimento aprovado de R$ 720 milhões. De acordo com Coelho, há cláusulas que exigem a "criação de oportunidades de absorção de tecnologia" às instituições brasileiras. Isso significa que a empresa que oferecer mais oportunidades ganhará pontos na seleção das propostas. "É o que denominamos absorção de conhecimento, o que acontece quando equipes brasileiras vão trabalhar junto com as estrangeiras, sem necessariamente tratar-se de cláusula de transferência de tecnologia. A transferência exige um processo mais complicado, exige que a empresa candidata a receber essa tecnologia esteja preparada para isso e possa usá-la assim que ela estiver disponível. Estamos preparando as nossas empresas para que possam se valer desse conhecimento em negócios futuros.
SNB

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