quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Por que o Mali interessa


O Estado de S.Paulo
Os ataques aéreos da França que começaram na sexta-feira impediram, pelo menos no momento, uma rede de terroristas, criminosos e extremistas de assumir o controle do Mali. Até os franceses intervirem, o quase colapso do Exército do Mali ameaçava transformar este país, que não tem saída para o mar e é desesperadamente pobre, numa fortaleza jihadista no deserto.
Os EUA, que gastaram mais de US$ 500 milhões nos últimos quatro anos para manter os militantes islamistas encurralados na África Ocidental, estão muito ocupados no Afeganistão, Paquistão, Egito e Líbia, entre outros lugares, mas não é do interesse nacional apoiar a França. Os países da África do Norte, em particular a Argélia, precisam também ajudar a salvar o Mali da catástrofe.
Este conflito não é similar a outras guerras africanas cujas consequências para o Ocidente eram apenas marginais. Os islamistas no Mali têm ligação com o grupo militante Boko Haram, da Nigéria, que explodiu os escritórios das Nações Unidas em Abuja, em 2011, e com o Ansar al-Shara, que seria o responsável pelos assassinatos em setembro passado do embaixador Christopher Stevens e mais três americanos em Benghazi, Líbia.
Os ataques da aviação francesa impediram os islamistas - incluindo a Al-Qaeda no Magreb Islâmico - subproduto do Movimento para a Unidade e Jihad na África Ocidental -, e o Ansar Dine, grupo de rebeldes tuaregues do norte - de tomar o aeroporto, o porto ribeirinho e marchar para Bamako, a capital. Mas os militantes estão se reorganizando e rearmando em sua fortaleza no deserto ao norte do país.
Os Estados Unidos não precisam enviar soldados para a região. Mas devem fornecer inteligência, equipamentos, treinamento e financiamento para uma força de intervenção africana ocidental cuja criação foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em dezembro (sem financiamento). Os franceses não conseguirão sair rapidamente do Mali. Mesmo que aquela força seja reunida a França terá de orientar e coordenar as tropas de suas ex-colônias, como a Mauritânia, Níger e Chade.
A cooperação internacional tem sido eficaz contra o grupo Al-Shabab, afiliado da Al-Qaeda na Somália, e pode ter sucesso em Mali. Na Somália, as tropas americanas e empresas de segurança terceirizadas treinaram e equiparam os soldados da União Africana, incluindo os de Uganda e Burundi. Com um novo Exército somali, eles expulsaram no ano passado os terroristas de Mogadíscio e de grande parte do sul da Somália.
A chave para resgatar o Mali não está na África Ocidental, mas no Norte da África. Uma proposta feita, que seria a Nigéria liderar uma coalizão de forças da África Ocidental no Mali, tem poucas chances de sucesso. A Nigéria não tem a capacidade para combater uma guerra de guerrilha ou uma guerra urbana. Ela tem soldados cristãos de língua inglesa que podem exacerbar as tensões religiosas e étnicas no país e as tentativas violentas para refrear os terroristas do Boko Aram até agora fracassaram.
A Argélia é o único país no continente com capacidade militar, oficiais experimentados, experiência no campo do contraterrorismo e proximidade geográfica para assumir o lugar da França nesta luta para trazer a paz ao Mali. Os líderes militares argelinos conhecem as táticas dos extremistas e os seus líderes, derrotados numa guerra civil que durou de 1991 a 2002. Eles depois concentraram as operações terroristas no norte do Mali. A Argélia tem a responsabilidade moral de agir, mas se continuar inativa, então o Marrocos ou outro país norte-africano deve assumir a liderança, com o apoio de Níger, da Mauritânia, Mali e Chade que, como a Argélia, vem combatendo a Al-Qaeda no Magreb islâmico nos últimos oito anos.
A Argélia também é fundamental para acabar com a rebelião dos nômades tuaregues que, cultural, étnica e linguisticamente são norte-africanos e opõem resistência aos grupos étnicos subsaarianos que governam o Mali. Sua rebelião começou em 2011, quando combatentes tuaregues que lutaram na Líbia ao lado do coronel Muamar Kadafi retornaram ao seu país. Eles se juntaram aos militantes islamistas que foram da Argélia para o norte do Mali, mas depois os islamistas voltaram-se contra os tuaregues e consolidaram o poder.
A Argélia negociou a paz durante as rebeliões ao norte do Mali e pode fazer isso novamente. A chave para a paz no Mali é, primeiro, derrotar os insurgentes. Depois, Bamako deve negociar a autonomia para os nômades do norte que, juntamente com as forças de manutenção da paz africanas, ficarão responsáveis por sua defesa. O acordo poderia prever algo similar à Somalilândia, região ao norte da Somália, que realiza eleições democráticas, mantém a paz e se tornou praticamente um Estado soberano.
O Exército do Mali jamais controlou eficazmente a região norte do Rio Níger. Seus soldados temem os nômades guerreiros. Um chefe tribal disse-me uma vez: "Se você deseja controlar o Saara, terá de trabalhar conosco. Somos os senhores do deserto há milhares de anos e continuaremos a mandar aqui".
Anos de treinamento pelas forças especiais americanas não impediram que militares do Mali fugissem quando a insurgência islâmica começou em janeiro do ano passado. Na verdade, o Exército exacerbou o caos ao derrubar o governo democraticamente eleito do país.
Reconstituir um governo alquebrado e um Exército desacreditado de Mali levará anos, mas assegurar que o país não se torne rampa de lançamento para o terrorismo é a grande prioridade. A França começou a exercer a liderança; os Estados Unidos não podem titubear em fazer a sua parte. " / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
SEGURANÇA NACIONAL BLOG

O sistema de mísseis terra-ar M-113 Chaparral serve no Exército português


Foram levados a cabo pelo Exército, ontem quinta-feira 8 de novembro de 2012, treinos de rotina com bateria de mísseis antiaéreos Chaparral na região de Leiria.
O treino consiste no lançamento de alvos, que emitindo uma fonte de calor, serão depois seguidos pelo míssil com sistema de busca por infra-vermelhos.
O sistema de mísseis terra-ar M-113 Chaparral serve no Exército português desde 1990, tendo como missão a defesa das suas unidades mecanizadas contra ameaças aéreas especializadas, quer sejam helicópteros, quer aviões de ataque ar-superfície.
O míssil MIM-72 é baseado no AIM-9 Sidewinder  em uso pelos F-16 da Força Aérea.

O disparo do míssil da bateria M-113
O MIM-72 Chaparral voa na direção do alvo
3...2...1....
Impacto!
O rebentamento deu-se por proximidade à fonte de calor do alvo
E a queda do alvo inutilizado
idem
O mergulho do alvo abatido nas águas do Atlântico

OrbiSat monitora usina via radar


Virgínia Silveira

A tecnologia de radar aerotransportado está sendo usada, pela primeira vez, no Brasil para fazer o monitoramento ambiental de uma hidrelétrica. A OrbiSat, empresa controlada pela Embraer Defesa e Segurança, foi contratada pela Santo Antônio Energia para vistoriar uma área de 2,8 mil quilômetros quadrados em torno da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, que está sendo construída no rio Madeira, a 7 quilômetros de Porto Velho (RO).
O contrato com a Santo Antônio prevê a produção de 144 mapas a um custo de R$ 1,2 milhão, disse o presidente da OrbiSat, Maurício Aveiro. A empresa disputou o contrato em uma concorrência internacional, da qual participaram fornecedores de tecnologias baseadas em satélites, aerofotogrametria, foto digital e laser.
A OrbiSat já realizou três voos. Cada qual gerou uma média de 12 mapas da região coberta pelo radar Saber M-60, desenvolvido com 100% de tecnologia nacional.
Instalado em um avião, o radar faz o mapeamento da área e capta informações sobre relevo, profundidade de rios e características da cobertura vegetal. Com esse monitoramento é possível comparar imagens e verificar se houve invasões, desmatamento ou construções clandestinas, além de gerar fotos e dados que poderão instrumentar eventuais ações na Justiça contra a empresa responsável pelo crime ambiental, disse Aveiro.
O radar opera sem limitação meteorológica, o que possibilita a captura de imagens mesmo se houver nuvens entre o avião e a região observada. Sob essas condições, segundo Aveiro, a base cartográfica gerada é mais fidedigna que outras criadas por meio de satélite e laser, por exemplo. Até a vegetação sobre a água, formada por algas e plantas aquáticas que podem se deslocar e entupir as turbinas da hidrelétrica, aparece nas imagens.
A tecnologia por radar foi utilizada recentemente pelo Exército para fazer o mapeamento de uma área de 1,2 milhão de metros quadrados na Amazônia, disse Aveiro.
A construção da usina, cuja operação plena está prevista para o fim de 2015, exigirá um investimento superior a R$ 16 bilhões. Atualmente, 9 das 44 turbinas previstas já estão em funcionamento, com capacidade para atender a uma demanda de 3 milhões de residências nos Estados de Rondônia e Acre, de acordo com o coordenador do programa de gestão sócio-patrimonial da Santo Antônio Energia, Ricardo Marques. Após a ativação de todas as turbinas será possível suprir o consumo de energia de 40 milhões de pessoas no país.
"No primeiro sobrevoo feito em setembro do ano passado, a OrbiSat conseguiu um resultado bem melhor que o esperado em termos da qualidade das imagens geradas e da quantidade de informações coletadas", afirmou Marques.
Segundo o executivo, o radar elimina dúvidas, pois permite identificar o abate individual de árvores ainda numa fase inicial. "Antes, só conseguíamos detectar o problema quando o caminhão já estava carregado com as madeiras", afirmou.
A Usina Santo Antônio fazia apenas a fiscalização do terreno por meio de levantamento de campo, antes de usar o radar. Entretanto, Marques disse que a nova tecnologia "foi a alternativa mais precisa e a que trouxe a melhor resposta e resolução para o controle da área do reservatório".
O monitoramento da área em torno do reservatório - um perímetro de 2,2 mil quilômetros e um espelho d"água de 54 mil quilômetros - é considerado importante devido à existência de uma forte pressão urbana e rural na região, que abriga um assentamento de 800 famílias em condições precárias, segundo o executivo.
No histórico de operação das barragens, disse Marques, a questão ambiental e patrimonial está repleta de problemas relacionados à ocupação irregular, invasões e uso indevido de áreas. "A partir de 2006, o governo passou a exigir uma gestão mais rigorosa dos projetos", afirmou ele.
VALOR ECONOMICO..SEGURANÇA NACIONAL BLOG

Brasil: conflito na Guiné-Bissau é um dos maiores desafios do Atlântico-sul


O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, admitiu hoje (terça-feira), durante o encontro ministerial de países do atlântico-sul, que a situação na Guiné-Bissau figura entre os maiores desafios da região.

"A crise vivida hoje por esse país do atlântico sul é exemplo de uma situação com implicações sérias sobre o espaço do Atlântico Sul e à qual não podemos ficar indiferentes", afirmou o ministro brasileiro durante um discurso na reunião ministerial da Zopacas (Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul), em Montevideu, no Uruguai.
Patriota citou o conflito como "muito próximo do Brasil", devido função dos laços culturais e históricos que unem os dois países, e ressaltou que o Governo brasileiro tem procurado fazer o possível para a "superação" da situação gerada com o golpe de Estado de Abril do ano passado.
O ministro brasileiro admitiu, no entanto, que os esforços realizados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em conjunto com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), não têm obtido resultados satisfatórios.
"Temos de reconhecer que, até ao momento, a coordenação entre os actores internacionais não tem conseguido construir caminho satisfatório e consensual para o encaminhamento da questão, e que isso prejudica a própria Guiné-Bissau", reforçou.
O ministro apelou para que todos os países envolvidos na questão "tomem por parâmetro" as decisões do Conselho de Segurança e defendeu a actuação dos membros da CPLP na busca de uma "convergência" para a normalização da situação e volta da estabilidade.
"Espero que, num futuro não tão distante, a Guiné-Bissau possa somar-se aos trabalhos da nossa Zona de Paz e Cooperação", concluiu Patriota, que também citou como desafios o maior desenvolvimento económico e social da região.
A Zona de Paz e Cooperação no Atlântico Sul (Zopacas) foi criada por iniciativa brasileira em 1986, e integra, ao todo, 24 países, incluindo a maior parte dos africanos lusófonos, entre eles Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
A reunião a nível ministerial, que decorre entre hoje e quarta-feira, pretende traçar um plano de acção conjunto visando o fortalecimento das relações e do intercâmbio comercial entre os membros, bem como acções voltadas para o desenvolvimento, segurança e manutenção da paz na área.
O Atlântico Sul representa a principal rota marítima do comércio do Brasil, por onde passam 95 por cento das exportações e importações brasileiras.
VOZ DA RUSSIA SEGURANÇA NACIONAL BLOG

Mali: as forças terrestres francesas em combate directo "nas próximas horas"


Forças terrestres francesas envolvidas em Mali "já estão até o norte " do país, anunciou quarta-feira, janeiro 16 da manhã, o ministro da Defesa , Jean-Yves Le Drian em RTL. O Chefe de Gabinete do braço ed, o almirante Edouard Guillaud,afirmou à rádio Europe 1 que as tropas seriam em combate direto "nas próximas horas".

Até agora, os soldados franceses foram mobilizados, principalmente na capital, Bamako. Trinta franceses veículos blindados foram vistos na tarde de terça-feira, quando estavam saindo do aeroporto de Bamako, onde foram baseadas, viajando norte.

De acordo com várias testemunhas, centenas de soldados do Mali e francêsestavam viajando tarde de terça-feira a Diabali, uma cidade no oeste do Mali, tomada ontem por islâmicos armados e bombardeada durante a noite pela Força Aérea Francesa .
O almirante Edouard Guillaud observou que as forças francesas estavam enfrentando "um conflito de guerrilha" , no qual eles estão acostumados. Ele afirma que a Força Aérea Francesa destruiu os últimos seis dias, "alvos fixos ou seja, campos de treinamento, depósitos de logística, centros de comando, por exemplo, como Douentza ou Gao ".

Segundo o Sr. Le Drian, a cidade de Gao tem sido alvo, a fim de enfraquecer os jihadistas concentradas no oeste do país, a área mais "difícil" de acordo com o ministro, onde o exército vai enfrentar "mais do que uma mil - 1200, 1300 - de terroristas, talvez com reforços amanhã (...) ".
Mas há meses que ocupam o norte e esperar uma intervenção militar estrangeira, os caças da coalizão se reuniram em torno de Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI ) tiveram tempo para se preparar para uma guerra de movimento e esquivar, para enterrar depósitos de combustível na área vasto deserto onde eles se espalharam, atualmente, constituem estocar fora das grandes cidades.

O almirante Guillaud quarta-feira também confirmou que os jihadistas "tinha recuperado blindado com forças do Mali, que destruiu parte ontem à noite" .
França enviou 800 soldados desde o início da intervenção militar, sexta-feira, 11 de janeiro e este dispositivo deve ser progressivamente aumentada para 502.000 homens.
Em Paris , o presidente da UMP , Jean-François Cope, expressou na quarta-feira de manhã, um "forte preocupação" por causa da "solidão da França" no Mali, reafirmando o seu apoio à intervenção do governo. 
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