segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

BRAHMOS MISSILE - INDIA & RUSSIA

Franceses criticam posição de Dilma em relação a caças


ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS - O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff confirmou na viagem à França, semana passada, o adiamento por tempo indeterminado da decisão sobre a compra de 36 aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB). Tampouco deu pista sobre um eventual favorito no projeto FX-2. Mas Serge Dassault, presidente de honra da Dassault Aviation, fabricante dos caças franceses Rafale, reconhece: os americanos F-18 Super Hornet, da Boeing, são hoje os favoritos de Brasília.
Os indicativos foram dados pelo industrial no jantar de gala oferecido na terça-feira pelo presidente da França, François Hollande, a Dilma. Dassault, de 87 anos, reconhece as dificuldades que sua empresa enfrenta para convencer o atual governo brasileiro a investir nos Rafale, e não em um de seus concorrentes: o Super Hornet, da Boeing, e o Gripen NG, da sueca Saab.
Além de reconhecer o poder de convencimento dos rivais - "os americanos estão fazendo uma força terrível" - e dos problemas de câmbio - "os Rafale custam mais caro por causa da relação entre o euro e o dólar" -, Dassault reconhece que a relação entre a companhia e os governos francês e brasileiro esfriou desde a posse de Dilma Rousseff. "Ela é mais preocupada com os problemas financeiros, o que é normal", disse. Segundo ele, "a relação com Lula era mais simpática, mais aberta". "Infelizmente ele não tomou a decisão no melhor momento."
Nos últimos meses, três fontes diferentes da diplomacia francesa reconheceram ao Estado que as críticas feitas pelo governo de Nicolas Sarkozy às negociações realizadas por Brasil e Turquia sobre o programa nuclear do Irã, em 2010, geraram grande insatisfação em Lula, que teria decidido congelar a compra dos Rafale.
O desafio do Ministério da Defesa francês desde então é encontrar um novo tom para as negociações. O ministro Jean-Yves Le Drian evita até elencar a concorrência dos caças brasileiros entre as prioridades da diplomacia de Paris. "Não creio que o Rafale tenha sido um assunto", disse ele, sobre os encontros entre Dilma e Hollande. Indagado sobre por que o tema saiu da mesa de negociações, respondeu: "Porque a meu ver as escolhas estratégicas do Brasil em termos de defesa se voltaram mais para o mar".
O ministro brasileiro da Defesa, Celso Amorim, monstrou a mesma despreocupação sobre o assunto. "Não há nenhuma novidade", disse. Amorim disse estar satisfeito com a nova postura francesa. "Há muito respeito da parte deles sobre o momento de o Brasil tomar uma decisão."
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Compra dos jatos é necessária, diz Celso Amorim


O ministro da Defesa, Celso Amorim, apontou a aquisição dos 36 jatos de combate e de sistemas de defesa antiaéreo entre as maiores necessidades atuais das Forças Armadas, mantendo o foco nesses negócios bilionários.

Na semana passada, em Paris, a presidente Dilma Rousseff avisou que a renovação da frota de jatos de combate do país levará mais algum tempo, pelo menos enquanto não passar a crise economica global, o que foi entendido como uma sinalização de que a escolha do aparelho ficará para depois de 2013.

Mas as Forças Armadas não só reiteram a prioridade dos caças como Dilma ouviu de autoridades russas o interesse para incluir o Sukhoi, o jato russo, na lista dos concorrentes ao lado do Rafale francês, os F-18/Super Hornet americanos e os Grippen suecos.

"Temos as riqueza da biodiversidade, de água doce, o pré-sal", afirmou Amorim ao defender o reaparelhamento das Forças Armadas. "O Brasil continua crescendo, chegando à quinta economia do mundo. E defesa não é delegada, cada um cuida do seu".

No caso de sistemas antiaéreos de curto e médio alcance, um projeto de US$ 1 bilhão, no momento o Brasil está conversando somente com os russos. Uma missão militar brasileira vai em janeiro a Moscou para começar a discutir com os russos a eventual compra dos equipamentos, incluindo transferência de tecnologia. Na primeira etapa, o negócio pode representar US$ 200 milhoes. Avibras, Embraer e Odebrecht Defesa estarão envolvidas na missão.

Amorim informou que o Brasil abriu um pedido de informações para compra de porta-aviões, o que só deverá ocorrer por volta de 2025, em outro negócio também bilionário e que interessa particularmente aos franceses. Em Moscou, o governo Putin mencionou interesse pelo novo cargueiro militar KC-390.

Mas o que saiu da visita da presidente Dilma de concreto foi mesmo a compra, pela empresa brasileira Atlas Taxi Aéreo de 14 helicópteros da Russian Helicopteros. Trata-se de um novo modelo que vai ser certificado simultaneamente no Brasil e na Rússia. O contrato de compra é de US$ 200 milhões. O primeiro aparelho será recebido em 2015. Trata-se de um helicóptero offhore, para 15 pessoas. (AM)
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