sexta-feira, 8 de junho de 2012

Porta-aviões indiano à espera de 120 dias de testes


No dia 8 de junho, o porta-aviões da Marinha indianaVakramâditya sairá para provas de mar. O porta-aviões, que antes pertencia à Marinha russa e tinha o nome de Admiral Gorshkov, foi vendido à Índia em 2004 e, desde 2008, encontrava-se em fase de modernização nos estaleiros russos Sevmash. No dia 4 de dezembro, o navio será entregue a Nova Deli.

Durante as provas de mar serão testados todos os mecanismos e verificadas as características de navegabilidade do navio, disse numa entrevista à Voz da Rússia o perito militar Andrei Frolov:
“Em primeiro lugar vai ser testada a resposta ao leme, os sistemas de energia, raio de ação, parâmetros de velocidade, manobrabilidade e outros. Em princípio, já aconteceu que durante as provas se verificou que algum mecanismo não estava a funcionar devidamente, mas no caso do Vakramâditya (Omnipotente), os peritos estão otimistas e a probabilidade de haver falha de algum dos sistemas é reduzida”.
No entanto, para a tripulação e para os construtores as provas previstas são de uma enorme responsabilidade, sublinha Andrei Frolov:
“Uma grande parte do equipamento instalado no navio é nova, não tem equivalentes. Além disso, já há muito tempo que na Rússia não se testavam navios tão grandes e há muitas tarefas complexas tanto para a tripulação que vai proceder à entrega, como para o estaleiro. Durante as provas de mar, o navio terá a bordo especialistas em construção naval de ambos os países, assim como uma tripulação russo-indiana.”
Depois de duas semanas de testes de mar, que serão realizados no mar de Barents, o Omnipotente irá iniciar os testes dos sistemas aéreos. Segundo o contrato, o navio terá a bordo caças MiG-29K e helicópteros Kamov Ka-27 e Ka-31.
O contrato de compra do navio foi assinado entre os dois países em 2004. Em 2008, iniciou-se a sua modernização nos estaleiros russos da Sevmash. O valor do contrato foi de mais de 2 bilhões de dólares. A Rússia não só participou nos trabalhos de reparação, como procedeu à formação da tripulação e dos especialistas indianos. Igualmente de acordo com o contrato, Moscou ajuda Nova Deli com a preparação da infraestrutura de apoio ao navio na base naval de Mumbai.
A Índia é um dos principais e mais antigos parceiros da Rússia na compra de material de guerra e armamento. Nova Deli compra a Moscou blindados, caças e helicópteros num valor médio anual de um bilhão de dólares. Pela parte naval, além do porta-aviões, já tinham sido assinados contratos para a compra de fragatas Talwar e do submarino Nerpa .
Voz Da Russia Segurança Nacional Blog 

Primeiro satélite militar indiano: moda ou necessidade?


A Índia prepara-se para lançar o seu primeiro satélite militar. O aparelho geoestacionário fará a vigilância da superfície terrestre e garantirá as comunicações da Marinha indiana. A Índia será assim a quarta potência a ter uma Marinha de Guerra com apoio de uma rede de satélites.

Subida de nível
A Marinha da Índia sempre foi uma das mais poderosas na zona da Ásia e do Pacífico. Para estar completamente a par das exigências atuais só lhes faltava a componente espacial. Hoje, o primeiro elemento dessa componente está pronto a ser lançado, o que deve ocorrer durante um mês.
As funções do novo satélite são a vigilância da superfície da Terra e a manutenção de comunicações ininterruptas via satélite para a Marinha indiana. O satélite irá aumentar bruscamente as capacidades da Marinha indiana, possibilitando-lhe uma troca de grandes volumes de informação em tempo real.
Teoricamente, o lançamento de um satélite militar poderá ser um passo na criação de uma rede de informação completa, permitindo coordenar toda a atividade da frota a partir de um único centro de comando. Para criar um sistema de reconhecimento e informação completo também é necessária a presença de satélites de órbita terrestre baixa (LEO), aviões de patrulha e aparelhos não-tripulados que garantam uma cobertura da região necessária. O avião de reconhecimento naval da Marinha da Índia será, provavelmente, o P-8Iamericano. A Índia tenciona também aumentar a aquisição de drones israelenses Heron e Searcher Mark II.
Neste momento, apenas os EUA e a OTAN possuem um conjunto completo das capacidades respetivas. A Rússia, o Japão e, em certa medida, a China também detêm um potencial que permite criar um sistema desses num prazo razoável. O lançamento do satélite indiano significa o alargamento desse clube restrito, se bem que a introdução dessas capacidades na prática quotidiana da força naval indiana ainda irá demorar bastante tempo.
E lançar com o quê?
A colocação de um satélite em órbita geoestacionária é uma tarefa de grande responsabilidade e hoje a Índia ainda não tem um foguete portador fiável. Teoricamente, a colocação pode ser efetuada com o foguete GSLV, mas a estatística dos seus lançamentos (cinco falhas em sete) obriga a duvidar de que os militares indianos confiem o seu primeiro aparelho a um portador que ainda não está comprovado.
Ainda não há comunicações oficiais sobre onde e com que foguete será o satelite colocado em órbita, mas não há assim tantas escolhas e o mais provável parece ser a escolha russa. Uma órbita geoestacionária, na qual o satélite se encontra posicionado rigorosamente sobre o equador, dá à Índia vantagens suplementares: neste caso as condições de vigilância do Oceano Índico, que interessa aos militares indianos em primeiro lugar, são praticamente as ideais.
O ambiente geral
A preparação para o lançamento não decorre num vazio: a região da Ásia e Pacífico é palco de uma competição cada vez mais aguda entre as grandes potências. Além do crescimento das capacidades militares da China e dos progressos indianos, tem de se contar com o aumento do potencial japonês e com a concentração de forças americanas na região. Até 2020, na RAP estarão concentrados até 60% dos navios de guerra da Marinha dos EUA, incluindo seis esquadras polivalentes com porta-aviões.
O processo de mudança de prioridades dos EUA para a RAP não vem de ontem e é confirmado por alterações organizativas, incluindo o desmantelamento da Segunda Frota da US Navy que, historicamente, cobria o TO do Atlântico. A redução da frota no Atlântico tornou esse comando desnecessário.
A intenção de transferir para a RAP uma grande parte da Marinha dos EUA foi por duas vezes confirmada pelo secretário de Estado da Defesa dos EUA Leon Panetta. Essa opção também obteve prioridade no seu reequipamento com os meios mais modernos. O Oceano Pacífico concentra até metade dos caças F-22, as bases nessa área serão as primeiras a receber os F-35 e será para a Frota do Pacífico que irá o novo porta-aviões USS Gerald R. Ford.
A estratégia dos EUA é evidente: eles aumentam a sua força em resposta ao crescimento das capacidades do seu adversário geopolítico principal que é, obviamente, a China. Dentro dessa estratégia, os EUA tentam apoiar-se nos adversários naturais da China. Depois do Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Austrália e Nova Zelândia, os EUA tentam captar para a sua estratégia tanto a não-alinhada Índia, como o seu inimigo de anteontem – o Vietnã.
Durante a sua visita à Índia, Panetta declarou que a Índia e os EUA devem realizar manobras militares conjuntas de forma mais regular. Os observadores notaram que essa ideia foi verbalizada em Nova Deli no mesmo dia em que o presidente da Rússia Vladimir Putin, que se encontrava de visita à China, se pronunciou pelo desenvolvimento da cooperação militar com a RPC.
Há que notar que os EUA têm hipóteses de criar uma coligação anti-chinesa, já que Pequim não é particularmente bem visto na região. Mas esse caminho tem dois obstáculos potenciais, já que Tóquio historicamente também não é popular entre os seus vizinhos e a inclusão da Índia exigirá cedências importantes a favor desse país e os seus interesses terão de ser tidos em conta. A Índia é um ator demasiado importante para desempenhar um papel secundário e o lançamento planeado de um primeiro satélite militar é apenas a confirmação das suas ambições e capacidades.
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