terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nave russa volta com sucesso à Terra após cinco meses no espaço


MOSCOU - A nave russa Soyuz TMA-02M, com três tripulantes a bordo, aterrissou nesta terça-feira, 22, com sucesso nas estepes do Cazaquistão após cinco meses e meio de missão, informou o Centro do Controle de Voos (CCVE) da Rússia, citado pela agência de notícias Interfax.
A cápsula pousou à 0h25 (horário de Brasília) e trouxe de volta da Estação Espacial Internacional (ISS) o cosmonauta russo Sergey Volkov, o astronauta americano Michael Fossum e o japonês Satoshi Furukawa.
Inicialmente, o programa de voo previa uma permanência de 161 dias no espaço, até 16 de novembro, mas o acidente da nave de carga Progress M-12M em agosto forçou o adiamento de seis dias do retorno à Terra.
O pouso da cápsula foi acompanhado do ar por três aviões e oito helicópteros. "A tripulação suportou bem a descida e a aterrissagem. Os tripulantes estão de bom humor", disse um membro das equipes de resgate locais ao CCVE.
O canal de televisão russo Rossiya 24 divulgou ao vivo imagens dos tripulantes sorridentes minutos depois da aterrissagem.
A viagem de volta da Soyuz TMA-02M, desde o momento em que se desgarrou da ISS até quando pousou nas estepes cazaques, teve duração de pouco menos de três horas e meia.
Os astronautas a bordo da Soyuz viveram momentos de tensão quando estavam na ISS. Em 26 de junho, junto com os outros três tripulantes da estação, tiveram de se esconder na nave acoplada à plataforma devido à ameaça de colisão com lixo espacial.
Na ISS, resta agora uma missão integrada por três tripulantes: os cosmonautas russos Anton Shkaplerov e Anatoli Ivanishin e o astronauta americano Daniel Burbank, que chegaram à plataforma no último dia 16.

Defesa da Amazônia: Prioridade de segurança nacional


O Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) já faz parte da estrutura do Ministério da Defesa — um forte indício de que o Brasil considera a defesa de sua vasta região florestal uma questão de segurança nacional.
Em outubro, o ministro da Defesa, Celso Amorim, visitou o centro operacional do SIPAM em Brasília para familiarizar-se em primeira mão com os vários projetos do parque tecnológico. Ari Matos, chefe da organização e coordenação institucional, e seu assessor especial, José Genoino, acompanharam Amorim em sua turnê.
O SIPAM trabalha em conjunto com estados e municípios que participam de políticas na região, conhecida como Amazônia Legal. Seus parceiros também incluem as Forças Armadas e a Polícia Federal, segundo Rogério Guedes, diretor geral do SIPAM.
A Amazônia Legal, uma divisão administrativa estabelecida pelo governo brasileiro para melhor promover o desenvolvimento da região, cobre os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, assim como o estado do Maranhão, a oeste do paralelo 44.
Essa vasta região, embora escassamente povoada, é lar de cerca de 21 milhões de habitantes. Sua densidade populacional é de apenas 3,67 habitantes por quilômetro quadrado, mas apresenta o mais rápido crescimento populacional do Brasil.
O SIPAM faz parte de vários fóruns políticos, como o Conselho Brasileiro de Inteligência, a Comissão Nacional de Cartografia e o Comitê Gestor Nacional da Operação Arco Verde, ainda segundo Guedes.
O objetivo da Arco Verde — liderada pelo Comando Militar do Oeste e com sede na cidade de Sinop — é combater o desmatamento e outras atividades ambientais ilegais no norte de Mato Grosso.
Lançada pelo governo federal, envolve os Ministérios da Defesa, da Justiça e do Meio Ambiente, que relatou que o desmatamento no estado caiu 74% entre 2004 e 2010.
SIPAM em ação
Entre as especialidades do SIPAM estão detecção de desmatamento e radiação, e meteorologia. Com suporte logístico local, também aplica técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto para poder definir os efeitos da atividade humana, assim como medidas mitigadoras colocadas em prática.
O SIPAM modernizou significativamente o parque tecnológico. Entre outras coisas, comprou uma câmera de alta resolução, a ADS80, que gera imagens digitais contínuas durante o voo.
Esse tipo de câmera produz imagens com uma resolução de até 5 cm de terreno, com uma qualidade mais alta do que imagens de satélite geradas pelos sensores orbitais comerciais atualmente no mercado.
Guedes disse ainda que a ADS80 atenderá às missões aéreas de sensoriamento remoto dos órgãos parceiros.
O SIPAM também fez parceria com o Ministério do Meio Ambiente no projeto Bolsa Verde, que oferece incentivos financeiros para pequenos fazendeiros e produtores rurais que tomarem medidas para preservar o meio ambiente.
“Nós faremos o monitoramento remoto, com radares ou satélites, para garantir que as famílias beneficiadas pelo programa estejam respeitando o compromisso e não estejam contribuindo com o desmatamento”, explicou Guedes durante a visita de Amorim.
A técnica é usada pelo Programa Terra Legal e o SIPAM vem monitorando áreas auxiliadas por este programa, no qual proprietários possuem metas específicas para a preservação de áreas verdes.
Em uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social em apoio ao programa Brasil Sem Miséria, o SIPAM instalará 166 antenas para comunicação via satélite que levarão serviços de Internet para municípios remotos da Amazônia nos estados do Acre, Pará, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Roraima e Amazonas.
Com este equipamento, as autoridades municipais registrarão famílias pobres no Cadastro do Governo Federal para Programas Sociais. “É a infraestrutura tecnológica do SIPAM contribuindo para ampliar o acesso a programas do governo na região”, conta Guedes.
O SIPAM está trabalhando com o Exército, a Marinha e o Serviço Geológico do Brasil no esforço para desenvolver a cartografia da região. É um projeto de R$ 350 milhões para desenvolver mapas topográficos, náuticos e geológicos do chamado “vazio cartográfico” da Amazônia.
SIPAM se aventura na telemedicina
Proteger a Amazônia não é apenas salvar as árvores, mas também inclui cuidar das pessoas e conectá-las ao mundo. É por isso que o SIPAM está entrando na telemedicina com o anúncio em outubro de um acordo cooperativo com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM) e a Secretaria de Estado de Saúde (SUSAM).
Telemedicina é o uso de comunicações eletrônicas para a troca de informações médicas para melhorar o cuidado, o diagnóstico e o tratamento do paciente. Em locais remotos do Brasil, cuidados especializados, segundas opiniões e cuidados estendidos são quase um luxo.
Entre outras coisas, o SIPAM instalará antenas de satélite para uso de teleconsultas nos municípios de Coari, Humaitá, Itacoatiara e Benjamin Constant.
“Esta parceria com o SIPAM, além de permitir teleconsultas, nos ajudará com educação à distância”, comemora Pedro Elias de Souza, diretor-geral do Hospital Francisca Mendes. “Nós já temos 12 tópicos de estudo, junto com aulas de cardiologia que serão possíveis de realizar.”
O Amazonas é o primeiro estado brasileiro a integrar todos os seus municípios ao Programa Estadual de Telessaúde, que permite testes e consultas especializadas via satélite.
Clínicos gerais locais realizam os procedimentos e, em seguida, compartilham os dados, sons e imagens em tempo real com equipes de especialistas em Manaus, assim como outros médicos que possam responder a chamadas telefônicas de emergência a qualquer hora através de um smartphone.
As antenas VSAT que o SIPAM usa são de fácil transporte e também são utilizadas no suporte a muitos dos projetos de seus parceiros. Sete antenas de comunicação via satélite apoiam as operações da 17ª Brigada de Infantaria de Selva do Exército, assim como o Tribunal Regional Eleitoral nos estados remotos de Rondônia e Acre.
“Promover o acesso a comunicações na região amazônica é uma das premissas do SIPAM”, garante José Neumar da Silveira, gerente do Centro Regional do SIPAM em Porto Velho. “É por isso que nós sempre estamos dispostos a ajudar nossos parceiros em operações ou em suas bases permanentes.”
Outro projeto do SIPAM tem como objetivo concluir o registro biométrico de eleitores em Porto Velho, enviando impressões digitais e documentos pela Internet em áreas onde não haveria outro acesso à rede, o que é crucial, uma vez que as pessoas que não estão registradas não poderão votar nas eleições municipais de 2012.
Os equipamentos do SIPAM também são usados pela 17ª Brigada na Operação Curare III, que teve início em setembro e busca intensificar a vigilância nos estados de Rondônia e Acre, que fazem fronteira com Bolívia e Peru.

Relatório sigiloso da Defesa comprova sucateamento do setor militar no País



FAB
EquipamentosTotalEm Serviço
Caças Mirage 2000/ F5EM/A9921972
Helicópteros8122
Transporte C130/Bandeirante /C-10517467
Instrução7449
EXÉRCITO
EquipamentosTotalEm Serviço
Helicópteros7839
Blindados?Disponibilidade 40%
Viaturas sobre Rodas5.318?
MARINHA DO BRASIL
EquipamentosTotalEm Serviço
Caças A-4 Skyhawk230
Navios de Superfície10053
Submarinos52
Blindados CFN74
28
BRASÍLIA - Documento sigiloso produzido pelos comandos militares sobre a situação da defesa nacional repassado ao Palácio do Planalto nos últimos dias mostra um sucateamento dos equipamentos das três Forças. Segundo os militares, os dados esvaziam as pretensões brasileiras de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, além de inibir a participação do País em missões especiais da ONU.
De acordo com a planilha obtida pelo Estado, a Marinha, que em março mantinha em operação apenas dois de seus 23 jatos A-4, não tem hoje condições de fazer decolar um avião sequer do porta-aviões São Paulo.
Com boa parte do material nas mãos de mecânicos, a situação da Marinha se distancia do discurso oficial, cuja missão seria zelar pela área do pré-sal, apelidada de Amazônia Azul.
Segundo o balanço, que mostrou uma piora em relação ao último levantamento, realizado em março, a situação da flotilha também não é confortável. Apenas metade dos navios chamados de guerra está em operação. Das 100 embarcações, incluídas corvetas, fragatas e patrulhas, apenas 53 estão navegando. Dos cinco submarinos, apenas dois ainda operam. Das viaturas sobre lagartas (com esteiras), como as usadas pelos Fuzileiros Navais para subir os morros do Rio de Janeiro, apenas 28 das 74 estão em operação.
O Ministério da Defesa mantém os dados sob sigilo. A presidente Dilma Rousseff já foi informada das dificuldade que as Forças estão enfrentando e a expectativa, pelo menos da Aeronáutica, é de que a partir do ano que vem o governo retome as discussões em relação à compra dos novos 36 caças brasileiros já que os atuais deixam de voar em 2014.
Queixas. Já afinado com a caserna, o ministro da Defesa, Celso Amorim, que está há apenas três meses no cargo, queixou-se dos baixos investimentos do Brasil no setor e pediu apoio dos parlamentares para a modernização das Forças Armadas.
Segundo ele, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é um dos países que menos investem em defesa entre os integrantes dos Brics, grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O orçamento atual da defesa no País representa 1,39% do PIB, enquanto a Índia investe nesta área 2,8% de seu PIB, e a China, 2,2%.
Na Força Aérea Brasileira (FAB), a situação não é diferente. Dos 219 caças que a Força dispõe, há apenas 72 em operação, o que corresponde a 32%. Em março, eram 85 caças em funcionamento.
Dos 81 helicópteros que a Aeronáutica possui, apenas 22 estão voando, o que corresponde a 27% do total. Em março, eram 27 helicópteros em operação. No caso dos aviões de transporte de tropa, dos 174 que a FAB possui, 67 estão em operação, ou seja, 38%. Em março, 100 aviões deste tipo estavam voando. Aviões de instrução e treinamento caíram de 74 para 49 em funcionamento.
Reforço. Nos bastidores, os militares reclamam e pedem reforço orçamentário. Apontam que quase 90% dos aviões da FAB têm mais de 15 anos de uso, enquanto numa força operacional o recomendável é que, no máximo 50% das aeronaves podem ter mais do que 10 anos de uso. As nove baterias antiaéreas do País estão fora de uso.
O Exército também enfrenta problemas com seus helicópteros. Dos 78 que possui, exatamente a metade está parada. Em relação aos blindados, 40% deles estão parados.
A Força terrestre apresenta apenas um número grandioso: 5.318 viaturas sobre rodas. No entanto, essas são na maior parte carros oficiais para transporte de oficiais de alta patente, jipe e caminhões ultrapassados.
A situação é tão precária que todas as 23 aeronaves a jato da Marinha estão nas oficinas da Embraer. Mas só 12 sairão de lá para missões. As outras 11 serão "canibalizadas" para fornecer peças para aos "sobreviventes".

Arquivo do blog segurança nacional