quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cortes orçamentários nos EUA ameaçam empresas espaciais

O esforço da Nasa para terceirizar ao setor privado as viagens de astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS) está sob ataque, mas agora por parte de funcionários federais encarregados de reduzir o déficit do governo.






DivulgaçãoIlustração da nave Dream Chaser, que deve voar em 2014, ligando-se à ISSVeja também:



Empresa privada recebe autorização pra realizar reentrada na atmosfera



Empresas que pretendem vender passagens espaciais correm o risco de perder US$ 1,2 bilhão em investimentos da Nasa, por conta da proposta apresentada por três coordenadores da comissão bipartidária do déficit.



A eliminação do financiamento federal para viagens ao espaço é apenas uma de dezenas de ideias apresentadas no início do mês. É a número 24 da lista e, fora da indústria espacial, mal se fez notar, sobrepujada por propostas de cortes nos benefícios da previdência social e de aumento de impostos.



A Nasa também não está preocupada, por enquanto. Também não estão incomodados os empresários que esperam recursos estatais para levar suas naves espaciais adiante. E poucos esperam que o corte proposto ganhe apoio.



Mas o fato de o voo espacial comercial ter sido visado mostra a vulnerabilidade do plano de Barack Obama de usar veículos privados para levar astronautas ao espaço, após a aposentadoria dos ônibus espaciais, prevista para 2011.



"Estamos num ponto onde é ou voo espacial comercial ou nenhum voo espacial nos Estados Unidos", disse o fundador e principal executivo da companhia SpaceX, Elon Musk.



Sua empresa é uma de várias companhias que pretendem construir foguetes e naves para levar carga e astronautas à ISS.



A menos que essas empresas produzam meios de transporte seguros e confiáveis, a Nasa terá de continuar a comprar assentos nas naves russas Soyuz.



Até agora, a Nasa investiu US$ 723 milhões nos esforços privados. Musk diz que os produtos de sua empresa, o foguete Falcon 9 e a cápsula Dragon, poderão levar carga à ISS já no ano que vem, e astronautas dentro de três anos, após receber autorização da Nasa.



A empresa deve realizar a primeira reentrada controlada de uma Dragon na atmosfera terrestre no próximo mês.



Outra companhia, a Sierra Nevada Space Systems, espera realizar o primeiro voo de sua nave, chamada Dream Chaser ("Caçador de Sonhos") em 2014.

EUA descartam possibilidade de conflito militar na península coreana

WASHINGTON - O governo americano classificou o ataque norte-coreano à uma ilha sul-coreana no último dia 23 como um ato isolado e premeditado. Em entrevista coletiva diária no departamento de Estado, o porta-voz P.J. Crowley disse que a Coreia do Norte não está preparada para um confronto militar extenso.




"Acreditamos que o que aconteceu foi um ato isolado, mas premeditado", disse Crowley. "Sem entrar em detalhes de inteligência, não vemos a Coreia do Norte pronta para um conflito militar extenso".



O porta-voz reiterou a posição do governo americano de que o papel da China no alívio às tensões na península coreana é fundamental. " Apesar de pequenas discordâncias, China e EUA veem a situação de maneira similar. Continuaremos a conversar com os chineses para convencer os norte-coreanos a tomarem as decisões certas, e não as erradas", afirmou.



Mais cedo, a China pediu nesta quarta-feira, 24, que as Coreias do Norte e do Sul mostrem "calma e contenção" e se comprometam o mais rapidamente possível com conversações para evitar uma escalada nas tensões.



"A China faz um chamado forte para que tanto a Coreia do Norte como a do Sul ajam com calma e contenção, e o mais rapidamente possível se comprometam com o diálogo e os contatos". disse comunicado da chancelaria chinesa.



Os dois países se encontram tecnicamente em conflito desde que a Guerra da Coreia (1950-1953) foi encerrada pelo armistício em vez de um tratado de paz. Desde então, o acirramento das tensões entre as duas nações asiáticas é frequente. O ataque à ilha de Yeonpyeong é considerado um dos mais graves incidentes desde então.



Um dos episódios mais recentes dos atritos entre os países foi o afundamento do navio sul-coreano Cheonan. Seul acusa Pyongyang de estar por trás do ataque, que matou 46 marinheiros. A Coreia do Norte, que está sob pressão pelas suspeitas de estar ampliando seu programa nuclear, nega.

Com apoio da Marinha, polícia do Rio ocupa refúgio do Comando Vermelho

RIO - Em operação policial sem precedentes, com apoio de veículos blindados da Marinha da Brasil, a Polícia do Rio ocupou nesta quinta-feira, 25, a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (zona norte). A favela é apontada como um dos principais refúgios de traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que fugiram após as ocupações da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nos morros da zona sul e zona norte da cidade. À tarde, incapazes de conter a invasão policial, traficantes fortemente armados fugiram - de carro, de moto e a maioria a pé - para o vizinho Complexo do Alemão, onde o CV mantém o seu maior reduto.






O subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, reconheceu que vários criminosos fugiram para a favela vizinha. "O que acontece é que há uma rota de fuga difícil de alcançar, pois está localizada no interior da favela", explicou Oliveira, referindo-se às imagens do helicóptero da TV Globo, que mostraram a fuga em massa da Vila Cruzeiro para o Alemão pela Serra da Misericórdia, divisa entre os dois conjuntos de favelas. Segundo ele, hoje a Polícia voltará à Vila Cruzeiro para checar "diversos objetivos" em busca de traficantes, armas e drogas.



De manhã, a chegada dos primeiros seis blindados da Marinha interrompeu o tráfego de veículos na Avenida Brás de Pina, umas das principais do bairro da Penha. Segundo a Marinha, seriam empregados na operação seis veículos blindados M-113, quatro carros-lagarta anfíbios e três viaturas Piranha, para transporte de tropas. Moradores e comerciantes tiravam fotos, mas algumas pessoas ficaram chocadas.



"Isso virou uma guerra civil, isso me assusta. Tenho um irmão da Aeronáutica, que volta para casa fardado, e não sei o que pode acontecer com ele", disse a recepcionista Monique Gama, de 30 anos.



Operação. A operação contou com 120 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), 70 fuzileiros navais, 200 policiais civis e 40 homens do 16º Batalhão da PM, além de policiais do Batalhão de Choque e outras duas unidades. No total, eram cerca de 600 homens. Apenas um furgão da Polícia Civil levava cerca de150 mil peças de munição. Uma equipe de doze homens do Bope embarcou em cada blindado da Marinha para entrar nas diversas favelas do Complexo da Penha.



Os blindados entraram no Complexo da Penha pela Rua Cajá, para acessar o Morro da Chatuba; pela Nossa Senhora da Penha para entrar na Vila Cruzeiro; e utilizaram o Parque Xangai para invadir a favela da Merendiba. Os blindados da Marinha foram recebidos a tiros pelos traficante. Barulhos de explosões e bombas foram seguidos de colunas de fumaça que emergiam no interior da favela. As ruas da Vila Cruzeiro ficaram vazias, e os traficantes se posicionaram para atirar. Nas primeiras incursões, os homens do Bope não saíram dos blindados e apenas fizeram o reconhecimento do terreno para o desembarque.



No asfalto, o comércio e os bancos fecharam as portas em todo centro comercial da Penha. Os tiroteios se estenderam por toda a tarde. Por volta das 16h30, um helicóptero da PM foi alvo de tiros de traficantes da Vila Cruzeiro. Pouco depois de a PM anunciar a tomada do morro, uma nova troca de tiros ocorreu dentro da favela. No fim da tarde, o Esquadrão Anti-Bombas detonou um explosivo jogado pelos traficantes contra policiais civis, mas não explodira. "Era um artefato caseiro feito com pólvora dentro de um extintor de incêndio, cujo poder de fogo desconhecemos", disse o inspetor Cassiano Martins.

Número de mortos em confrontos no Rio chega a 23, diz polícia

De acordo com novo balanço das operações divulgado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, 23 pessoas morreram, 47 foram presas e 112 detidas para averiguações desde segunda-feira. Dois policiais foram baleados, além de 14 vítimas que estão internadas no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Foram apreendidas 29 pistolas ou revólveres, 10 fuzis, duas espingardas, uma submetralhadora, cinco granadas e duas bombas caseiras.




Nos ataques desta quarta-feira, 16 veículos de passeio foram incendiados, além de duas vans, sete ônibus e um caminhão. Oficiais da PM prometem reforçar o patrulhamento em comboios nesta madrugada.





Nesta quarta-feira, nas comunidades do Guaxá e Jardim Floresta, em Belford Roxo, Baixada Fluminense, foram oito mortos. No Morro do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, zona norte do Rio, a polícia contabiliza três vítimas fatais. No Tuiuti, em São Cristovão, uma pessoa morreu e duas pistolas foram apreendidas. No Jacaré, um homem morreu e foram apreendidas uma pistola e uma garrafa pet de gasolina.



Além dos mortos e presos, um PM ficou ferido, 14 armas de porte - pistolas e revólveres - dois fuzis, uma espingarda calibre 12, uma submetralhadora, uma granada, duas bombas caseiras, duas garrafas pet com gasolina, cinco litros de combustível e quantidade de maconha e cocaína não contabilizada foram apreendidos. Uma moto e quatro carros foram recuperados.



As operações policiais estão ocorrendo nas comunidades do Jacaré, Tuiuti, Encontro, Salgueiro, Boa Vista, Martins, Faz Quem Quer, Vila Kennedy, Vila Operária, Morro da Fé, Jardim Roma, Mangueirinha, Lixão, Brizamar/Itaguaí, Guandu/Japeri, Antares e Rolas. Durante uma operação do Bope na Chatuba, na Vila Cruzeiro, Penha, quatro fuzis foram apreendidos e 1 t de maconha foi encontrada.



No final da tarde de hoje, mais dois ônibus e um caminhão foram incendiados. Bandidos atearam fogo em um coletivo e um caminhão na rua Leopoldo Bulhões, em Benfica. Ninguém ficou ferido, mas a via foi fechada nos dois sentidos e vários caminhões dos correios foram impedidos de passar. O outro ônibus foi queimado na avenida Getúlio de Moura, centro de Mesquita. Segundo as primeiras informações, o coletivo estava cheio, mas todos os passageiros tiveram tempo de descer do veículo. Ninguém ficou ferido. Também nesta quarta, bandidos metralharam uma cabine da PM no Jardim América, zona norte, e incendiaram um automóvel.



Violência

A onda de ataques teve início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro.



Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.



Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio Vargas.



Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro, um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que queimaram os carros no Trevo das Margaridas.



À noite, criminosos atearam fogo em outros dois veículos na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.



Já na manhã de terça-feira, dois homens foram mortos a tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís, altura do km 122. A PM diz que não há relação entre este crime e os ataques anteriores. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência à atuação do Estado no combate à criminalidade nas favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa política de segurança pública", afirmou, referindo-se à implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).



Também na terça-feira, a cúpula da Polícia Militar anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê colocar todos os homens nas ruas para reforçar o patrulhamento. A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais gradativamente até o ano que vem, além de prometer a contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime, a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140 motocicletas.

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