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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O filme "Segurança Nacional" foi o escolhido para abrir a segunda edição do Hollywood Brazilian Film Festival, que acontece de 4 a 7 de fevereiro, no Egyptian Theatre, em Hollywood Boulevard, junto à calçada da fama. Mais do que uma mostra de filmes, o HBRFEST (www.hbrfest.com) tem como objetivo promover encontros, seminários e palestras para aproximar os talentos da indústria brasileira dos seus pares em Hollywood e, conseqüentemente, da comunidade internacional. Prova disso são os prêmios Horizon, entregue a um talento brasileiro iniciando carreira nos Estados Unidos; o HBR Award, paraatores brasileiros de quilate internacional; e o Raw (cru, em inglês), uma espécie de troféu-revelação. Além dos tradicionais "Melhor Filme", "Diretor", "Documentário" e "Curta".




"Segurança Nacional" é um thriller de ação do jovem diretor Roberto Carminati, que retrata o lado positivo de um Brasil poderoso, moderno, bem equipado, do ponto de vista tecnológico - ou seja, com uma lente bem diferente da normalmente usada no cinema brasileiro. No novo filme, o agente secreto da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Marcos Rocha (Thiago Lacerda) tem a missão de combater ao lado das Forças Armadas uma rede internacional de narcotráfico que planeja atacar pontos do país como retaliação à "lei do abate" - que permite ao governo interceptar aeronaves clandestinas em território nacional.



Além do galã, o elenco traz Milton Gonçalves (como o Presidente da República), Angela Vieira, Ailton Graça, Viviane Victoretti e o ator internacional Joaquin Cosio (que atuou no último longa da franquia "007", "007 - Quantum of Solace"), entre outros.



A equipe de produção acompanhou missões de treinamento e foram usados equipamentos e cenários reais nas filmagens - inclusive uma seqüência com o avião presidencial e outra com aviões de caça da Força Aérea Brasileira, contando com a participação de tropas de elites do exército - o que confere um caráter ainda mais realista à obra.



Com produção executiva de Diogo Boni (Diogo Boni Filmes), e distribuição da Europa Filmes; "Segurança Nacional" entra num campo pouco explorado do cinema brasileiro: o do filme de ação. O diretor imprimiu uma visão positiva do Brasil. Dada a temática de "Segurança Nacional", foi fundamental para a realização do longa o apoio do Ministério da Defesa, do Exército, da Força Aérea Brasileira, da Agência Brasileira de Inteligência e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.



Um verdadeiro blockbuster nacional, exibido no cruzamento da calçada da fama com o calçadão de Copacabana.


Uma rede internacional de narcotráfico ameaça a segurança do país. Para desbaratá-la, o presidente da República aciona o serviço de inteligência. O melhor agente secreto da corporação sai à captura do chefão da droga, que seqüestra a namorada do herói e planeja ataques a vários pontos do país. Antes da derrota final do inimigo, radares rastrearão seus movimentos, caça-aviões abaterão seus comparsas e todos correrão contra o relógio. Você dirá que já viu esse filme. Mas não com o ator Milton Gonçalves no papel do presidente, o galã Thiago Lacerda como o agente secreto e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no lugar da CIA, a agência norte-americana.




É com essa escalação que o cineasta Roberto Carminatti está filmando o longa "Segurança Nacional", com cenas em terra, ar e mar, de norte a sul do Brasil.



Formado em cinema nos EUA, onde nasceu, filho de brasileiros, Carminatti, 29, diz que estudou "como o cinema americano fala das Forças Armadas e da sua história de um jeito positivo". É essa abordagem edificante à imagem do país que o cineasta emprega em sua trama sobre a política e a segurança nacionais.



"Sempre quis voltar para o Brasil, para fazer filmes positivos, não com os olhos de país do Terceiro Mundo, que não tem jeito", diz. A visão que Carminatti propõe é a de que "aqui existem heróis e tecnologia desenvolvida por brasileiros, para beneficiar e proteger a sociedade".



Com sua ficção envolvendo "o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e os radares que protegem o espaço aéreo brasileiro contra traficantes de drogas", o diretor procurou o governo federal, em busca de apoio. "Eu me aproximei com toda a humildade. Não tenho uma produtora grande ainda." Apresentando "o roteiro já pronto", Carminatti pediu consultoria da Força Aérea, do Exército, da Abin, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).



"Eles não impuseram nenhum tipo de censura, de mudança na história", diz. Segundo Carminatti, só um reparo foi feito: "Explicaram que seria errado aviões da Força Aérea entrarem sem permissão em outros países". E um pedido: "Que o roteiro não mostrasse todas as capacidades dos aviões R-99 que a força brasileira possui, porque isso é estratégico".



As filmagens começaram no mês passado, e o diretor diz que o uso de cenários reais tem sido fundamental para o projeto. Ele conta que uma seqüência foi rodada com o AeroLula, o avião presidencial, no dia 6 de dezembro. O presidente do Brasil na vida real, Luiz Inácio Lula da Silva, não estava a bordo. A decolagem e o vôo que a equipe filmou, do exterior da aeronave, eram medida de segurança, conta o cineasta.



"Existe uma prática chamada 'vôo da bomba' que está dentro do orçamento da Força Aérea. O avião sempre tem de voar antes de o presidente embarcar, porque, se tiver uma bomba, o piloto morre, o presidente não", diz.



"Segurança Nacional" tem orçamento de aproximadamente R$ 5 milhões, aprovado segundo as leis de incentivo à cultura, que autorizam o uso do Imposto de Renda em projetos culturais. Carminatti ainda não conseguiu reunir todo o dinheiro, mas afirma ter o sinal verde de algumas empresas. "A Embraer se comprometeu a apoiar, mas ainda não definiu com quanto."



O diretor avalia que o filme "seria economicamente inviável, sem o grande apoio que é poder filmar nos locais que existem de fato". Carminatti tem cenas previstas para o fim deste mês na sede da Abin e no Palácio do Planalto, onde já fez algumas tomadas, em dezembro passado. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual a Abin é subordinada, confirmou à Folha os contatos do cineasta com o órgão, mas não a autorização para as filmagens na agência.



Carminatti diz que, com a troca de comando na Abin, temeu pelo futuro de seu projeto, que ele havia apresentado pessoalmente ao ex-diretor-geral Mauro Marcelo.



Márcio Buzanelli, o novo diretor da agência, chegou imprimindo marcas de mudança, como a troca de seu símbolo --da araponga pelo carcará-- e a divulgação da Abin para jovens. "Quando houve a saída de Marcelo [em julho de 2005], fiquei preocupado", diz. "Mas eles reiteraram o apoio. Foi tudo muito legal."



"Segurança Nacional" deve ficar pronto em maio e tem contrato com uma distribuidora brasileira para ser lançado no país. O diretor tem planos de estrear o filme nos EUA também. "Quero mostrar aos brasileiros que o Brasil não é uma completa desorganização e desordem. E mostrar ao resto do mundo que o Brasil não é esse que ficou estereotipado pelas florestas e a pobreza."



Carminatti se diz convencido de que "num caso como o 11 de Setembro, a Força Aérea Brasileira teria alcançado o avião [em poder dos terroristas]". "A gente pensar que o Brasil está desenvolvido a esse ponto é um sonho", diz.

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