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terça-feira, 10 de setembro de 2013

NOVO FUZIL É APOSTA DA IMBEL PARA RECUPERAÇÃO FINANCEIRA

Marcos de Moura e Souza
Após uma fase de sérias dificuldades financeiras, a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), fabricante armamentos vinculada ao Ministério da Defesa, acredita estar perto da virada. A empresa começou a produzir o novo modelo de fuzil que espera ser o escolhido pelos militares para substituir parcialmente os FAL 7.62 que estão nas mãos das três forças. O ministério fala em trocar 10 mil fuzis por ano a partir de 2014.
O negócio também interessa à fabricante gaúcha de armas Forjas Taurus. A Imbel, no entanto, está num estágio mais avançado do que a concorrente do Sul. Mil e quinhentos Imbel A2 - ou apenas IA-2 calibre 5.56 - já foram fabricados para testes militares e a empresa afirma que a capacidade de produção da maior de suas cinco fábricas, em Itajubá, sul de Minas Gerais, é suficiente para atender à toda futura demanda da Defesa.
Para fazer parte do cardápio de compras das Forças Armadas, o IA-2 precisa ainda passar por uma última etapa da burocracia militar: o termo de adoção, o que a Imbel calcula que será emitido em breve.
Um contrato de 10 mil fuzis IA-2 envolveria um valor aproximado de R$ 55 milhões, disse ao Valor o diretor industrial da empresa, o coronel da reserva Alte Zylberberg. "Esse fornecimento representaria a estabilidade da fábrica de Itajubá no mínimo por dez anos; e a estabilidade de Itajubá é a estabilidade da Imbel e a possibilidade continuidade de recuperação."
A Imbel viveu anos conturbados, com alto endividamento e atrasos sucessivos nas entregas (veja reportagem ao lado). A empresa vem se reequilibrando e este ano a previsão é faturar R$ 105 milhões - isso se os contratos que espera ainda fechar nos próximos meses sejam concretizados. Se isso não ocorrer, a previsão é que o faturamento fique em R$ 67 milhões, disse Zylberberg, pouco mais do que os R$ 65 milhões de 2012.
A Imbel define o IA-2 como o primeiro fuzil nacional. Foi desenvolvido por sua equipe de engenheiros e usa componentes do belga FAL e do americano M16. A arma passou por testes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Isso significa que soldados já saltaram com ele de paraquedas, o usaram para tiros submersos, o testaram em ambientes tomados por poeira, em campos frios do Sul e na umidade e calor da Amazônia.
"A expectativa da Imbel é que parte dos FAL 7.62 [usado pelas Forças Armadas] seja substituída pelo IA2 5.56, que é mais leve, compacto e moderno; e que parte seja convertida no IA2 7.62 [uma versão mais moderna que a Imbel faz aproveitando a arma antiga] e que com isso se abra, principalmente, o mercado sul-americano", disse Zylberberg. "Temos vários países na expectativa. Já existem conversas. Estou protelando uma viagem a um país da América do Sul com negócio praticamente fechado. Existem várias consultas." Fora da região, a Imbel recebeu proposta de compra da Arábia Saudita.
Da mesma família do novo fuzil, a carabina IA-2 está em uso há dois anos por policias militares e civis no Brasil e mais 15 mil unidades foram vendidas, diz Zylberberg.
A Imbel tem uma longa história como fabricante do fuzil FAL no país. Além de ter suprido as Forças Armadas do Brasil, vendeu a arma para mais de 20 países na América do Sul, América Central e África. O FAL, concebido no pós-Segunda Guerra pela belga F. N. Herstal, foi um fuzil de sucesso mundo afora. Quase 100 países o empregaram. Mas lentamente foi perdendo espaço para um fuzil originalmente americano, calibre 5.56. Hoje é esse o calibre padrão dos países que integram a OTAN e usado por outros fora da aliança, como o Brasil.
A expectativa do Ministério da Defesa, segundo a assessoria de imprensa, é adquirir cerca de 10 mil novos fuzis por ano. Para isso, o Congresso precisa aprovar um plano de modernização das forças que está em tramitação e é preciso orçamento. O ministério estima que a partir de 2014, comece, pelo Exército, a substituição parcial dos 200 mil fuzis das forças de Defesa.
Ainda segundo o ministério, só o IA-2 atende aos requisitos operacionais básicos (ROC), um novo critério criado em 2012 pelo governo para habilitar produtos para serem adquiridos pelas três forças. Mas, ainda segundo o ministério, há a possibilidade de que a Taurus também apresente um fuzil.
"A Forjas Taurus pretende produzir um fuzil de assalto chamado FAT 556, equivalente ao M4, um dos fuzis mais modernos do mundo. Este produto é de uso exclusivo para as Forças Armadas e está em fase de apostilamento pelo Exército", disse a empresa. O apostilamento é um conjunto de testes feito pelo Exército pelo qual um armamento precisa passar para poder ser comercializado. Além de oferecer às Forças Armadas, a Taurus diz que pode exportar o fuzil.
  FONTE VALOR ..SNB

Espionagem contra Dilma atrapalha lobby dos EUA para venda de caças

Decisão a ser tomada pela presidente deverá ser motivada pelo critério da “confiança mútua” entre países. França e Suécia superaram desvantagens técnicas

O episódio de espionagem norte-americana sobre os contatos da presidente Dilma Rousseff pode ter acabado com as chances dos Estados Unidos de firmar um contrato com o Brasil para a venda de 36 caças para reequipar as Forças Armadas. A decisão a ser tomada pela presidente Dilma Rousseff deverá ser motivada muito mais pelo critério da “confiança mútua” entre países, que pelas vantagens técnicas do modelo norte-americano F-18 Super Hornet, fabricado pela empresa Boing.
Denúncias: Após Dilma, Petrobras teria sido alvo de espionagem dos EUAPor se tratar de estratégia de defesa, o assunto vem sendo tratado a sete chaves pelo alto comando das Forças Armadas, pelo Ministério da Defesa e pela presidente. No entanto, é comum no governo a avaliação de que os Estados Unidos não preenchem mais os requisitos para atender ao contrato, que pode chegar a R$ 5 bilhões, definido no projeto FX-2, que prevê a reequipar as Forças Armadas.
A proposta, dizem interlocutores da presidente, foi pensada não como uma simples compra de equipamentos, mas como um acordo de longo prazo com o objetivo de desenvolver a tecnologia nacional por meio de transferência de conhecimento.
Além disso, o governo também tem levado em consideração que, nos últimos três anos, os outros dois modelos concorrentes conseguiram superar algumas desvantagens técnicas em relação ao modelo norte-americano, já utilizado por muitos países com grande desempenho.
Quando a decisão de compra foi tomada, ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o caça francês Rafale, fabricado pela Dassault, era utilizado somente na França. Atualmente, a Dessault conseguiu fechar um contrato com a Índia, que já vem utilizando os aviões.
Parceria
Conta ainda em favor da França, a experiência considerada exitosa envolvendo a construção de cinco submarinos, sendo um deles de propulsão nuclear. O primeiro desses submarinos já está em fase adiantada de construção no estaleiro de Itaguaí (PR) com total transferência de tecnologia. A parceria com a França prevê a construção dos outros quatro submarinos até 2025.
O país europeu só não aceitou compartilhar a tecnologia do propulsor nuclear que servirá para o quinto submarino, por isso a Marinha brasileira já se ocupa em desenvolver o equipamento no tamanho e nas condições específicas para esse equipamento.
Pesa contra os franceses o custo mais alto da aeronave e da reposição de suas peças. No entanto, o próprio governo brasileiro pondera que esse é preço por desenvolver autossuficiência no setor, decisão tomada pela França desde o governo do presidente Charles de Gaulle, no início da década de 1960.
Já o sueco Gripen NG, da empresa Saab, era apenas um projeto quando entrou na concorrência. Hoje, já existem aviões em teste. Pesam contra a Gripen o fato de que muitos componentes são comprados de outras empresas. Conta a favor a total disposição da Suécia de transferir tecnologia para a construção de caças mais modernos, chamados de 5ª geração. O F-18 Super Honet e o Rafale fazem parte da 4ª geração de caças.
Urgência
A valorização da “confiança mútua” é posição pessoal do ministro da Defesa, Celso Amorim, que considerou gravíssimo o episódio do monitoramento dos contatos de Dilma Rousseff. Também é posição do comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Junite Saito, que defendeu que o critério “geopolítico” seja considerado pela presidente. Saito espera que a compra seja fechada até o final desse ano.
A urgência alegada por Saito leva em consideração o fato de que, mesmo que a compra se efetive em 1013, o governo não conseguirá garantir que os aviões estejam à disposição para substituir os aviões do tipo Mirage 2000-C, também produzidos pela Dessault, que até 2015, vencem seu prazo de uso. Dos 12 caças Mirage 2000-C, seis já saem de operação no final deste ano.
Enquanto aguardam a posição de Dilma, a Aeronáutica trabalha na definição um novo desenho de para que um nível mínimo de segurança aérea seja mantido. O governo tem ciência de que o país não terá o nível de segurança aérea atual. Este novo desenho inclui equipar as aeronaves F-5M com funções de caça e interceptador desempenhadas pelo Mirage 2000-C, até que a presidente Dilma Rousseff decida quem será o vencedor do processo de aquisição dos novos aviões.
Tensão
Enquanto não toma a decisão, Dilma tem dado chances aos Estados Unidos de tornar menos constrangedor o episódio. Na conversa de 40 minutos com o presidente Barack Obama , realizada na semana passada em São Petersburgo, na Rússia, Dilma deixou claro que cabe a ele a responsabilidade de criar condições políticas para que a visita de Estado da presidente ao país norte-americano, planejada para outubro ocorra.
Por enquanto, a viagem está suspensa. Na conversa, a presidente brasileira disse que essa condição política depende de seu conhecimento de tudo que foi monitorado.
No encontro, Obama assumiu a responsabilidade de cuidar pessoalmente do caso e prometeu uma resposta até esta quarta-feira (10). Na segunda, por meio de nota, Dilma também se referiu às denúncias de espionagem americana sobre a Petrobras, caso que ela mesma já havia citado na entrevista concedida na Russia.
A presidente considerou que as denúncias evidenciam interesses econômicos e estratégicos da espionagem dos Estados Unidos e não somente a segurança nacional e o combate ao terrorismo.
FONTE  IG..SNB

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