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segunda-feira, 25 de março de 2013

Brasil e China assinam acordo de crédito de US$ 30 bi


EDUARDO CUCOLO - Agencia Estado
BRASÍLIA - O Brasil e a China assinam nesta terça-feira (26) um acordo que dará aos dois países uma linha de crédito equivalente a US$ 30 bilhões na moeda do parceiro comercial. O acordo de troca (swap, em inglês) de moeda é uma espécie de "cheque especial". O Banco Central (BC) brasileiro, por exemplo, deixa disponível esse valor na moeda nacional para o país asiático, que pode ou não usar o recurso.
O Brasil, por sua vez, pode sacar o mesmo valor em yuan, em caso de necessidade. Em outubro de 2008, o Brasil fechou acordo semelhante com os Estados Unidos, como parte da estratégia para combater os efeitos da turbulência financeira internacional daquele período, mas a linha nunca foi usada. Nem pelos brasileiros nem pelos americanos.
O objetivo da medida é criar uma reserva adicional para ser usada em caso de falta de financiamento internacional, que reforça a situação financeira dos dois países. A linha para troca de moeda com a China era negociada desde 2012, quando a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), também conhecida como Rio+20, no Rio. O acordo será assinado na África do Sul, onde o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participam da reunião de ministros das Finanças e presidentes de BCs de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), grupo de países emergentes
SNB

KC-390 - Passa a Revisão Crítica de Projeto


A Força Aérea Brasileira e a Embraer atingiram, nesta sexta-feira (22/03), um importante marco da fase de desenvolvimento do projeto do cargueiro KC-390. A Revisão Crítica de Projeto (do inglês Critical Design Review - CDR) foi realizada nas duas últimas semanas por pilotos, engenheiros e técnicos das duas instituições em São José dos Campos (SP). O processo cumpre com os prazos estabelecidos no cronograma do projeto. A partir de agora, a empresa parte para a fase de construção dos protótipos, cujo primeiro voo está programado para o segundo semestre de 2014. Depois, virá a produção em série.

Para o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), Tenente-Brigadeiro do Ar Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, a data pode ser considerada histórica. A fase de CDR completa um ciclo importante. O detalhamento executado consolida todos os requisitos da aeronave. “Mais que um passo, é um salto. O dia de hoje representa um ponto de inflexão no projeto, saindo da fase de concepção e detalhamento para o início de produção dos protótipos que vão demonstrar definitivamente a capacidade deste avião.”

De acordo com o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar, são poucas as experiências de desenvolvimento no Brasil de projetos com semelhante nível de tecnologia e complexidade. “Para a indústria aeronáutica é um marco. Estamos mudando de patamar do ponto de vista tecnológico”, afirma. Para ele o fortalecimento da indústria nacional tem repercussão direta no fortalecimento da FAB. “Ter ao lado da Força Aérea uma indústria que consegue produzir e exportar produto com essa tecnologia aumenta o nível de representatividade mundo afora”, explica.

“Este é um grande marco do Programa e estamos orgulhosos com o resultado de todo nosso esforço em demonstrar a maturidade do projeto à FAB”, disse Paulo Gastão Silva, Diretor do Programa KC-390 na Embraer. “Temos certeza de que o KC-390 virá a ser mais um grande sucesso da provada combinação entre requisitos muito bem definidos pela FAB e as soluções desenvolvidas pela Embraer para atendê-los.”

Operacionalidade – O KC-390 deve substituir as aeronaves C-130 Hércules operadas pelos Esquadrões 1º/1º Grupo de Transporte e 1º Grupo de Transporte de Tropa, ambos sediadas no Rio de Janeiro. A nova aeronave deverá operar também a partir de bases aéreas na região amazônica. O projeto é estratégico não apenas para garantir maior mobilidade militar, mas também para consolidar o desenvolvimento da indústria nacional de defesa. Para o comandante do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR) Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, o novo avião se adapta perfeitamente à realidade de um país continental. “Da Amazônia à Região Sul, o Brasil precisa de um avião assim, pela capacidade de carga, autonomia, operação em qualquer tipo de pista e da tecnologia embarcada”, resume o oficial-general.

Voo virtual, mock-ups e simuladores – É na unidade da Embraer em São José dos Campos que está localizada a área de desenvolvimento do projeto KC-390. Em vários andares, os engenheiros desenvolvem softwares e sistemas para a aeronave.

Para o voo virtual, por exemplo, foram necessários cinco anos de desenvolvimento tecnológico na Embraer, além dos trabalhos específicos no KC-390, até atingir a integração de todos os sistemas que a aeronave vai receber. Agora, os profissionais conseguem usar modelos reais desses sistemas e componentes para avaliar seu comportamento e suas interações. O simulador permite, inclusive, avaliar como as informações serão apresentadas ao piloto.

Um dos itens que torna o KC-390 um projeto moderno é a adoção do fly by wire, um sistema onde o controle da aeronave é feito por softwares. De acordo com o Coronel Engenheiro Sergio Carneiro, gerente do projeto do KC-390 na Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), este item é o que há de mais moderno em sistemas de voo para pilotagem.
“Não existem mais cabos, molas e hastes para transferir os movimentos que o piloto comanda na aeronave até as superfícies de controle. Todas as informações são processadas em computadores que enviam as ordens de deslocamento diretamente aos atuadores dessas superfícies”, afirma o gerente do projeto. O novo sistema reduz a carga de trabalho do piloto, o que permite aumentar sua concentração na missão e torna a resposta do avião aos comandos mais precisa e segura.
Saiba mais - As novidades do KC-390 estarão entre os destaques no stand da FAB na feira de defesa e segurança, LAAD, que será realizada de 9 a 12 de abril no Rio de Janeiro. A construção de um avião nacional para transporte de tropas e reabastecimento em voo atende a estratégia de ampliar a mobilidade militar, seja para o transporte de tropas ou o atendimento em missões humanitárias. Cada aeronave terá capacidade para transportar até 80 soldados, ou uma carga máxima de 23 toneladas. O desenvolvimento do projeto começou em 2009.

O projeto prevê um total de investimentos na ordem de R$ 4,5 bilhões apenas na fase desenvolvimento. Argentina, Portugal e República Tcheca são parceiros no desenvolvimento da aeronave. O projeto já tem 60 intenções de compra e conta com um mercado estimado de 700 aeronaves. A construção do avião de carga deve atingir cerca de U$$ 20 bilhões em exportações.
SNB

Segurança da Copa 2014 terá 'drones' da FAB e PF; Exército estuda compra

Vant Falcão está sendo produzido pela Avibras para as Forças Armadas.
Tahiane Stochero
A segurança do espaço aéreo brasileiro durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 terá apoio de pelo menos seis veículos aéreos não tripulados – vants, como os drones são chamados em português – da Polícia Federal e da Aeronáutica. Os equipamentos já serão usados para monitoramento durante os jogos da Copa das Confederações, entre 15 e 30 de junho, que servirá de teste para os eventos dos anos seguintes
.O Exército, que desenvolve projetos de vants com empresas e institutos de pesquisas, pediu em 2013 a abertura de um crédito suplementar na Lei Orçamentária Anual para a compra de drones, também pensando em reforçar a segurança durante a Copa.
Em 18 de fevereiro, a FAB recebeu dois aviões não tripulados feitos pela empresa israelense Elbit, que custaram R$ 48,174 milhões e serão montados em Santa Maria (RS), de onde devem operar a partir de março. Duas outras unidades do modelo, que foram enviadas em 2010 para testes, ficarão no país pelo menos até o fim do Mundial.
Uma ordem de serviço para que a tropa e os drones estejam a postos para uso foi expedida pelo Comando de Defesa Aérea Brasileira (Comdabra) e já chegou ao Esquadrão Hórus, no Rio Grande do Sul, que abriga os equipamentos, segundo o coronel Donald Gramkow, comandante da unidade.
A primeira ação de vigilância de eventos internacionais usando drones foi em 2012, quando o Brasil sediou a Rio +20 (Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável). Militares vigiaram dia e noite o local onde mais de 100 chefes de Estado estavam reunidos. Essa ação e os aprendizados da Copa das Confederações servirão de base para a construção de uma doutrina para o empregos de drones na Copa, na Olimpíada e em possíveis outros casos.
"Na Rio +20 e nas Operações Ágata, feitas nas fronteiras pelo Ministério da Defesa, realizamos várias missões conjuntas com outros órgãos de segurança pública, com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Polícia Federal e instituições estaduais e federais que possibilitaram a troca de informações e de inteligência. Enquanto monitóravamos o local com o vant, em tempo real, todos podiam ver as imagens em um centro de controle de acesso restrito. Em algumas vezes, percebemos que havia algo suspeito e avisamos o policiamento em terra para agir", afirma o coronel Gramkow.
A PF tem dois drones israelenses Heron, feitos pela Israel Aerospace Industries Ltd (IAI), que chegaram ao país em 2010 por aproximadamente R$ 80 milhões. Esses vants, que ficam na Base Aérea de São Miguel do Iguaçu (PR), são os únicos para uso civil certificados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e são usados para obtenção de informações de inteligência e apoio ao combate ao narcotráfico e ao contrabando na fronteira com o Paraguai.

Os drones da PF, que estavam parados em 2012 devido a uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) voltaram a operar secretamente em dezembro do ano passado, auxiliando, inclusive, na realização de prisões. O TCU informou que o processo está em andamento e ainda em sigilo, e que não poderia fornecer informações. O projeto inicial englobava 14 aeronaves ao custo de quase R$ 600 milhões. Quase R$ 80 milhões já teriam sido gastos.
Centro de controle
Cada aeronave não tripulada é monitorada de um centro de controle, onde piloto e operador de sensores contam com mais de 10 telas de vídeo para que possam, por exemplo, localizar alvos, ver a posição do avião no radar e desviar de possíveis obstáculos no percurso.
"Os soldados acompanham as imagens enviadas e podem usar ainda outros instrumentos, como sensores de infra-vermelho, raio-x e imageador radar, que pode desenhar e mapear uma região mesmo com tempo encoberto por nuvens ou mau tempo", diz Gramkow.
Com esse recurso, é possível detectar a presença de pessoas armadas nos estádios ou nas áreas restritas aos atletas, por exemplo. Não há definição sobre que jogos serão monitorados pelos drones, mas o emprego dos equipamentos será permanente durante a Copa.

Imagens captadas por drones podem permitir que a artilharia antiáerea do Exército intercepte com maior rapidez aeronaves que, por ventura, tentarem invadir a área dos estádios. O vant israelense da FAB, chamado de hermes, tem peso máximo de decolagem de 450 kgs e voa por até 16 horas seguidas. Seu raio de alcance é de até 200 km, voando a uma altitude que varia entre 3.048 metros e 4.900 metros.
Ao contrário dos Estados Unidos, que formam pilotos especificamente para drones, a FAB optou por manter o seu piloto de vant voando outro tipo de aeronave. "Piloto ruim não é o que não sabe pilotar, mas o que não sabe decidir, o que é inseguro e pode provocar acidentes. Um piloto de vant, sentado em uma sala, precisa ter consciência situacional, saber onde está voando e o que pode ocorrer, para poder reagir rápido", diz o coronel.Exército estuda compra
Até 2014 deve ficar pronto o Falcão, drone de mais de 800 kg, que está sendo produzido pela brasileira Avibras com investimento do Ministério da Defesa e que será vendido pela Harpia (empresa formada por Embraer, Avibras e a israelense Elbit, uma das líderes do ramo).

O modelo está entre os favoritos para ser adquirido pelos militares brasileiros, que já realizam uma pesquisa de mercado para a compra.
Além dos eventos internacionais no país, o Exército quer usar vants no monitoramento dos 17 mil km de fronteiras que o Brasil tem com 10 países. As aeronaves farão parte ainda do Sistema Proteger, que irá monitorar a Usina Hidrelétrica de Itaipu e outros locais estratégicos para o país. 
Em relação à Copa, o Exército diz aguardar mudanças na legislação em relação a operação de vants em áreas povoadas para analisar se drones de pequeno porte podem ser usados para sobrevoar as cidades-sede dos jogos.
"O drone é a evolução do poder de combate, ele sintetiza tudo. Ele tem sensores capazes de localizar qualquer coisa, consegue transmitir a informação em tempo real para qualquer lugar – o que só o drone é capaz – e pode neutralizar e eliminar a ameaça naquele exato momento. É uma arma completa", diz o general da reserva do Exército Alvaro Pinheiro, que é especialista em terrorismo e táticas de guerra e defensor da capacidade brasileira em operar drones com armas.
"É evidente que o Brasil precisa ter capacidade de operar drones, tanto para vigilância para combater. O drone é cirúrgico, é um instrumento de apoio ao combate exatamente para diminuir efeitos indesejáveis, como a morte de inocentes ou destruição de locais errados", defende.
Atualmente, um terço das aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos já são drones. São mais de 7.800 unidades, a maioria estacionada no Oriente Médio. Especialistas dizem ainda que quase metade dos pilotos que os militares americanos estão formando hoje é exclusiva para drones.
"O Falcão ainda não voo, porque os investimentos são altos. Espera-se uma encomenda alta das Forças Armadas ainda em 2013 para que entre na fase de testes", diz Flávio Araripe de Oliveira, coordenador do projeto da FAB em parceria com a Avibras.América Latina
A realocação de drones americanos para a América Latina após o fim das guerras no Iraque e no preocupa os países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Em 2012, o general Norton Schwartz afirmou drones de multicapacidades, que estão sendo retirados do Oriente Médio, passarão a operar na América para missões de espionagem e combate ao tráfico, em especial no Caribe, Colômbia e México.
Dias depois, em 28 de novembro, 11 países que integram o bloco deciriram construir um drone conjunto, sob comando do Brasil. No evento, realizado no Peru, o vice-presidente, Michel Temer, disse que o país já estava desenvolvendo um modelo para uniformizar o sistema de voo de aviões não tripulados na América Latina e também proteger a Amazônia.
"Há possibilidades enormes do uso militar de vants na América Latina. Mas seria um avião de maior porte e que pode até dar apoio a caças. A maior preocupação é com acidentes e riscos envolvendo sobrevoar áreas populosas. Por isso, o seu voo seria em alta altitude", explica o capitão José Augusto de Almeida, do Departamento de Ciência e Tecnologia da FAB.
A Associação Brasileira de Produtos de Defesa (Abinde) defende que o governo adquira produtos nacionais. Dentre os made in Brasil em desenvolvimento, o Falcão é cotado até para exportação após ter recebido R$ 40 milhões de arpote do Ministério da Defesa para ser concebido.
"Estamos na fase de configuração para atender às exigências dos militares, fazer ensaios no terreno e preparar a produção de um lote piloto de quatro unidades. Alguns testes já foram feitos em Pirassununga (SP)", diz Renato Tovar, diretor da Avibras.
"Esperamos que ainda em 2013 seja assinado com o Ministério da Defesa um contrato de desenvolvimento, no qual serão feitos ensaios de voo do Falcão", disse ao G1o vice-presidente de operações da Embraer, Eduardo Bonini.

"O Falcão será o nosso vant nacional. Estamos aguardando que as Forças Armadas nos enviem a configuração de sensores que precisam, para que o projeto possa avançar", acrescentou o presidente da unidade de negócios Defesa e Segurança da Embraer, Luiz Carlos Aguiar.
Compra de vant nacional
No programa "Café com Presidenta" exibido em cadeia nacional de rádio em 21 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff explicou para a população para que servem os aviões e destacou que vants da FAB e da PF foram usados para localizar laboratórios de refino de cocaína em operações conjuntas com Bolívia, Colômbia e Peru.
"Vant é um avião pequeno que voa sem piloto. Esse avião faz o mapeamento de regiões de difícil acesso, registrando imagens em altíssima resolução e transmitindo essas imagens. Mesmo à noite, ele consegue enxergar a ação dos criminosos sem ser percebido por eles. Com isso, os agentes identificam mercadorias suspeitas que atravessam a fronteira brasileira pelos rios, identificam garimpos ilegais e também pistas clandestinas usadas pelo tráfico", disse Dilma.
"Nós trabalhamos pela segurança das famílias nas cidades brasileiras e por uma convivência de paz e harmonia com os países da América do Sul", completou a presidente na ocasião.
O Ministério da Defesa informou ainda analisar a quantidade e o modelo de aeronave que será comprada, mas que "estuda ajudar a indústria nacional por meio de aquisições" .

O governo brasileiro pode, eventualmente, controlar as exportações. Além disso, em parceria com a Avibras, está sendo criado um sistema de navegação, controle e pilotagem de drones, que poderá ser utilizado em aeroportos ou vants em qualquer lugar do país.
Drone como arma
Além dos drones de vigilância, as Forças Armadas também querem ter a possibilidade de, no futuro, colocar mísseis em seus vants. O Ministério da Defesa e Avibras confirmaram ao G1 ter projetos para produção e emprego de um "drone de combate", mas ainda estudam o tema com cautela.
"O projeto existe, mas vai ficar para o futuro. Por enquanto, o foco prioritário é vigilância e monitoramento. O assunto é ainda bastante delicado. Precisamos primeiro avançar na atuação de vants de reconhecimento", afirmou Renato Tovar, diretor da Avibras.O drone capaz de receber armamento teria configuração especial, com eletrônica e aviônica diferenciadas. "Isso depende também de que tipo de armas o governo gostaria de usar, para que fins, se será para o Pré-Sal, para fronteiras terrestres, etc", completou.
"A Avibras tem uma versão futura para colocar armamento no Falcão, caso algum cliente venha a pedir. Também há um projeto para uso em patrulhas marítimas, com sensores e radares diferenciados capazes de localizar navios e submarinos no mar", diz Flávio Araripe.
As Forças Armadas possuem, segundo o Livro Branco de Defesa Nacional, divulgado em 2012, pelo menos 8 projetos que visam a aquisição de drones, entre 2013 e 2030, tanto para vigilância do mar como controle do espaço aéreo.
Os estudos seguem a Estratégia Nacional de Defesa, decreto publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008, que aponta como uma de suas diretrizes básicas "programas de veículos aéreos não tripulados (vants), primeiro de vigilância e depois de combate", se o país quiser ganhar projeção internacional e prevenir ataques a seu território nos próximos 20 anos.

Segundo o texto, os drones com armas, conhecidos como Predadores (Predator, do nome em inglês), serão para o país "meios centrais, não meramente acessórios, do combate aéreo".
"A indústria de defesa espera um investimento maciço das Forças Armadas para alavancar o setor que, devido às atuais normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), não pode usar comercialmente o produto. O Brasil tem muito a crescer no uso militar dos vants", defende Antonio Castro, da Associação Brasileira de Produtos de Defesa (Abinde).
O Ministério da Defesa ressaltou que as aplicações atualmente vislumbradas para estes veículos "são variantes da missão de reconhecimento e sem armas", mas que "isso não significa que essas aeronaves não possam ser utilizadas em combate".
Os Estados Unidos logo perceberam o potencial militar de drones e passaram a usar a nova tecnologia para atacar alvos no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália, além de monitorar outros países. A eficácia das missões, entretanto, é contestada por organizações de direitos humanos, que apontam um grande número de inocentes entre as vítimas dos bombardeiros e contestam a legalidade do emprego militar desse recurso. Críticos falam em "assassinatos sem julgamento", "guerra suja" e "violação das leis internacionais".
A Fundação Nova América, baseada em Washington, contabiliza 350 ataques desde 2004, a maioria durante o governo de Barack Obama, com número de mortos entre 1.963 e 3.293, incluindo entre 261 e 305 civis. Segundo o Escritório de Jornalismo Investigativo, em Londres, o número de vítimas fatais em ataques americanos com drones é maior, entre 2.627 e 3.457, sendo entre 475 e 900 civis. No dia 20 de fevereiro, o senador republicano Lindsey Graham, defensor do uso de drones em ataques militares, disse que o número de mortos soma cerca de 4.700 pessoas, incluindo inocentes.Marinha usa drone nacional
Ao contrário da FAB, que optou por comprar drones de Israel, mais compatíveis com as especificações que precisava para vigiar as fronteiras do país, a Marinha usa o Carcará, um vant produzido pela brasileira Santos Lab e adquirido após uma licitação internacional.

Segundo Roberto Sbragio Júnior, diretor da empresa, os vants tem 2 metros de envergadura e pesam de 1,8 kg a 4 kg, movidos a bateria. Por serem militares, os Carcarás não precisam de autorização da Anac para operar e possuem custo de R$ 600 mil a unidade.

Os veículos da Marinha estão no Batalhão de Controle Aerotático e Defesa Antiaérea, no Rio de Janeiro, e são usados desde 2007, quando foram empregados pela primeira vez em uma manobra de adestramento em Itaoca (ES). Em 2009, os fuzileiros receberam duas novas unidades, de um modelo de nova geração, que servem para inteligência.

A ideia agora é aplicar os drones embarcados em navios ou porta-aviões na costa brasileira para diagnosticar possíveis invasores. Até 2030, a Marinha pretende comprar mais 10 unidades: os primeiros cinco devem chegar até 2022. Os aviões serão usados para busca e salvamento em alto mar, monitoramento de plataformas de petróleo e reconhecimento de embarcações envolvidas em pesca predatória, extração mineral, pirataria, contrabando e crimes ambientais.
G-1 SNB

Governo manda tropa da Força Nacional proteger Belo Monte


Diante dos conflitos que paralisam as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, o governo decidiu enviar tropas da Força Nacional e Segurança Pública ao local.
Portaria do Ministério da Justiça, publicada na edição desta segunda-feira do "Diário Oficial da União", informa que efetivo da Força Nacional será enviado ao Pará, por 90 dias --prazo que poderá se estendido--, atendendo à demanda do Ministério de Minas e Energia.
Segundo a portaria, o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, solicitou o envio de tropas no dia 21, data em que um grupo de manifestantes, composto na maioria por índios, ocupou um dos canteiros de obras de Belo Monte e paralisou as atividades de cerca de seis mil operários no sítio Pimental, no rio Xingu.
O uso das tropas tem o objetivo de "garantir incolumidade das pessoas, do patrimônio e a manutenção da ordem pública nos locais em que se desenvolvem as obras, demarcações, serviços e demais atividades atinentes ao Ministério das Minas e Energia", afirma o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na portaria.O protesto no canteiro da usina na semana passada foi o segundo envolvendo índios neste ano.
Em janeiro, eles fecharam o acesso ao sítio Pimental durante três dias, reclamando de impactos da obra ao rio Xingu, e terminaram o protesto após uma garantia de indenização.
No ano passado, índios chegaram a realizar um quebra-quebra nos escritórios da obra. No início deste mês, operários tocaram fogo em alojamentos. Um operário foi preso após a polícia encontrar bananas de dinamite em seu armário.
A hidrelétrica de Belo Monte tem conclusão prevista para 2019 e deverá ser a terceira maior do mundo.
FOLHA .....SNB

Rússia vai construir submarino de patrulhamento acústico


A marinha de guerra russa aprovou a construção de um submarino de patrulhamento acústico e análise da situação.

Esse navio se destina a coordenar as ações dos outros navios.
O submarino será equipado com sistemas que lhe permitirão detectar em regime passivo navios de superfície e submersíveis, assim como alvos aéreos a baixa altitude, a uma distância até 600 km. A uma distância de 100 km, o navio será capaz de determinar com precisão o tipo de alvo. Todos os sistemas do submarino irão funcionar em regime passivo, não emitindo sinais ativos e permitindo ao navio ficar invisível para o adversário.
SNB

FAB TV - Especialistas da FAB - Programa Especial

SNB

INSTRUÇÃO – PARA-SAR forma 31 paraquedistas

 O Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS - PARA-SAR) realizou na semana passada, na Base Aérea de Campo Grande (BACG), os últimos saltos de instrução com os militares que se formaram no Curso Básico de Paraquedismo Militar da Aeronáutica na sexta-feira (22/3). A bordo de uma aeronave C-105 Amazonas, do 2º/10º GAV (Esquadrão Pelicano), os alunos e instrutores militares saltaram de uma altura de 400m, a aproximadamente 240km/h, na chamada Zona de Lançamento (ZL), que fica a 17 km de distância, em linha reta, da BACG.
No exercício foi realizado o salto enganchado, no qual o paraquedas não é aberto pelo acionamento do militar. Assim que ele salta da aeronave, o paraquedas abre, pois está conectado ao interior do avião, por meio de um cabo, não sendo necessário o acionamento. Sua própria queda aciona o paraquedas. Nesse salto, o peso do paraquedas principal e o do reserva chega a 20 kg.
Já no salto armado e mochilado, também realizado pelos alunos do curso, os paraquedistas carregaram em torno de 40 kg, pois se soma ao peso do paraquedas mais 15 kg da mochila e 5 kg do fuzil, simulando uma situação real de emprego do PARA-SAR.
O curso do PARA-SAR dura cinco semanas, nas quais os voluntários saltam, em média, cinco vezes, sendo uma delas armados e mochilados. Em cada salto, os alunos são acompanhados pelos Mestres de Salto (MS), militares que integram o EAS e são instrutores do curso. Não há prova teórica para ingressar. Porém, os voluntários são submetidos a um forte teste físico e, durante o curso, várias instruções físicas, técnicas e, algumas, teóricas.
Qualquer militar da Força Aérea Brasileira (FAB) pode fazer o Curso Básico de Paraquedismo Militar da Aeronáutica. Entre os 31 alunos que se formaram, há desde praças até oficiais. Desses, 11 são do PARA-SAR. Os demais são de outras unidades militares, mas devem solicitar transferência para a BACG para atuar no esquadrão.
Fato histórico
Na quarta-feira (20/3), ocorreu um fato inédito na FAB. Pela primeira vez, um Brigadeiro de Infantaria saltou com o PARA-SAR, façanha realizada pelo Brigadeiro Amilcar Andrade Bastos, Chefe da Subchefia de Segurança e Defesa do COMGAR. O Oficial General também foi escolhido como paraninfo da turma. “Tenho muito orgulho de ter sido escolhido como paraninfo dessa turma de paraquedistas da FAB”, afirmou o Brigadeiro Bastos.
Ordem dos Pastores
Entre os instrutores do EAS está o suboficial Eduardo Chagas Pacheco, que integra o esquadrão desde a década de 90. Ele faz parte da Ordem dos Pastores, que é o nível de operacionalidade máximo que um integrante do PARA-SAR pode atingir, tendo realizado inúmeros treinamentos de resgate.
O militar já participou de diversos resgates. Entre eles, dos corpos das vítimas do acidente da empresa aérea GOL, em 2006. “Sem dúvida, foi uma situação muito difícil que enfrentamos naqueles dias, para resgatar os corpos das vítimas, no meio da mata. Porém, somos treinados para encarar situações como essas”, disse.
Fonte: Agência Força Aérea....SNB

Coreia do Sul e EUA assinam novo plano militar


Agência Estado
SEUL - A Coreia do Sul e os Estados Unidos assinaram um novo plano militar que estabelece como os aliados vão se comunicar um com ou outro, assim como reagirão no caso de uma futura agressão da Coreia do Norte.A assinatura ocorre em meio a ameaças da Coreia do Norte de atacar os aliados por causa dos exercícios militares conjuntos e da recente intensificação das sanções aplicadas a Pyongyang pela Organização das Nações Unidas (ONU) em razão do último teste nuclear norte-coreano.
O Chefe do Estado-Maior Conjunto de Seul disse nesta segunda-feira que o projeto foi planejado para conter futuros ataques norte-coreanos, mas não foram divulgados detalhes. Os trabalhos de planejamento tiveram início depois que a Coreia do Norte ter realizado um ataque de artilharia contra uma ilha sul-coreana em 2010, matando quatro pessoas.
Coreia do Sul e Estados Unidos também têm planos separados para o caso de uma guerra total na península coreana. Atualmente, 25.500 militares norte-americanos estão estacionados na Coreia do Sul.
As informações são da Associated Press
SNB

A tristeza de ver o Líbano virar uma ilha


O Líbano virou uma ilha. Verdade, se olharmos no mapa, o território libanês está no continente asiático. Mas, na prática, seria como se os libaneses estivessem cercados por mar por todos os lados sem ter para onde fugir. Nunca na história libanesa a situação foi tão dramática.
Se a guerra civil da Síria se expandir para Beirute e o aeroporto fechar, ou se Israel entrar em conflito armado contra o Hezbollah, como apostam muitos analistas, os libaneses não terão para onde fugir, diferentemente do que ocorria em cenários similares no passado.
Nos anos 1970 e 80, durante a guerra civil do Líbano, ou no conflito de 2006 entre Israel e Hezbollah, mesmo quando o aeroporto de Beirute fechava, os libaneses possuíam a chance de se refugiar na Síria, usar o aeroporto de Damasco ou cruzar o território sírio por terra até a Jordânia e a Turquia. Outra opção era pegar um barco e ir para o Chipre, não muito distante, no Mediterrâneo.
Agora não existe mais a opção cipriota, que diante de sua crise não teria como receber refugiados libaneses, e tampouco a síria, em guerra. A israelense continua fechada. Os libaneses não tem para onde fugir se a frágil estabilidade do país entrar em colapso. Literalmente, o Líbano virou uma ilha entre o Mediterrâneo e a Ásia.
Por mais que a administração de Barack Obama tente mostrar o inverso, a oposição síria está extremamente insatisfeita com os Estados Unidos. O desgaste é tanto que levou até à renúncia do presidente da Coalizão de Oposição da Síria, Moaz al-Khatib pela insatisfação com a falta de apoio americano e a influência negativa do Qatar e da Arábia Saudita que querem apenas amparar as facções mais radicais dos opositores.
O New York Times pode trazer a reportagem com a operação da CIA em coordenação com os governos árabes e a Turquia para levar armamentos para os opositores. Mas todos sabem que estes continuam indo para as mãos de rebeldes mais radicais e os próprios líderes das alas mais laicas falam isso abertamente.
A saída de Khatib é uma perda enorme porque ele era um dos poucos capazes de estabelecer canais de negociação com o regime de Damasco. Obama estava certo ao não se envolver na Síria. Mas já que, nas últimas semanas, decidiu entrar na bagunça, ele não pode continuar dando aval para turcos, sauditas e qatarianos apoiarem radicais.
Note que o coronel Riad al Asaad, um dos primeiros comandantes militares da oposição, foi ferido ontem em um carro-bomba e precisou amputar o pé. Alguns líderes opositores acusam uma agência de inteligência estrangeira ligada ao Ocidente.
Vejam o comunicado de Khatib sobre o ataque a Asaad – “A tentativa de assassinar o coronel al-Asaad em Deir al-Zor é parte de uma tentativa de assassinar os líderes livres da Síria”. E estes, segundo ele disse em declarações nas últimas 24 horas, são aqueles que estão contra o regime de Assad e ao mesmo tempo contra a influência negativa de governos árabes, da Turquia e dos EUA.O premiê do Líbano, Najib Mikati, renunciou nesta noite em Beirute. Houve, para a sua renúncia, alguns fatores externos ligados à Síria. Mas outras questões domésticas do Líbano independentemente do conflito no país vizinho foram determinantes para a saída do primeiro-ministro.
Primeiro, vou mais uma vez didaticamente explicar o sistema político libanês. O presidente precisa ser cristão maronita; o premiê, muçulmano sunita; e o presidente do Parlamento, xiita. O gabinete ministerial também é distribuído de acordo com as religiões, incluindo algumas minoritárias, como os cristãos ortodoxos e os armênios.
Metade do Parlamento é destinado aos muçulmanos, com subdivisões para sunitas, xiitas, alauítas e drusos (contam como muçulmanos). A outra metade é para os cristãos, com predomínio dos maronitas, embora com cadeiras para ortodoxos, melquitas, armênios e outras minorias cristãs.
Hoje, no país, existem duas correntes políticas. A governista se chama 8 de Março, composta pelos xiitas do Hezbollah e da Amal, cristãos seguidores de Michel Aoun e alguns sunitas como o próprio Mikati. Embora não seja tão próximo do Hezbollah, ele era o primeiro-ministro. Esta facção é politicamente próxima do regime de Assad e, em menor escala, do Irã.
Os opositores são da 14 de Março, majoritariamente composta por sunitas seguidores do ex-premiê Saad Hariri e cristãos ligados a Samir Gaegea, líder da milícia cristã maronita Forças Libanesas. Praticamente não há xiitas. Eles são próximos dos EUA e da Arábia Saudita.
Existem, além destes dois grupos, alguns neutros, como Walid Jumblat, líder druzo, que navega entre as duas coalizões de acordo com os ventos do Oriente Médio. O presidente, Michel Suleiman, um general cristão, busca manter a neutralidade. A França, como força externa, também tem aliados nos dois lados.
Nos últimos anos, passaram a surgir algumas facções sunitas extremistas, conhecidas como salafistas, com um perfil anti-Hezbollah e anti-Israel (isso mesmo que está escrito).
Desde a saída da retirada das tropas sírias, em 2005, há instabilidade política no Líbano e mesmo atentados terroristas ocasionais. Neste momento, existe um impasse sobre a lei eleitoral e a prorrogação do mandato de um líder das forças de segurança. Algo que ocorreria mesmo sem a guerra civil na Síria.
No caso da lei eleitoral, os cristãos dos dois lados mais os xiitas querem mudanças. Os sunitas, incluindo Mikati e os opositores, assim como druzo Jumblatt, não. Houve um rompimento nas linhas existentes anteriormente.
O problema é que, agora, não dá para fechar os olhos para o conflito no país vizinho que pode se expandir para o Líbano. Há confrontos quase diários em Trípoli, no norte do país, envolvendo alauítas e sunitas que são, respectivamente, a favor e contra Bashar al Assad. Xiitas (não é a mesma coisa que alauítas) também atacaram sunitas e vice-versa. Este temor pesou, sem dúvida, na decisão de Mikati.
 O Estado de S. Paulo..SNB

Democracia ou dragões?


/ TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK, É COLUNISTA, THOMAS L., FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES, / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK, É COLUNISTA, THOMAS L., FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo
Neste décimo aniversário da invasão americana do Iraque, três coisas estão claras. Primeiro, haja o que houver no Iraque, nós pagamos demais por isso em vidas, dinheiro e enfoque. Segundo, pode-se pagar demais por alguma coisa decente e pode-se pagar demais por um lixo absoluto.
Pelo que exatamente nós pagamos demais no Iraque ainda não está claro e será decidido pelos iraquianos. Terceiro, por mais que queiramos esquecer do Iraque, o que se passa nesse país tem uma importância maior do que nunca para o Oriente Médio.
Dada sua história de ditadura brutal, o Iraque poderia parecer o último lugar do Oriente Médio onde deveríamos ter tentado ajudar a criar uma democracia autônoma. Aliás, era o mais importante. Basta olhar a Síria para compreender por quê.
O Iraque era constituído por todas as seitas que povoam os diferentes países árabes e foram mantidas unidas nos últimos 50 anos por ditadores com pulsos de ferro. Se os iraquianos pudessem demonstrar que, uma vez removido seu ditador, as comunidades constituintes do Iraque (xiitas, sunitas, curdos, turcomanos, cristãos) poderiam forjar seu próprio contrato social para viverem juntas em paz - em vez de ser governadas brutalmente de cima para baixo -, então algum tipo de futuro democrático seria possível para todo o mundo árabe.
Essa possibilidade ainda não foi preenchida. Derrubamos o ditador do Iraque. As pessoas fizeram o mesmo na Tunísia, Egito, Iêmen, Líbia e, em breve, Síria, mas as mesmas perguntas persistem sobre: conseguirão produzir governos representativos, decentes, estáveis? Poderão xiitas, sunitas, curdos, cristãos - ou secularistas e islamistas - viverem juntos como cidadãos e dividirem o poder? Se puderem, a política democrática terá um futuro na região. Se não, o futuro será um pesadelo hobbesiano onde ditadores com pulso de ferro são removidos, mas são substituídos por seitas, gangues e tribos rivais, tornando impossível a governança decente necessária para o desenvolvimento humano de milhões de árabes.
Hoje, não há ninguém de fora - otomanos, europeus, americanos, a Liga Árabe ou a ONU - que queira governar no lugar de ditadores e não há ditadores que possam manter seus punhos de ferro. Portanto, ou as comunidades desses Estados árabes encontram um jeito de dividir o poder, ou todo o mundo árabe vai ficar como uma daquelas regiões em mapas medievais rotulada: "Cuidado, Aqui Há Dragões".
É por essa razão que o processo de paz mais importante no Oriente Médio hoje é o necessário entre sunitas, xiitas, cristãos, curdos, bem como islamistas e secularistas. Apesar de nossos dispendiosos erros - e de todos os vizinhos do Iraque e jihadistas sunitas que tentam fazer o Iraque fracassar (veja-se a mortandade de terça-feira) -, acabamos ajudando os iraquianos a escreverem sua própria Constituição democrática para resolver politicamente suas diferenças, se assim eles quiserem. Nenhum dos outros Estados árabes em transição tem uma parteira externa ou um Nelson Mandela interno para fazer isso. Todos estão num início de lutas duras e prolongadas.
Os interessados no que está realmente ocorrendo hoje no Iraque deveriam ler o extenso artigo sobre o décimo aniversário de Roula Khalaf no Financial Times de sábado, 16 de março, que mostra um país progredindo e regredindo ao mesmo tempo. "Saindo da Universidade de Bagdá", ela escreveu, "eu sentei num miniônibus e conversei com estudantes. Alia, um moça de 24 anos que está fazendo mestrado em biologia, diz que os jovens estão tendo acesso à internet, a dezenas de canais via satélite que foram estabelecidos no Iraque, e acrescenta que, apesar da luta política entre a elite, não há nenhum sentimento de divisão entre sunitas e xiitas na universidade. Mas ela também está descontente, sua família está permanentemente preocupada com seu paradeiro. "Liberdade é importante, mas não me dá o suficiente", diz ela. "Liberdade é fazer o que você quer, e não apenas falar." Essa estudante representa a esperança do Iraque. Acredito que o verdadeiro agente da mudança em sociedades pós autoritárias é algo que leva anos para se desenvolver. Chama-se "nova geração", uma que pense e aja de maneira diferente da geração de seus pais.
Os primeiros protestos democráticos de massa contra Vladimir Putin começaram quase 21 anos após o fim do comunismo. Poderá o Iraque conhecer uma estabilidade política e sectária suficiente para que uma geração possa crescer lendo o que quiser, viajando para onde quiser - e, no processo, produzir iraquianos suficientes que pensem em si mesmos como cidadãos dispostos e capazes de viver em paz com outros grupos. A Europa não construiu a democracia da noite para o dia; o Iraque seguramente não poderá fazê-lo.
"A sociedade iraquiana sob Saddam ficou traumatizada, e o impacto de 35 anos de regime autoritário não se dissipará rapidamente", diz Joseph Sassoon, professor nascido em Bagdá, hoje na Universidade de Georgetown e autor de "Saddam Hussein's Ba'th Party: Inside an Authoritarian Regime".
Talvez leve duas gerações para essas vozes jovens da Universidade de Bagdá prevalecerem. Ou mais tempo ainda. Ou poderá não ocorrer jamais.
Qualquer olhar honesto ao Iraque de hoje revela sementes de sociedade civil brotando e o sectarismo venenoso se espalhando. Pelo seu bem, pelo bem da estabilidade do mundo árabe e pelo bem de todos que se sacrificaram para que os iraquianos pudessem ter uma oportunidade de governança decente, espero que o vigésimo aniversário seja ocasião de um julgamento mais positivo.
SNB

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