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sexta-feira, 6 de julho de 2012

RIM-7 Sea Sparrow

No meio da década de 50, a US Navy reconheceu que os canhões antiaéreos tradicionais eram insuficientes para defesa dos seus navios. No início da década de 60, a US Navy planejou um sistema de defesa de míssil de curto alcance chamado BPDMS - Basic Point Defense Missile System - para navios pequenos. O RIM-46 Sea Mauler seria usado no BPDMS, mas foi cancelado em 1964. Em 1959, foi considerado uma versão naval do RIM-46 Mauler do US Army, mas mostrou ser inadequado. Uma versão de curto alcance do míssil ar-ar AIM-7 Sparrow passou a ser considerada. O cancelamento do programa Mauler em 1965 levou a decisão definitiva de desenvolver o Sea Sparrow para combater a ameaça de mísseis antinavio soviéticos.
Uma versão provisória chamada de RIM-7H, derivada do AIM-7E, foi usada inicialmente. O sistema usaria um lançador ASROC de oito tubos modificado instalado em uma instalação original de canhão conhecido como Basic Point Defense Missile System (BPDMS). O sistema foi entregue em outubro de 1967 para uso contra alvos no ar e contra embarcação rápidas.
O sistema entrou em produção mas sua capacidade contra mísseis antinavio, espoleta e as ECCM foram consideradas limitadas. Logo começou a ser desenvolvido o Improved Point Defense Missile System (IPDMS) que entrou em produção em 1973 como RIM-7F baseado no AIM-7F. O RIM-7F durou pouco em favor do derivado naval do AIM-7M.
O RIM-101 seria o novo míssil de defesa aérea de ponto da US Navy em 1973. Teria guiamento semi-ativo (banda I) e IR terminal, espoleta ótica e ogiva com explosivo PBX-W107. O motor seria o mesmo do FIM-43 Redeye. Foi cancelado nos estágios iniciais de desenvolvimento em favor do RIM-7.
O RIM-7H era um AIM-7E melhorado para operar embarcado. Tinha asas dobráveis para caber no novo lançador Mk 29. As asas dobráveis passaram a ser usadas nos modelos subseqüentes. O RIM-7H foi base para o NATO Sea Sparrow Missile System (NSSMS) Mk 57 Block I com produção iniciada em 1973.
O programa de desenvolvimento do NATO Sea Sparrow foi estabelecido com um Memorando de Entendimento em 1968 entre a Bélgica, Dinamarca, Itália, Noruega e EUA como um desenvolvimento conjunto que se tornou o NATO Sea Sparrow Surface Missile System (NSSMS) MK 57. O NSSMS agora é composto por 13 paises: Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Grécia, Holanda, Itália, Noruega, Portugal, Turquia e EUA. O Mk 57 usa os mísseis da família Sparrow 3, baseado no AIM-7E2 e renomeado RIM-7H.
O sistema usa um lançador conteiravel Mk 29 com oito mísseis. O primeiro lançamento foi em 1972. O AIM-7M/RIM-7M usa um sensor de radar semi-ativo monopulso inverso, melhor ECCM com microprocessador digital, nova ogiva, nova espoleta radar e novo motor. Entrou em serviço em 1983. 
O desenvolvimento continuou para criar uma versão de lançamento vertical para o NSSMS com o Guided Missile Vertical Launch System (GMVLS). Foi testado com sucesso em 1981, com controle de empuxo para manobrar apos o disparo, e se tornou o sistema de lançamento vertical Mk 49 Sea Sparrow. O VL Sea Sparrow foi adotado pela Alemanha, Austrália, Canadá, Grécia, Holanda, Japão, Nova Zelândia, Tailândia e EUA.
A versão AIM-7P/RIM-7P iniciou o desenvolvimento em 1987 com entregas em 1991. Esta versão tinha novas melhorias na espoleta e eletrônicos para melhorar a pontaria contra mísseis antinavio voando muito baixo. O míssil pode ser disparado dos lançadores já existentes, ou ser acomodado nos lançadores verticais do VLS Mk 41.
A última versão do Sparrow, o AIM-7R/RIM-7R, iniciou o desenvolvimento em 1988 com o Missile Homing Improvement Programme, com um sensor IR adicional para melhorar o desempenho contra alvos usando interferência eletrônica.
O RIM-7 Sea Sparrow foi instalado nos porta-aviões americanos da classe Nimitz, Enterprise, Kitty Hawk, John F Kennedy e Forrestal; nos contratorpedeiros classe Spruance, nos navios anfíbios classe Blue Ridge e Wasp, nos navios de apoio classe Supply e Sacramento e nos navios tanque Wichita.
Em 1988 o consorcio industrial da OTAN iniciou o desenvolvimento da família Sparrow para o requerimento NATO Anti-Air Warfare System (NAAWS) para modernizar as instalações de mísseis Sea Sparrow. O Sea Sparrow provisório de baixo custo seria um Sea Sparrow melhorado enquanto o Evolved Sea Sparrow Missile (ESSM) seria um novo míssil. Contudo, em 1995 o ESSM programa amadureceu e foi feito um contrato com a OTAN com 22 companhias lideradas pela Raytheon e empresas da Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Espanha, Grécia, Holanda, Noruega, Turquia e EUA. O ESSM era originalmente designado RIM-7PTC, mas agora foi designado RIM-162 como sendo um novo míssil.

RIM-46 Sea Mauler na versão terrestre com o lançador XM-546.
O RIM-7 Sea Sparrow tem a mesma fuselagem do míssil ar-ar, com a única diferença sendo as asas dobráveis para poder ser instalado nos lançadores. O RIM-7H tem 3,66m de comprimento, diâmetro de 20cm e pesa 205kg com ogiva de 30kg. O RIM-7F tem 3,66m de comprimento, diâmetro de 20cm e pesa 227kg com ogiva de 29kg. O sistema de guiamento do RIM-7F e RIM-7H é por guiamento inercial de meio curso com guiamento final com sensor semi-ativo de varredura cônica. A propulsão é por um motor de aceleração e sustentação (Mk38 ou Mk52) que faz o míssil atingir Mach 2,5 e atingir 15km no modelo RIM-7F e 25km no modelo RIM-7H, com uma altitude de interceptação de 15m a 5.000m.
O RIM-7M tem o mesmo tamanho do RIM-7F/H mas pesa 231kg. Tem sistema de guiamento melhorado com sensor semi-ativo monopulso invertido e processador digital dando melhor capacidade ECCM. O RIM-7M também tem uma espoleta de proximidade por radar ativo e uma ogiva capaz de focar a explosão no alvo. Junto com um sistema BITE, mostrou ser muito mais confiável e capaz contra alvos voando muito baixo. A propulsão é por um motor de aceleração-sustentação Mk58 Mod 0 com um alcance de 30km. 
O RIM-7P introduziu uma nova espoleta, novos eletrônicos e vetoramento de empuxo chamado de Jet Vane Control (JVC) para ser lançado do Mk 41 VLS. O JVC é ejetado após o míssil atingir a trajetória desejada. O RIM-7P também tem um novo algoritmo de controle de trajetória para melhorar o desempenho contra alvos voando muito baixo.

O RIM-7R é semelhante ao RIM-7M/-7P mas com um sensor IR adicional do AIM-9. Se o sensor IR falhar o radar semi-ativo toma o controle. A versão é um pouco mais pesada, 232kg, com motor Mk 58 Mod 4. Os controles ficam na cauda para melhorar a manobrabilidade.

O NSSMS usa o Mk 29 Guided Missile Launcher Subsystem (GMLS) que consistem de um lançador de oito células, uma unidade controle no convés e um gabinete de controle. O lançador leva dois conjuntos de quatro mísseis em um pedestal que se move em elevação e azimute. O sistema de controle de tiro pode funcionar em vários modos, como manual até totalmente automático, mas com disparo sempre com autorização humana. O sistema só consegue adquirir um alvo por radar de tiro com a maioria dos NSSMS tendo um ou dois designadores, mas é possível usar um radar único para engajar dois alvos pouco espaçados vindo da mesma direção.

O Guided Missile Vertical Launch System (GMVLS) Mk 48 precisa de um míssil com asas dobráveis e um JVC para transição do modo vertical para vôo horizontal. O motor de aceleração tem 37cm de comprimento e pesa 18kg. O RIM-7M e RIM-7P podem ser adaptadores para disparo vertical. O lançador Mk 48 tem quatro versões. O Mod 0 tem dois mísseis e é montado no convés; o Mod 1 tem dois mísseis no lado do hangar ou superestrutura; o Mod 2 tem 16 mísseis montados em conjuntos de quatro embaixo do convés; o Mod 3 é um sistema compacto de baixo peso em módulos de seis mísseis no convés. O conjunto Mk 22 permite que o RIM-7 seja lançado do Mk 41 VLS com quatro mísseis em cada unidade do Mk 41.

O RIM-7H  entrou em serviço em 1967, seguido do RIM-7F em 1973, do RIM-7M em 1983, RIM-7P em 1991 e o RIM-7R em 1997. Um total de 150 NSSMS e mais de 11 mil Sea Sparrow foram produzidos sendo 60% para os EUA e o resto para a Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Grécia, Holanda, Itália, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Tailândia, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Brunei e Coréia do Sul também compraram o Sea Sparrow.



O lançador Mk 29 pode receber o RIM-116 RAM em duas células. As versões disparadas de superfície chegam a atingir Mach 2.5 com alcance de 8 km. O alcance mínimo era de 3 km e o teto variava de 15 metros a 5000 metros.


Lançador Mk 48 VLS Mod 1 em uma fragata canadense.
Sea Sparrow
Disparo de um Sea Sparrow de um lançador vertical Mk 48 a partir de uma fragata alemã.


Tipos de lançadores verticais do Sea Sparrow. O 
Mod 0 tem dois mísseis e é montado no convés; o Mod 1 tem dois mísseis no lado do hangar ou superestrutura; o Mod 2 tem 16 mísseis montados em conjuntos de quatro embaixo do convés; o Mod 3 é um sistema compacto de baixo peso em módulos de seis mísseis no convés.


Detalhes do Sea Sparrow de lançamento vertical.


Teste do Sea Sparrow a partir do USS Bradley em 1967-68 a partir de um lançador ASROC.


A recarga do Sea Sparrow é feita manualmente. O lançador é limitado a oito disparos e por isto não é recomendavel contra ataques de saturação.

Skyguard/Sparrow


A versão terrestre do RIM-7M Sea Sparrow  iniciou na década de 80 com o conjunto Oerlikon Contraves da suíça e a Raytheon Company Skyguard/Sparrow dos EUA combina os sistemas Skyguard e mísseis Sparrow. O objetivo é adicionar a capacidade de engajar alvos mais longe que os canhões que são usados contra alvos mais próximos.

Os EUA testou o Skyguard com o Sparrow em 1980 com o disparou um míssil AIM-7E e dois AIM-7F contra drones QT-38 para o AIM-7E e QF-86 para o AIM-7F. O AIM-7E passou dentro do raio letal enquanto primeiro AIM-7F acertou direto e o segundo atingiu a frente da fuselagem e o drone logo perdeu o controle. O sistema consiste de um Skyguard modificado com dois lançadores quádruplos de Sea Sparrow com um radar de iluminação.

Os compradores tem opção de escolher os mísseis entre o Sparrow americano e o Aspide italiano. O Skyguard/Aspide foi demonstrado em 1981 e adotado pela Espanha que já usava o Skyguard/Sparrow. Também foi usado pela Itália e Tailândia. O sistema Skyguard/Aspide entrou em serviço no Exército Italiano em 1983 e foi exportado para o Egito, Espanha (chamado de Toledo) e Grécia.

Em 1982 o Egito comprou 18 baterias Skyguard/Sparrow para equipar três Brigadas de Defesa Aérea para substituir os sistemas de mísseis russos. As entregas foram entre 1984 a 1987. O sistema é chamado localmente de Amoun com um radar Skyguard, dois canhões GDF-003 bitubos de 35mm e quatro lançadores quádruplo de mísseis Sparrow. Uma seção pode engajar três alvos de uma vez, sendo dois com canhões e um com mísseis. O tempo de reação é 4.5 segundos para os canhões e 8 segundos para o Sparrow. O alcance dos sensores óticos é de 15km e o radar 20km.

O Kuwait também recebeu seis sistemas Amoun para a Força Aérea. O Chipre comprou 12 baterias de Skyguard junto com 144 mísseis Aspide.

Em 1983 a Grécia comprou 20 baterias com os mísseis RIM-7M (280 mísseis) sendo chamado localmente de Velos (flecha). Junto foram adquiridos 44 canhões GDF-003 de 35mm e radares Super Giraffe e 12 Skyguard. As entregas foram em 1984. Em 1999 a Grécia iniciou uma modernização do Velos para uma extensão da vida útil em 15-20 anos. O canhão passou para o padrão NDF-C e recebeu um radar da banda Ka capaz de acompanhar 20 alvos contra 8 do sistema original e recebeu uma câmera IR. O sistema IFF passou para o padrão Mk XII.

A Espanha comprou 13 sistemas Spada e 200 mísseis Aspide no lugar do Sparrow mas com o sistema Skyguard e canhões bitubos de 35mm GDF-005. O custo foi de US$ 220 milhões com todos entregues até 1989. A Espanha comprou o Spada com o Aspide 2000 em 1998.
Sea SparrowSistema Skyguard grego com dois canhão GDF, lançador quádruplo de Sparrow e radar Giraffe.

SkyGuard
Radar Skyguard e lançador quádruplo do Sparrow.

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SN-BR - Marinha do Brasil inicia Projeto do Submarino de Propulsão Nuclear


No dia 6 de julho, às 10h30, foi realizada a cerimônia de início do Projeto do Submarino com Propulsão Nuclear Brasileiro, no auditório principal do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). Com as presenças do Comandante da Marinha do Brasil, Almirante-de-Esquadra Julio Soares de Moura Neto; do Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Arthur Pires Ramos; e do Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, Almirante-de-Esquadra (Refº) José Alberto Accioly Fragelli, o evento marcou uma importante etapa do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), em que será desenvolvido o primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro.

No evento também foi inaugurado o Escritório Técnico de Projetos em São Paulo, que foi especialmente equipado com avançados recursos de Tecnologia da Informação (TI) e uma sala de videoconferência, visando atender às necessidades que um projeto dessa magnitude demanda.

O Programa, que está inserido no escopo de contrato firmado entre a Marinha e a empresa francesa DCNS, exceto a parte nuclear da planta de propulsão, engloba ainda a construção de um estaleiro e base naval, na região de Itaguaí (RJ), e quatro submarinos convencionais. Entre os benefícios para o país estão o fortalecimento da indústria nacional e o aprimoramento da qualificação técnica de profissionais brasileiros que trabalharão no PROSUB, garantindo ao Brasil a capacidade de desenvolver e construir seus próprios submarinos no futuro, de forma independente.

Este ano, o PROSUB já deu um importante passo em sua parte nuclear com a inauguração da primeira das quatro fábricas da Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e do Centro de Instrução e Adestramento Nuclear ARAMAR (CIANA), em Sorocaba (SP), que representaram o domínio do ciclo do combustível nuclear para o país. Atualmente, apenas cinco países - China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia - detêm este domínio tecnológico. Com este empreendimento, o Brasil passa a integrar a seleta lista, uma vez que o reator nuclear e a propulsão do SN-BR serão desenvolvidos no país.


Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro – SN-BR

O trabalho de Projeto, que foi iniciado no dia 6 de julho, percorrerá um longo caminho. Serão três anos para alcançar o projeto básico do submarino de propulsão nuclear, para então ter início a fase do projeto detalhado, simultaneamente com a construção do submarino, em 2016, no estaleiro da Marinha que está sendo construído na cidade de Itaguaí.

Considerado um dos mais complexos meios navais já idealizados pelo homem, o submarino de propulsão nuclear possui significativas vantagens táticas e estratégicas. Seu reator nuclear, por ser uma fonte quase inesgotável de energia, confere-lhe enorme autonomia, podendo desenvolver velocidades elevadas por longos períodos de navegação, ampliando significativamente sua mobilidade e permitindo-lhe patrulhar áreas mais extensas dos oceanos. Além disso, por operar ininterruptamente mergulhado, em completa independência do ar atmosférico, este tipo de submarino é praticamente indetectável, inclusive por satélites.
O Submarino Nuclear Brasileiro (SN-BR) será totalmente projetado e construído no Brasil, empregando os mesmos métodos, técnicas e processos de construção desenvolvidos pelos franceses. Parte significativa dos equipamentos desenvolvidos para os quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, será aproveitada no SN-BR. Estima-se que cada um dos submarinos a ser produzido no Brasil contará com mais de 36 mil itens a serem fabricados aqui, por mais de 100 empresas brasileiras. Entre esses equipamentos estão válvulas de casco, motores elétricos, sistema de combate, bombas hidráulicas, quadros elétricos, sistemas de controle e baterias de grande porte, dentre outros. O processo de capacitação da indústria de defesa nacional, envolvendo transferência de tecnologia e expressiva nacionalização de equipamentos, possibilitará que a qualificação alcançada pelos profissionais brasileiros possa ser utilizada em diversos outros segmentos da indústria nacional.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos irá gerar, durante as obras de construção em andamento, mais de 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos. Para o período de construção dos submarinos projeta-se, na área de construção naval militar, a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos permanentes, com utilização expressiva de mão-de-obra local.
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A DEFESA EM DEBATE - Projeto do Submarino Nuclear Brasileiro: ciência, tecnologia, cerceamento e soberania nacional

Hoje, 6 de julho de 2012, realiza-se no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), a Aula Magna que marca o início do Projeto do Submarino de Propulsão Nuclear Brasileiro. Presentes na cerimônia, o Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, o Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Arthur Pires Ramos, o Diretor do CTMSP, Vice-Almirante Carlos Passos Bezerril, o Coordenador-Geral do PROSUB, Almirante-de-Esquadra José Alberto Accioly Fragelli, do Vice-Presidente Executivo da DCNS, Bernard Planchais, e demais autoridades.

O projeto do submarino nuclear brasileiro remonta a década de 1970, durante a gestão de Ernesto Geisel (1974-1979). Coube ao engenheiro nuclear, recém chegado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, CC Othon Luiz Pinheiro da Silva, em março de 1979, pôr em prática o projeto do submarino nuclear brasileiro. Como primeira constatação das dificuldades para viabilizar o projeto, a Marinha do Brasil (MB) chegou a conclusão de que, sem o domínio do ciclo do combustível nuclear, não teria como dar o próximo passo: construir o reator nuclear para propulsão naval.

Em um périplo de, aproximadamente, 20 anos, a MB dominou o ciclo do combustível nuclear e pôde dar início a construção do reator nuclear que será comportado no submarino.

Pergunta: por que o Brasil assinou um Acordo Militar com a França, em 7 de setembro de 2009, para aquisição de submarinos convencionais e nuclear condicionando a compra à transferência de tecnologia estratégica?

Com a aquisição dos submarinos da classe Oberon, a MB aprendeu com os ingleses a operar submarinos. Com a aquisição dos submarinos alemãs modelo IKL, a MB aprendeu a construir submarinos. A partir de então, a maior dificuldade da MB em dominar as etapas no desenvolvimento de submarinos passou a ser a de projetá-los.

Há várias formas de obter tecnologia, seja por desenvolvimento autônomo, importação de cérebros, cooperação tecnológica internacional e transferência de tecnologia.

O Brasil optou por buscar parcerias tecnológicas que estivessem, naquele momento, construindo submarinos convencionais e nucleares. Seguindo um processo de eliminação, restou como opção a Rússia e a França. Neste processo seletivo, a MB analisou as seguintes considerações: capacidade para desenvolver tecnologia própria, emprego de métodos e processos familiarizados com os empregados no Ocidente e de mais fácil absorção pelos técnicos e engenheiros brasileiros, ter fornecedor e ter comprador de material de defesa e, principalmente, contratualmente, aceitar transferir tecnologia de projeto de submarinos convencionais e nucleares. O fato de a França exporta submarinos convencionais da classe scorpène para o Chile, a Malásia e a Índia e, principalmente, aceitar as condições de transferência de tecnologia exigidas pelo Brasil a tornou parceira ideal para a realização dos objetivos políticos e militares brasileiros. E assim, neste contexto, a França, desde 2010, está ensinando técnicos e engenheiros da MB e de empresas brasileiras partícipes a projetar submarinos.

Em 16 de setembro de 2010, na cidade francesa de Lorient, a estatal DCNS inaugurou a Escola de Projeto de Submarinos, construída, especialmente, para cooperar com a MB na absorção de conhecimento científico e tecnológico de projeto de submarinos. Nesta Escola, já estão sendo formados grupos de engenheiros da MB e de empresas brasileiras envolvidas que, retornando ao Brasil, serão responsáveis pela disseminação do conhecimento científico e tecnológico absorvido. Importante ressaltar o valor desta absorção e disseminação do conhecimento na formação de uma comunidade científica altamente qualificada e coesa. A título de comparação e exemplificação, graças a uma comunidade científica semelhante, formada pela MB, no Centro Experimental Aramar, ao longo da década de 1980, que, na década seguinte, ao ser transferida a equipe e o conhecimento lá desenvolvidos, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) puderam absorver este conhecimento e desenvolver e produzir combustível nuclear para os reatores nucleares brasileiros.

O primeiro submarino convencional da classe scorpène já está sendo construído nas instalações da DCNS, em Cherbourg, na França. A expectativa é que, este primeiro submarino tenha sua construção concluída no estaleiro de submarinos, em Itaguaí, município do Rio de Janeiro, o qual também ainda está sendo construído por meio de um consórcio entre a DCNS e a empresa privada brasileira Odebrecht.

O PROSUB é constituído por quatro submarinos convencionais e um nuclear. A principal missão da DCNS é auxilia a MB a projetar o casco resistente do futuro submarino de propulsão nuclear brasileiro, o qual será construído no futuro estaleiro de submarinos, em Itaguaí. Embora a MB esteja, tecnicamente, satisfeita com os seus submarinos modelo IKL, esta força cedeu preferência no fechamento dos contratos com os franceses em função do casco hidrodinâmico do projeto francês derivar do submarino nuclear classe Rubis. Assim, além do modelo do casco do submarino convencional francês se destacar pela relativa facilidade de transição para o nuclear, todos os submarinos da classe Rubis em operação da Marinha francesa empregam tecnologias que são utilizadas nos submarinos nucleares franceses, como o sistema de combate SUBTICS, sensores, armamentos, sistema de controle da plataforma etc, os quais também terão seus conhecimentos absorvidos pelos cientistas, técnicos e engenheiros brasileiros.

Como mencionado, exceto, o primeiro, os demais submarinos serão construídos no Brasil. A expectativa é que o índice de nacionalização seja elevado. O Ministério da Defesa (MD) abriu concorrência para que empresas nacionais se candidatassem nos itens a ser nacionalizados. Coube à DCNS avaliar e selecionar as empresas que se candidataram e à MB coube acompanhar e supervisionar todo este processo de seleção.  

Se por um lado 2009 foi um ano generoso para o setor naval do Programa Nuclear Brasileiro (PNB), para o setor de saúde que também se beneficia deste Programa não foi. Por acomodação e falta de visão estratégica, o Governo brasileiro sentiu o impacto e as consequências que a dependência e o cerceamento tecnológico nuclear geraram para a sociedade e para os cofres públicos. Neste ano, a empresa canadense MDS Nordion que fornecia tecnécio para os institutos de pesquisas da CNEN, sem aviso prévio e alegando problemas no reator, cortou o suprimento deste radiofármacos. Semanalmente, o IPEN fornece geradores de tecnécio para aproximadamente 300 clínicas e hospitais em todo o Brasil. Além dos poucos países que fornecem este radiofármaco não atender a demanda internacional, o seu preço aumentou em 200%. Como solução paliativa, o Ministério da Saúde resolveu importar o tecnécio da Argentina, da África do Sul e de Israel. Como solução definitiva, o Ministério da Saúde decidiu envolver o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e, em comum acordo, com a Argentina, puseram em prática o plano de construir um reator de pesquisa chamado de multipropósito (RMB), um para cada país.

O arraste tecnológico advindo desta construção, além de beneficiar a medicina nuclear, beneficiará outros setores, como o de engenharia de alimentos, o de energia, a indústria e o setor naval. Sua implantação permitirá agregar pesquisadores de diversas áreas, possibilitando a criação de um núcleo de conhecimento capacitado, integrado e coeso. Foi visando estes benefícios que a MB cedeu parte de seu terreno, ao lado do Centro Experimental Aramar, em Iperó, interior do estado de São Paulo, para que o MCT construísse o RMB. Este reator, além de realizar testes de irradiação de materiais e combustíveis nucleares, tem um caráter estratégico, pois, contribuirá na produção de tecnécio-99, radiofármaco gerado por aceleradores de partículas feitos de molibdênio, metal raro, ultra resistente, que suporta temperaturas elevadas e resiste à corrosão. Como as reservas oficiais de molibdênio são insignificantes, o Brasil é extremamente dependente da importação de produtos gerados a partir deste metal para o suprimento de suas necessidades. Dados de 2007, do Departamento Nacional de Produção Mineral acusaram que as importações brasileiras de molibdênio totalizaram cerca de 10.415 toneladas, o que significou um gasto de US$ 301,64 milhões. Só a China possui três das seis maiores minas de molibdênio do mundo e os EUA detêm as outras três das seis maiores minas em operação. A produção de molibdênio na América Latina se concentra nas minas chilenas e algumas poucas peruanas.

O RMB garantirá a autossuficiência e a independência tecnológica na produção do molibdênio. Além destas questões, há intrinsecamente neste processo uma questão de soberania nacional, a medida que o casco resistente dos submarinos, em especial, os de origem ocidental, são constituídos por uma liga metálica composta por níquel, cobre e molibdênio (HY-80). O casco resistente dos modelos alemãs são mais resistentes do que os dos franceses, a medida que os primeiros são constituídos pela liga metálica HY-100. Isso permite que os submarinos convencionais e nucleares possam mergulhar ainda mais fundo, cumprindo a finalidade de não serem detectados por forças hostis sem comprometer o casco resistente.

Há países, como o Japão, que restringem severamente a exportação de aços que possam ser aplicados com fins militares. Um boicote conjunto de fornecedores internacionais de aços estratégicos significaria o estrangulamento de qualquer programa militar que dependesse da importação destas ligas metálicas. Alguns especialistas afirmam que o Brasil, nas décadas de 1980 e 1990, só assinou os contratos para a aquisição de submarinos modelo IKL mediante o comprometimento alemão em fornecer o molibdênio para a construção dos cascos resistentes dos 4 submarinos convencionais que foram construídos em território brasileiro. Se esta afirmação é verdadeira ou não, o fato é que, a MB se beneficiará demasiadamente com a construção do RMB. Independente de haver o comprometimento da França, neste novo Acordo Militar, o fato é que, ao transferir a tecnologia de projeto, os cientistas, técnicos e engenheiros brasileiros adaptarão os conhecimentos absorvidos na Escola de Projeto, na França, nos submarinos que serão construídos em território nacional. Isso permitirá, inclusive, que os brasileiros possam escolher as ligas metálicas que melhor atendam aos interesses estratégicos da empreitada, a medida que já existem submarinos utilizando novos tipos de ligas metálicas, com menores custos e com soldabilidade muito superior que os da série HY, permitindo assim, uma redução de até 50% nos custos totais de construção das embarcações navais. As ligas metálicas oriundas da família HSLA-80 são exemplo disso. Nos EUA, por exemplo, já se utiliza este tipo de liga metálica na construção de algumas classes de submarinos.  

Percebe-se assim que, não foi a toa que a MB cedeu seu terreno, ao lado de Aramar para que o MCT construísse o RMB, garantindo benefícios científicos e tecnológicos na irradiação de material e combustível nuclear para o reator de propulsão naval e burlando o cerco tecnológico dos países que mantém a estrutura realista do sistema internacional.

A conclusão que se pode chegar com este texto é que, graças a sua participação no RMB, a MB tornará possível o sonho de projetar, construir e operar o submarino nuclear brasileiro, reduzirá as vulnerabilidades científicas e tecnológicas, contribuirá com a consolidação das políticas de cooperação e integração na América do Sul e fortalecerá a soberania do Estado nas águas jurisdicionais brasileiras.
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Tropas sírias bombardearam cinco caminhões turcos

 As tropas sírias bombardearam cinco caminhões turcos na região de Aleppo, perto da fronteira com a Turquia, informou hoje a agência noticiosa DHA. Em consequência do ataque, os caminhões pegaram fogo e seus motoristas fugiram.
Segundo a agência, grupos de oposicionistas sírios teriam prestado proteção aos motoristas e os conduziram à fronteira e, seguidamente, ao território turco. Outros pormenores do incidente não foram informados.
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Irã exige à Rússia 4 bilhões de dólares


O Ministério da Defesa do Irã estimou que a falha da entrega de sistemas russos de mísseis antiaéreos S-300 custou ao país 3.985 bilhões de dólares, informa o jornal Izvestia.

Este montante está indicado na queixa do lado iraniano contra aRosoboronexport, entregada ao Tribunal de Arbitragem de Genebra, e inclui todas as penalidades sobre as entregas de armas russas para Teerã. A Rússia se recusou a fornecer ao Irã os sistemas S-300, em 2010, quando contra o país foram impostas sanções da ONU.
No Irã, há um grande número de equipamentos militares de fabricação soviética que não podem funcionar sem munições e peças suplentes, e o fabricante era obrigado a fornecê-las.
No entanto, o principal objetivo do Irã, provavelmente, não é receber uma grande soma, mas renovar o contrato de fornecimento de sistemas de mísseis anti-aéreos. E a quantia em disputa está deliberadamente exagerada para que a Rússia possa explicar a retomada das entregas de S-300 com relutância em perder muito dinheiro.

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Administração Nacional de Oceanos dos EUA nega existência das sereias


A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) precisou negar, em comunicado, a existência das sereias, depois que um documentário de televisão causou confusão entre alguns telespectadores.

"Não temos evidência alguma de que se tenham encontrado humanoides aquáticos", informa a NOAA no site do Serviço Nacional Oceanográfico (NOS), que se encarrega de enfrentar problemas como a mudança climática e a poluição nas áreas litorâneas.

Desta vez, no entanto, as autoridades tiveram que esclarecer outro tipo de dúvida dos cidadãos, já que a veiculação do documentário de ficção "Sereias: O corpo achado", no "Discovery Channel", em maio, gerou dúvidas entre os espectadores, que consultaram a agência federal sobre os seres mitológicos.

O canal de TV a cabo afirma, na apresentação do documentário em seu site, que o programa traz "uma imagem extremamente convincente da existência das sereias, a aparência que têm e por quê permaneceram ocultas... até agora".

O programa mescla fatos reais e fenômenos não explicados com a história de dois cientistas que dizem ter encontrado os restos de uma criatura marinha nunca antes identificada; analisando como as sereias podem ter evoluído a partir da árvore genealógica humana primitiva.

Em sua nota sobre "Fatos sobre o Oceano", o órgão oficial afirma, por outro lado, que os seres metade humanos, metade peixes, são "lendárias criaturas marinhas" que fazem parte da cultura marinha oral desde tempos imemoráveis.

Em uma retrospectiva histórica, a NOAA lembra que na "Odisseia" o poeta grego Homero já falava das sereias e, na cultura do Extremo Oriente imaginava-se que eram as mulheres de grandes dragões marítimos, enquanto os aborígines da Austrália se referiam a seu canto hipnótico.

Diante da falta de evidências de sua existência "por que, então, ocupam o inconsciente coletivo de quase todos os povos litorâneos?", se pergunta o serviço oceanográfico, que considera que "é melhor deixar a questão para historiadores, filósofos e antropólogos".
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