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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O tendão de aquiles do Irã


EFRAIM, HALEVY, THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo
Artigo
Hoje, nos EUA e em Israel, o debate público está centralizado, obcecadamente, num possível ataque ao Irã para coibir suas ambições nucleares. Mas não há nenhuma discussão sobre como os fatos verificados na Síria poderão resultar numa derrota estratégica para o governo iraniano. A base de apoio do Irã na Síria permite aos mulás de Teerã prosseguir com suas imprudentes e violentas políticas regionais - e sua presença na Síria tem de ter fim.
Conseguir que o Irã seja desalojado do seu núcleo em Damasco pode impedir o acesso de Teerã a seus agentes na região (o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza) e atingir seu prestígio doméstico e internacional, provavelmente obrigando um regime que já vem se esvaindo a suspender suas políticas nucleares. Essa seria uma opção mais segura e mais recompensadora que a militar.
À medida que o governo do presidente Bashar Assad titubeia, a Síria transforma-se num tendão de aquiles do Irã. Os iranianos colocaram vastos recursos no país. Existem acampamentos das forças da Guarda Islâmica Revolucionária, armas e conselheiros militares iranianos estão por toda a Síria. E as forças do Hezbollah vêm colaborando na matança de sírios que se rebelaram contra Assad. O Irã quer assegurar esse controle, independentemente do que ocorra a Assad - e Israel e o Ocidente precisam impedir isso a todo custo.
Infelizmente, as oportunidades oferecidas pelo colapso da Síria parecem estar escapando dos líderes israelenses. Na semana passada, o chefe da inteligência israelense referiu-se aos 200 mil mísseis e foguetes em Gaza, Líbano e Síria que podem atingir todos os centros urbanos de Israel. E há um risco crescente de que armas avançadas sírias caiam em mãos de grupos terroristas. A presença do Irã em Damasco é vital para a manutenção de tais ameaças.
No estágio em que estamos, não há volta; Bashar Assad tem de se afastar. Para Israel, a questão crucial não é se ele cairá, mas se a presença iraniana na Síria sobreviverá ao seu governo. Expulsar o Irã da Síria é fundamental para a segurança de Israel. Com a saída de Assad, a hegemonia iraniana na Síria terá de ir junto. Se isso não ocorrer, a partida do líder sírio não terá nenhum significado.
Israel não deve ser o único nem o principal ator numa ação para acelerar sua saída. Qualquer resultado viável na Síria terá de envolver EUA, Rússia e países árabes. Os EUA precisam oferecer à Rússia incentivos para o país deixar de proteger o regime sírio, que provavelmente cairá quando Moscou retirar seu apoio. Uma força com um mandato da Liga Árabe deverá, então, garantir a estabilidade até um novo governo ser empossado na Síria.
O atual impasse no caso sírio oferece uma rara chance de pôr fim à ameaça iraniana para a segurança e o bem-estar internacionais. Um fim da presença iraniana na Síria significará menos risco para o comércio e a segurança internacionais do que sanções mais severas ou mesmo a guerra. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Ataque aéreo mata chefe da Al-Qaeda no Paquistão


Agência Estado
ISLAMABAD - Mísseis dos Estados Unidos mataram nesta quinta-feira, 9, Badar Mansoor, o chefe da Al-Qaeda no Paquistão, um dos principais alvos dos americanos no país asiático, procurado por ataques que mataram dezenas de pessoas, informaram fontes oficiais em Islamabad.Mansoor, que teria enviado combatentes ao Afeganistão e mantinha um campo de treinamento no Waziristão do Norte, foi morto em um ataque com mísseis perto da fronteira com o Afeganistão, disseram funcionários paquistaneses e um membro do próprio grupo extremista.
"Ele morreu em um ataque com mísseis durante a noite em Miranshah. A morte dele foi um importante revés para a capacidade da Al-Qaeda de atacar no Paquistão", afirmou uma graduada autoridade paquistanesa, pedindo anonimato. A morte foi confirmada por um de seus partidários. "Badar Mansoor foi morto em um ataque com mísseis", afirmou um militante.
Quatro militantes teriam morrido no ataque durante a madrugada, que atingiu uma área de Miranshah, principal cidade do Waziristão do Norte. Foi o segundo ataque do tipo no Paquistão desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, confirmou um programa secreto com aviões não tripulados, no mês passado.
Uma graduada fonte do setor de inteligência do Paquistão descreveu Mansoor como "líder de facto da Al-Qaeda no Paquistão", após a morte de seu antecessor, Ilyas Kashmiri, em junho passado, em um ataque de um avião não tripulado. As informações são da Dow Jones.

Londres nega 'militarização' do Atlântico Sul


LONDRES - O Estado de S.Paulo
O governo britânico negou ontem as acusações da presidente argentina, Cristina Kirchner, de que estaria "militarizando" o Atlântico Sul e rejeitou mais uma vez negociar a soberania das Ilhas Malvinas, contestada por Buenos Aires nas Nações Unidas. Na terça-feira, Cristina prometeu ir ao Conselho de Segurança da ONU protestar contra uma suposta escalada militar britânica na região.
"Não estamos militarizando o Atlântico Sul. Nossa posição defensiva nas Falklands (como os britânicos se referem às Malvinas) permanece igual", disse uma porta-voz do premiê David Cameron. "Não há nenhuma evidência de que precisemos aumentar nossa presença a ativos militares ali."
Em comunicado divulgado ontem, a Secretaria de Exterior britânica afirmou que cabe aos kelpers (como são chamados os habitantes das ilhas) decidirem seu próprio destino. "Eles escolheram a cidadania britânica, têm liberdade para determinar seu futuro e não haverá negociações com a Argentina a não ser que eles assim desejem", diz o texto.
O envio do destróier HMS Dauntless ao Atlântico Sul e a chegada do príncipe William ao arquipélago para um treinamento militar de seis semanas irritaram o governo argentino. "Eles enviaram (para as Malvinas) um moderníssimo destróier, acompanhado do herdeiro real, que gostaríamos de ver em roupas civis", criticou Cristina na terça-feira. "Quero pedir ao premiê que, pelo menos dessa vez, dê uma chance à paz."
O Ministério da Defesa britânico, no entanto, alega que o envio do HMS Dauntless ao Atlântico Sul é uma operação de rotina planejada com antecedência. Segundo a Real Marinha Britânica, a embarcação apenas substituirá outro destróier. Em abril, a Guerra das Malvinas completa 30 anos.
Pressão. Desde o fim do conflito, a Argentina vem tentando retomar a posse das ilhas, conquistadas pelos britânicos em 1833, por meio da via diplomática. Com a chegada de Néstor Kirchner ao poder, em 2003, a Casa Rosada aumentou a pressão em fóruns internacionais, como a Assembleia-Geral da ONU, para tentar negociar com Londres. Cristina, que sucedeu ao marido em 2007, deu sequência ao projeto.
A descoberta de petróleo na plataforma continental do Atlântico Sul, em 2010, acirrou a disputa. No ano passado, o governo argentino lançou uma ofensiva diplomática junto a seus vizinhos sul-americanos para impedir que barcos com bandeira das Malvinas ancorem em seus portos. O pedido foi atendido por Brasil, Uruguai e Chile, o que praticamente vetou o acesso desses navios ao Atlântico Sul e parte do Pacífico.
Bloqueio. A diplomacia britânica teme que o próximo passo seja o fim de voos diretos entre o arquipélago e o continente, previstos num tratado assinado com a Argentina em 1999. A viagem, operada pela LAN Chile, liga semanalmente Punta Arenas, na Terra do Fogo chilena, a Port Stanley, nas Malvinas, com escalas quinzenais em Río Gallegos, na Patagônia Argentina. Na terça-feira, apesar de rumores na imprensa argentina terem indicado que Cristina poderia cancelar o acordo, ela não o fez.
A presidente apenas anunciou que tornará público o Relatório Ratterbach, produzido pela ditadura militar após a guerra, que aponta erros cometidos pelo Exército no conflito.
A Guerra das Malvinas durou seis semanas e deixou 800 mortos, a maioria deles argentinos. / AP e EFE

O ministro de Defesa da Argentina, Arturo Puricelli,


MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES - O Estado de S.Paulo
O ministro de Defesa da Argentina, Arturo Puricelli, acusou ontem o governo britânico de recorrer a bravatas para sustentar seu orçamento militar e de tentar desestabilizar a Argentina para ver se o país "cai na tentação de um conflito armado".
Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, o ministro reiterou que a ordem da presidente Cristina Kirchner é a de não cair em nenhuma provocação britânica e manter a reivindicação pela soberania das Ilhas Malvinas pelos canais diplomáticos.
O ministro disse que diante de um eventual ataque a Argentina vai se defender. "O que eles têm claro é que toleramos (o que fazem nas) Malvinas, mas se a força armada inglesa chegar ao território argentino, não tenham dúvidas de que vamos exercer o direito à legitima defesa, e temos capacidade de fazê-lo", disse o ministro.
Ainda de acordo com Puricelli, a decisão dos países da América do Sul de não receber embarcações com bandeira das Ilhas Malvinas está "encarecendo a usurpação" do arquipélago. Ele descartou, no entanto, a possibilidade de que a Argentina impulsione um bloqueio às ilhas. "Não mudamos nossa posição em nada. O condicionamento que os habitantes das Ilhas Malvinas têm se deve à política da Grã-Bretanha, de manter o domínio e a usurpação de um território que não lhes corresponde", declarou.
A Casa Rosada prepara uma campanha internacional pela causa argentina para marcar os 30 anos da guerra travada com a Grã-Bretanha, no dia 2 de abril. Cidade do México, Brasília, Bogotá, Caracas, Jerusalém, Madri, Paris, Berlim, Roma e outras 21 capitais e grandes cidades do mundo receberão publicidade e apresentações relacionadas à causa argentina.
O argumento principal da campanha argentina pela soberania das ilhas é a paz. Dezenas de artistas foram confirmados para festivais de tango em praças públicas. A programação completa, no entanto, ainda está sendo fechada pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina. / AE

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