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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quando as Malvinas foram da argentinas
Desde dezembro de 1981, Leopoldo Fortunato Galtieri era o presidente da Argentina e comandante-em-chefe do exército. Aos 55 anos, esse filho de imigrantes italianos pobres podia se orgulhar de ter chegado ao auge do poder. Entretanto, o ditador não vivia uma gestão tranqüila: a economia, a bem da verdade, estava em ruínas – a inflação ultrapassava 150% ao ano, os sindicatos se agitavam e a população reclamava. Além disso, a guerra suja contra o terrorismo deixara um gosto amargo. Fazer com que esse momento fosse esquecido tornara-se essencial para assegurar sua permanência no poder. Leopoldo Galtieri definitivamente precisava de uma jogada de impacto. E o almirante Jorge Anaya, comandante-em-chefe da marinha, tinha uma a lhe propor: a reconquista das ilhas Malvinas.




Os britânicos, que ocupavam desde 1833 essa antiga possessão espanhola, situada a 480 milhas náuticas da costa argentina, batizaram-na de ilhas Falkland. Mas Buenos Aires nunca deixou de reivindicá-las, colocando sua recuperação como uma grande causa nacional. Ora, em 1983 a soberania britânica nas ilhas completaria 150 anos. Um chefe de Estado argentino que lograsse conquistá-las antes dessa fatídica data certamente iria garantir um lugar privilegiado no panteão nacional! Como escrevera o jornal Convicción, em 27 de janeiro de 1982: “Se, tendo ganhado a guerra contra o terrorismo, conseguirmos agora recuperar as Malvinas, a história irá perdoar nossas burrices econômicas”. De fato, soava um pouco ingênuo...




Com mãos-de-ferro, Margaret Thatcher partiu para a ofensiva e surpreendeu os argentinos



A empreitada não parecia apresentar a menor das dificuldades pois aquele posto avançado do Reino Unido era guardado somente por 67 homens da marinha real. Além disso, durante 15 anos os argentinos negociaram com Londres a devolução das Malvinas e tinham a impressão de que seus interlocutores não estavam mesmo muito interessados em conservar aquelas ilhas desoladas, que custavam à Coroa muito mais do que rendiam. O diálogo fracassou apenas porque os 2 mil insulares fizeram questão absoluta de permanecer sob a administração britânica.



Mesmo assim, os militares argentinos pensavam que os ingleses não iriam criar dificuldades em reconhecer o fato consumado de uma ocupação. Além disso, contariam com a benevolência dos Estados Unidos, que acreditavam precisar da Argentina para sustentar sua campanha anticomunista na América Latina. Restava ainda uma última consideração, que não deixava de ter sua importância em um país onde o machismo permanecia como um conceito familiar: o primeiro-ministro britânico à época era uma mulher, Margaret Thatcher, e ninguém em Buenos Aires esperava que o sexo fraco desse prova de ter um espírito belicoso.



E assim aconteceu: em 2 de abril de 1982, uma vanguarda de 3 mil soldados argentinos desembarcou nas Malvinas. Depois de uma feroz e honrosa resistência, as poucas dezenas de marines foram dominados. A bandeira argentina tremulava sobre a residência do governador, e os principais portos das ilhas foram rapidamente ocupados por outros 9 mil soldados que desembarcaram. O presidente Galtieri se tornava naquele instante o homem mais popular de seu país.




Integrantes da 5a. brigada do exército inglês aterrissam no navio Sea King



Problemas previsíveis



Algumas rebarbas, apesar de tudo, apareceram. Excetuando-se algumas tropas de elite, os “libertadores” vinham, em sua maioria, das províncias subtropicais do norte da Argentina e não suportavam os ventos polares que sopram nas Malvinas e fazem as temperaturas cair para -20oC. Além disso, em Stanley, os royal marines capturados foram fotografados deitados com o rosto no chão, dominados por seus vencedores, e essas imagens deram a volta ao mundo. Tal ultraje ajudaria a despertar o velho leão inglês entorpecido do outro lado do Atlântico. Para finalizar, os argentinos aportaram suas tropas nas ilhas da Geórgia do Sul, a 900 milhas a sudoeste das Malvinas, lugar que nunca fora possessão argentina, nem mesmo espanhola.



A verdade é que a invasão tomou Londres de surpresa. Mas nada aconteceu como o governo de Galtieri previu. No dia seguinte, 3 de abril, Margaret Thatcher fez um discurso extremamente firme e obteve unanimidade na Câmara dos Comuns, que integra o parlamento inglês. “Devo dizer a esta Câmara que as ilhas Falkland e suas dependências continuam sendo território britânico. Nenhuma agressão, nenhuma invasão mudará isso. O governo tomará as providências para que essas ilhas sejam libertas da ocupação e retornem à administração britânica o mais rápido possível”, declarou.



Em seguida, a primeira-ministra anunciou que sua frota já se preparava para ir ao Atlântico Sul. A partida aconteceu em 5 de abril, com os porta-aviões Hermes e Invincible à frente, escoltados por 11 fragatas e destróieres, três submarinos, um navio de assalto anfíbio e o paquete de cruzeiro Camberra, transportando 3 mil homens da 3a brigada de royal marines. Naturalmente, a operação era muito arriscada. Afinal, o objetivo estava a 8 mil milhas dali e as provisões teriam de ser alongadas ao máximo. Além disso, por causa das condições meteorológicas do inverno austral, qualquer desembarque se tornaria impossível até o final de maio e as operações terrestres seriam inexecutáveis depois do final de junho. Enfim, a perda de um só porta-aviões comprometeria irremediavelmente a operação.




Principal responsável pela guerra, o ditador argentino dá declarações à imprensa em abril de 1982



Já os argentinos tinham pelo menos cinco submarinos operantes no Atlântico Sul. Compreende-se melhor, então, por que Arkadi Gouk, espião londrino da KGB – a polícia secreta soviética – previra em seu relatório a Moscou que os ingleses iriam perder a batalha que se anunciava. Os argentinos estavam igualmente convencidos disso, mas duas coisas os incomodavam: desde o dia 3 de abril, Londres tinha conseguido que o Conselho de Segurança das Nações Unidas votasse a resolução 502, exigindo que a Argentina evacuasse as Malvinas imediatamente e sem nenhuma condição; e os Estados Unidos condenaram formalmente a invasão, colocando à disposição dos ingleses sua base na ilha Ascensão, no meio do caminho entre as Malvinas e a Grã-Bretanha, o que facilitaria consideravelmente as operações da força-tarefa inimiga. Enquanto esta rumava em direção às Malvinas, contatos diplomáticos indiretos eram feitos entre Londres e Buenos Aires, com o secretário de Estado americano Douglas Haig servindo de intermediário. Thatcher exigia a retirada das ilhas como prerrogativa a qualquer acordo, e a junta argentina não podia realizá-la sem perder todo o capital de popularidade adquirido em 2 de abril. Rompido o diálogo, uma pequena unidade de marines e do Special Air Service (Serviço Especial Aéreo), sustentada por um bombardeio naval, desembarcou dia 25 de abril perto da base de Grytviken, na Geórgia do Sul, obrigando a guarnição argentina à rendição.



Mais surpresas desagradáveis aconteciam à medida que a força-tarefa britânica se aproximava das Malvinas. Em 2 de maio, o cruzador argentino General Belgrano foi torpedeado pelo submarino nuclear Conqueror e afundado com 320 membros da tripulação. Nas próprias Malvinas começava-se a sentir o peso da réplica britânica: a pista de vôo de Stanley foi destruída pelo bombardeiro Vulcain, vindo da ilha de Ascensão, e as posições argentinas eram submetidas a bombardeamentos navais intermitentes. Em 4 de maio, os argentinos conseguiram uma pequena reação ao acabar com o destróier inglês Sheffield, afundado por um míssil Exocet lançado de um Super Etendard. Mas, no combate aéreo, a vantagem voltava para o grande leão: os aviões Harrier eram mais modernos, mais manejáveis e mais bem equipados que os Mirage III e os Skyhawk argentinos. Além disso, em 15 de maio, uma incursão-surpresa de comandos SAS sobre a ilha de Bourbon causou a destruição dos 11 aviões argentinos que estavam estacionados no local.



E as notícias diplomáticas só pioravam para Buenos Aires: em 30 de abril, o presidente americano Ronald Reagan, influenciado por Thatcher, declarou que a invasão argentina era inadmissível e que os Estados Unidos responderiam favoravelmente a qualquer demanda britânica de material militar. Em Londres, a opinião pública e a imprensa sustentavam a posição da primeira-ministra, que aparecia a muitos como “o único homem do governo”, e aqueles que tentaram frear seu ardor patriótico compreenderiam rapidamente por que ela era chamada de “a Dama de Ferro”.



Desde 19 de abril, na ilha de Ascensão, um estado-maior especial tentava determinar o local mais apropriado para retomar a posse das Malvinas. Participaram desse encontro o almirante Wood-ward, comandante naval da expedição, o comodoro Clapp, responsável pelas operações anfíbias, o general Moore, chefe das tropas terrestres, e o general Thompson, comandante da 3a brigada de royal marines. Todas as hipóteses foram imaginadas: desde uma série de ataques-surpresa sobre as ilhas até um desembarque de maior envergadura mais próximo à capital, Stanley. Esse último plano foi rejeitado por ser muito arriscado pois dispunham então de apenas 3 mil homens.



Rendidos, os argentinos são escoltados pelos ingleses perto de Goose Green, em 2 de junho



O contra-ataque



Comandos ingleses desembarcaram secretamente nas ilhas para recolher informações. Concluíram que perto da embocadura norte do estreito das Malvinas, a noroeste da ilha oriental, a baía de San Carlos era grande o suficiente para permitir um desembarque anfíbio. Além disso, era muito mal defendida e seus acessos não estavam minados. Claro, ela ficava a cerca de 100 km de Stanley, mas nem tudo podia ser perfeito. Em 12 de maio, os britânicos decidiram: a reconquista das Malvinas começaria por San Carlos.



Lançada à 1h30 da manhã de 21 de maio, a operação “Corporate” teve de enfrentar apenas 12 horas depois a aviação argentina, que interveio com força, afundando as fragatas Ardent e Antelope. Mas já era tarde demais para evitar o desembarque, e a invasão inglesa se ampliou inexoravelmente em direção ao sul nos dias que se seguiram: em 29 de maio, no istmo de Darwin, 450 homens do batalhão de pára-quedistas atacaram os 1.600 argentinos da guarnição de Goose Green, infligindo-lhes duras perdas e obrigando-os a capitular. É importante lembrar que os royal marines e os pára-quedistas britânicos eram profissionais muito bem treinados, enquanto seus adversários eram, em sua maioria, sumariamente formados, mal enquadrados, pouco combativos e maltratados por seus oficiais, sofrendo cruelmente de frio e até mesmo de fome. Seu armamento era excelente, mas eles estavam mal entrincheirados, com quase nenhuma mobilidade e particularmente vulneráveis aos tiros da artilharia.

Desde os primeiros bombardeios, os heróis se faziam raros e as rendições se multiplicavam. Em parte foi por isso que o general Menendez, comandante-em-chefe das forças argentinas, não ordenou uma contra-ofensiva terrestre sobre San Carlos: tinha pouca confiança na capacidade de manobra de suas unidades. Além disso, pensou que San Carlos fosse apenas uma distração, que o verdadeiro desembarque seria feito em Stanley, onde suas melhores tropas permaneceram concentradas.



Os britânicos tiveram todo cuidado em consolidar suas posições a oeste antes de iniciar a longa marcha em direção a Stanley. Não seria um passeio tranqüilo, pois os aviões argentinos conservavam o domínio dos ares, diante de uma aviação inglesa numericamente inferior, que podia apenas patrulhar brevemente acima das ilhas. Em 25 de maio, os Mirage argentinos afundaram o destróier Coventry e o porta-contêineres Atlantic Conveyor, enquanto os aviões a hélice Puccara atacaram os helicópteros de transporte britânicos, sem os quais o corpo expedicionário não podia deslocar sua artilharia e seu equipamento pesado.



Mas os pilotos argentinos não conseguiram desviar o curso da guerra, pois, à medida que o conflito se prolongava, os melhores dentre eles eram abatidos e seus substitutos se mostraram claramente menos eficientes. Atacavam de preferência os destróieres e as fragatas, que eram troféus prestigiosos, mas só iriam comprometer a expedição britânica se conseguissem afundar sistematicamente os navios de transporte. Voavam baixo para evitar os radares, mas suas bombas eram reguladas para serem lançadas em alta altitude e atingiam freqüentemente o alvo sem explodir. Os mísseis Exocet fizeram terríveis estragos, mas os argentinos possuíam apenas cinco deles. E os serviços secretos britânicos, com a cooperação dos franceses, tomaram todas as providências para que o inimigo não obtivesse outros. Os Harrier britânicos, a partir de então equipados com o último modelo de míssil Sidewinder, fornecido em caráter de urgência pelos americanos, lhes infligiram perdas consideráveis. Mas o verdadeiro ponto fraco da estratégia argentina continuava a ser a coordenação ar-terra-mar: praticamente nenhuma. Tanto que o exército permanecia imóvel e a marinha não saía mais de seus portos depois da desventura do cruzador General Belgrano.

No início de junho, a 3a brigada de royal marines do general Thompson, reforçada por pára-quedistas e integrantes avançados da 5a brigada de Welsh Guards, Scots Guards e Gurkhas – que acabava de desembarcar em San Carlos –, tomou o caminho de Stanley. Um destacamento avançava ao norte por Teal Inlet (ver mapa), um segundo ao sul por Fitzroy – que cairia em 4 de junho –, enquanto, ao centro, um batalhão foi transportado em helicópteros até o monte Kent. Os obstáculos eram imensos: as estradas estavam destruídas; a chuva e a lama transformaram as pistas em lodaçais; a BBC (British Broadcast Corporation, sistema público de comunicação inglês) anunciava os ataques previamente; o envio de mais munições era malfeito; os calçados de marcha eram permeáveis; e os lança-mísseis Blowpipe se revelaram ineficazes contra os aviões argentinos.



Em 8 de junho, a aviação argentina provocou uma carnificina ao bombardear em Bluff Cove os navios de desembarque Sir Galahad e Sir Tristan. Mas, na guerra, a vitória é daquele que comete menos erros pesados. A partir de 12 de junho, as tropas britânicas, saindo dos pontos de apoio conquistados nos montes Kent, Longdon, Harriet e Two Sisters, reduziram sistematicamente as posições inimigas em torno de Stanley.



As regras clássicas da arte militar exigem que se tome a ofensiva apenas quando se têm três contra um, mas os britânicos decidiram deflagrar o combate final com a proporção inversa, um contra três. Em 14 de junho, em face de bombardeios aéreos, terrestres e navais, o general Menendez julgou mais prudente hastear a bandeira branca. Naquele dia, 12 mil argentinos se renderam a 4.500 britânicos, que começariam a repatriá-los cinco dias mais tarde, com atenções e cuidados que deixariam os vencidos sem palavras.



Enquanto a bandeira de Sua Majestade tremulava novamente sobre as Falkland, em Buenos Aires o ditador Galtieri era deposto. A vitória iria devolver as Malvinas aos argentinos, mas a derrota lhes deu uma recompensa muito maior: lhes devolveu a democracia.
britânicas reforça segurança nas Malvinas com submarino-Londres, 24 fev (EFE).- O Reino Unido pôs mais um submarino à disposição da defesa militar das ilhas Malvinas, informa hoje o jornal “The Times”, que afirma que que o equipamento ainda não chegou à zona.


                                                                             

Além disso, a fragata britânica HMS York vai permanecer nas águas do arquipélago, segundo confirmou o Ministério de Defesa, em Londres.



A defesa aérea das ilhas foi reforçada no ano passado com a chegada de quatro caças Typhoon, destaca o jornal.



Segundo fontes britânicas, o primeiro-ministro, Gordon Brown, e o Ministro de Exteriores, David Miliband, vão esperar a manifestação da ONU, para onde o Governo argentino levou a disputa, antes de entrar em contato com Buenos Aires.



Fontes diplomáticas britânicas disseram ao “The Times” que a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, está forçando o conflito por razões de política interna.



“É sobretudo uma campanha de relações públicas, não um esforço legal ou diplomático sério”, disse uma das fontes ao periódico.



O “The Times” informa ainda que entre os habitantes das Malvinas há uma sensação de “decepção” pela nova disputa em torno da soberania e pelo início da prospecção petrolífera em águas do arquipélago.



“Reina a impressão de que (o Governo argentino) está nos utilizando, como fez várias vezes antes. Quando um Governo (argentino) atravessa dificuldades, tende a desviar a atenção ao tema das Malvinas, que acredita que pode unir o povo”, disse ao periódico Jan Cheek, membro da Assembleia Legislativa das ilhas.

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